Tudo sobre: Hipocalemia ou Hipopotassemia

Introdução

O potássio é um elemento muito importante nos processos fisiológicos e por meio de mecanismos regulatórios se mantém em alta concentração dentro das células. Devido à sua grande importância na geração de potencial de membrana e nas funções neuromuscular e cardíaca, o organismo torna-se muito sensível às alterações na sua concentração plasmática.

Algumas situações patológicas podem levar a um desequilíbrio deste componente, resultando em redução dos níveis séricos (abaixo dos valores de referência) conhecida como hipopotassemia ou hipocalemia.

A hipopotassemia geralmente é multifatorial, ou seja, diversos fatores contribuem para sua ocorrência. Dentre eles: 

- Redução na entrada de potássio: nutrição deficiente, anorexia, reposição de fluidos sem potássio ou que não supre a necessidade diária, ingestão de bentonita (substrato de argila em caixas higiênicas);

- Perda de potássio: diarreia, vômito, excreção urinária (doenças renal e hepática crônicas, medicamentos que aumentam a produção de urina, acidificantes urinários, produção de urina após desobstrução uretral, antibióticos -anfotericina B, aminoglicosídeos, penicilinas), hipomagnesemia, acidose metabólica, hipertireoidismo, hiperadrenocorticismo, hiperaldosteronismo, terapia com bicarbonato de sódio.

- Entrada do potássio na célula: situações estressantes com liberação de adrenalina endógena ou com uso de medicamento similares exógenos/ externos ao organismo (noradrenalina e adrenalina), fármacos inibidores da enzima conversora de angiotensina (Enalapril e Benazepril), heparina, fluido rico em glicose, hipotermia (redução da temperatura corporal), hiperinsulinemia (aumento da insulina sanguínea), alcalose respiratória e metabólica e nutrição parenteral (alimentação por via sanguínea com aporte de macro e micronutrientes), miopatia hipopotassêmica (gatos da raça Burmês).

Geralmente não apresenta sintomatologia clínica, porém gatos são mais sensíveis a hipocalemia. Os animais podem apresentar sinais de maneira variável e proporcionalmente ao grau da queda do potássio, em casos em que ocorre uma queda severa, pode levar a alterações cardíacas e musculares em que o animal apresenta uma fraqueza muscular podendo evoluir para paralisia da musculatura respiratória e morte. Em casos de miopatia hipopotassêmica em gatos, pode ocorrer hipermetria dos membros torácicos, ventroflexão de pescoço, postura plantígrada ou abdução de membro pélvico. Quadros de poliúria e polidipsia podem estar presente, principalmente quando há lesão renal.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Assintomáticos

Os sintomas e sinais podem ser inespecíficos e ocorrer de forma isolada ou em conjunto: 

- Alterações cardíacas

- Poliúria

- Polidipsia

- Fraqueza muscular

- Paralisia da musculatura respiratória

- Miopatia hipopotassêmica (felinos)

- Óbito

Diagnóstico

Pela avaliação do histórico e quadro clínico. Exames que o médico veterinário pode solicitar: 

- Hemograma completo

- Urinálise

- Ureia

- Creatinina

- Dosagem de potássio

- Exame eletrocardiográfico

Observação: a escolha de quais exames solicitar, fica a critério do(a) Médico(a) Veterinário(a), que vai avaliar e adequar sua conduta conforme a situação clínica do(a) paciente. 

Tratamento

Inicialmente deve-se controlar o fator que está levando o desequilíbrio para em seguida realizar a reposição e manutenção dos níveis de potássio sanguíneo por meio da administração de fluidos ricos em potássio. 

A via de administração e a quantidade fica a critério do(a) médico(a) veterinário(a) de acordo com o quadro clínico do paciente.

Prevenção

É de extrema importância oferecer uma dieta adequada à espécie, que consiga suprir todas as necessidades energéticas e nutricionais do animal.

Proporcionar um ambiente tranquilo e evitar situações estressantes. 

Ficar atento ao substrato da caixa higiênica e se o animal não está ingerindo esse produto. 

Levar o animal ao(à) médico(a) veterinário(a) sempre que houver episódios de vômito, diarreia, redução da ingestão de alimentos, mudança de comportamento e prostração para investigar possíveis alterações patológicas e prevenir possíveis desequilíbrios.

Referências Bibliográficas

JERICÓ, M. M., ANDRADE NETO, J. P. D., & KOGIKA, M. M. (2015). Tratado de medicina interna de cães e gato, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p. 2828-37, 2015

NELSON, R.W.; COUTO, C.G., Fundamentos de Medicina Interna de Pequenos Animais, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p. 1557-73, 2001.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso