Tudo sobre: Hipoplasia Testicular (Gatos)

Introdução

A hipoplasia testicular é uma condição congênita definida pelo subdesenvolvimento das gônadas masculinas, ou seja, o desenvolvimento incompleto ou defeituoso dos testículos, que apresentam tamanho reduzido em relação aos animais de mesma idade. A alimentação da gata gestante pode influenciar nesse tipo de condição, sabe-se que deficiências nutricionais da gestante, principalmente de alguns minerais, como zinco por exemplo, podem levar à malformação fetal.

A hipoplasia testicular pode ser uni ou bilateral, ou seja, pode acometer os dois testículos, ou pode estar presente em apenas um, mantendo o desenvolvimento e funcionamento normal das glândulas presentes no outro testículo. Quando unilateral, a hipoplasia testicular é mais frequente do lado esquerdo e resulta em testículos de tamanhos diferentes, o que pode ser mais facilmente observado visualmente.

Gatos machos que apresentam pelagem normalmente encontrada em fêmeas, como as pelagens casco de tartaruga/ tortoiseshell (pelos pretos mesclados com pelos laranjas) e cálico/ tricolor (as cores preta, laranja e branca apresentam-se de forma independente), têm maiores chances de apresentar disfunções reprodutivas em decorrência do desenvolvimento inadequado dos órgãos reprodutivos. A cor alaranjada dos pelos é determinada pelo cromossomo x e está presente juntamente com a coloração preta nas fêmeas por questões genéticas, não ocorrendo normalmente nos machos. 

Quando encontramos gatos machos com essas pelagens, as chances de apresentarem defeitos genéticos é elevada. Esses animais podem apresentar material genético masculino e feminino ao mesmo tempo e características físicas ambíguas, assim como subdesenvolvimento dos testículos. Como resultado da falha no desenvolvimento dos testículos, a produção das células reprodutoras masculinas, os espermatozóides, fica prejudicada. 

O principal problema observado é a produção reduzida de espermatozóides, ou ainda a ausência deles, dificultando a eficiência reprodutiva, ou nos casos de ausência de células reprodutivas, impedindo a reprodução dos animais acometidos. Apesar de apresentar falhas quanto aos aspectos reprodutivos (dificuldade ou impossibilidade de reproduzir), em geral as células de Leydig, responsáveis pela secreção de testosterona não são afetadas, portanto o animal pode apresentar libido como qualquer outro. 

Transmissão

-Congênito

Manifestações clínicas

Assintomático

-Tamanho testicular reduzido

-Oligospermia

-Azoospermia

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

- Espermograma

- Espermocultura Qualitativa

- Espermocultura Quantitativa

- Testosterona

- Hemograma completo

- Albumina

- Imunoglobulina A (IgA)

- Imunoglobulina G (IgG)

- Imunoglobulina M (IgM)

- Ureia

- AST – TGO

- ALT – TGP

- Fósforo

- Gama GT

- CPK (creatinofosfoquinase)

- Fosfatase Alcalina (F.A.)

- Exame citogenético 

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

Os animais que apresentam hipoplasia testicular podem viver normalmente com a condição, sem que ela afete sua qualidade de vida, porém não são animais com boa atividade reprodutiva, mesmo quando ela é possível. A remoção cirúrgica dos testículos (castração) é o tratamento indicado para essa condição.

Prevenção

Por se tratar de um defeito congênito, sua prevenção se restringe aos cuidados recomendados às cadelas gestantes, principalmente relacionados à nutrição para o bom desenvolvimento dos embriões. Uma alimentação com os níveis adequados de nutrientes (principalmente minerais e vitaminas) auxiliam na melhor formação dos filhotes, além de promover uma saúde adequada para a cadela.

Animais com tal condição não devem ser reproduzidos.

Referências Bibliográficas

COSTA, Maria Teresa Pereira. Aneuplodia de cromossomos sexuais em gato de pelagem. Clínica Veterinária, v. 55, p. 126.1017.

DA SILVA, Marcela Caroline Brasileiro et al. Alterações genéticas envolvidas na expressão das pelagens tortoiseshell e cálico em gatos domésticos machos: Revisão. PUBVET, v. 13, p. 158, 2019.

DIAGONE, Karen Vicente. Histologia e morfometria dos testículos de gatos domésticos adultos. 2009. xii, 41 f. Tese (doutorado) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, 2009.

PREVIATO, Patrícia Franco Gonçalves et al. Alterações morfológicas nos órgãos genitais de cães e gatos provenientes de Vilas Rurais da região de Umuarama-PR. Arquivos de Ciências Veterinárias e Zoologia da UNIPAR, v. 8, n. 2, 2005.

SILVA, Vinícius Wagner et al. Avaliação das principais lesões testiculares de felinos adultos atendidos no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Uberlândia. 2018.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso