Tudo sobre: Hipofosfatemia

Introdução

Os minerais são elementos presentes na dieta em pequenas quantidades, porém tão necessários ao funcionamento do organismo quanto proteínas ou fontes de energia como carboidratos e gorduras. Podemos classificar ainda como macrominerais aqueles elementos que são necessários em maiores quantidades pelo organismo, como é o caso do fósforo.

Presente em maior quantidade nos alimentos como peixes, carnes e laticínios, o fósforo também está na formulação das rações comerciais de cães e gatos para que não falte ao funcionamento do corpo. Esse mineral está envolvido na maior parte das reações metabólicas do organismo, ou seja, ele participa do metabolismo dos nutrientes ingeridos como as gorduras, carboidratos e proteínas, e auxilia nas reações do organismo para a transformação dos nutrientes em energia, estando presente por exemplo nas contrações musculares durante os exercícios. Além disso, o fósforo também faz parte da formação estrutural das células, sendo portanto essencial ao funcionamento do corpo.

A hipofosfatemia ocorre quando os níveis de fósforo no organismo estão abaixo dos valores padrão para a espécie e podem ter como consequência a hemólise (destruição dos glóbulos vermelhos do sangue) e diminuição da oxigenação dos tecidos, provocando fraqueza muscular e também disfunção das células de defesa do organismo, os glóbulos brancos.

Apesar de ocorrer mais raramente, a hemólise causada pela hipofosfatemia é uma condição relatada quando os níveis de fósforo são bastante baixos e, em geral, ocorre em decorrência de outras doenças preexistentes como diabetes mellitus e lipidose hepática. O controle dos níveis de fósforo no organismo é influenciado por interações de paratormônio (produzido pelas glândulas paratireoides) e da vitamina D nos ossos, rins e sistema gastrintestinal. A redução na absorção intestinal de fósforo ou defeitos na absorção do mineral pelos rins podem causar o decréscimo das concentrações no organismo.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Assintomático

-Dispneia

-Taquipneia

-Palidez

-Fraqueza

-Emagrecimento

-Apatia

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos e exames laboratoriais.

Exames que o médico veterinário pode solicitar:

-Fósforo

-Glicose

-Paratormônio – PTH

-Hemograma completo

-Urinálise simples

-Cálcio Iônico

-Cálcio

-Albumina

-Imunoglobulina A (IgA)

-Imunoglobulina G (IgG)

-Imunoglobulina M (IgM)

-Ureia

-AST – TGO

-ALT – TGP

-Gama GT

-CPK (creatinofosfoquinase)

-Fosfatase Alcalina (F.A.)

-Potássio

-Sódio

-Radiografia

-Ultrassonografia

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário. 

Tratamento

Quando as concentrações de fosfato sérico atingem níveis muito baixos, deve ser administrada solução de reposição pela via endovenosa. Com o monitoramento do animal, pode-se evoluir o tratamento para uma suplementação por via oral assim que sejam atingidos os valores mínimos de segurança. Se o animal estiver apresentando hemólise, a internação é indicada para terapia e nos casos graves inclusive a transfusão sanguínea pode ser recomendada.

Prevenção

Para evitar deficiências de minerais no organismo, primeiramente a dieta do animal deve ser adequada à espécie e com alimento de qualidade e quantidade suficiente. Animais com diabetes devem ser tratados e o paciente acompanhado pelo médico veterinário de confiança para evitar consequências danosas ao organismo.

Referências Bibliográficas

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Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso