Tudo sobre: Histoplasmose

Introdução

A histoplasmose é uma doença infecciosa causada por um fungo, denominado Histoplasma capsulatum, que é eliminado nas fezes de aves e morcegos e encontra-se viável em solo ou fezes úmidas. Esta micose pode infectar cães e gatos e é considerada uma zoonose, pois pode infectar seres humanos que inalam os esporos, no entanto, não é transmitida diretamente pelos animais infectados. Sua distribuição concentra-se principalmente em regiões de clima temperado a subtropical, estando amplamente distribuída no Brasil e ocorre sobretudo em indivíduos imunossuprimidos. Ambientes considerados de alto risco para contaminação com o fungo incluem regiões com matéria orgânica acumulada, como cavernas, galinheiros, terrenos baldios e telhados de casas abandonadas.

Uma vez que os esporos são inalados por cães e gatos, o fungo se espalha pelo organismo provocando alterações que podem progredir sem sinais clínicos, mas também podem evoluir até manifestações de sinais graves, cujas complicações põem em risco a vida dos pets. 

A infecção se inicia no trato respiratório, mas pode se disseminar por todo organismo através das células do sistema imune que são parasitadas pelo fungo. Animais de todas as idades podem se infectar, no entanto, a doença é mais frequente em cães mais jovens e raças de caça, como os Blood Hound, Galgo Inglês, Setter Inglês, Whippet, Dachshund, Labrador Retriever e Beagle, devido à maior exposição aos locais de risco, com a presença do fungo.

A forma clínica da histoplasmose e seus sintomas variam com a resposta do sistema imune de cada animal, podendo se apresentar como uma doença silenciosa, restrita ao sistema respiratório, gastrointestinal ou neurológico, ou mesmo de forma disseminada.

Transmissão

- Fezes (inalação dos esporos presentes nas fezes)

Manifestações clínicas

- Apatia

- Letargia

- Anorexia

- Diarreia

- Pirexia

- Claudicação

- Dispneia

- Êmese

- Mucosas pálidas

- Taquipneia

- Blefarite

- Conjuntivite

- Uveíte anterior

- Úlceras cutâneas

- Nódulos

- Fístulas

- Úlceras orais

- Pólipos nasais

- Linfadenomegalia

- Tenesmo

- Ascite

- Icterícia

- Convulsões

- Nistagmo

- Emagrecimento

Diagnóstico

- Radiografia 

- Radiografia contrastada

- Ultrassonografia abdominal

- Esfregaço sanguíneo

- Citologia – PAAF ou Imprint

- Citologia Linfonodo

- Cultura para Fungos

- Cultura para fungos com antifungigrama

- Lavado traqueal

- Swab retal

- Hemograma completo

- Albumina

- ALT - TGP

- Sorologia

- PCR

- Histopatológico com coloração de rotina

- Histopatológico com coloração especial

- Exame micológico direto: amostras de sangue, lavado traqueal, líquidos, punção aspirativa de linfonodos

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

O tratamento da histoplasmose é baseado na utilização de antifúngico por períodos prolongados, entre quatro a seis semanas, sendo necessário o acompanhamento da função do fígado pet ao longo deste tempo. Pode ser necessário tratamento suporte com fluidoterapia e nutrição por sonda esofágica ou nasogástrica em caso de lesões graves no intestino.

É importante manter o tratamento antifúngico pelo tempo recomendado pelo(a) Médico(a) Veterinário(a) responsável, mesmo que o pet aparente melhora dos sinais clínicos apresentados, pois o tratamento interrompido precocemente pode levar à recidivas.

Prevenção

A prevenção da histoplasmose se dá evitando o contato dos pets com áreas que possam acumular fezes de aves e morcegos. Caso estes animais tenham contato com áreas de acesso comum dos cães e gatos, como quintais e garagens, é recomendado realizar a limpeza periódica destes locais utilizando máscara e luvas com soluções desinfetantes, como amônia quaternária e formaldeído a 3% (diluído em água), evitando esfregar ou varrer sujeitas secas, para não espalhar esporos dos fungos. Animais que participam de atividades como trilhas e caça devem ser levados periodicamente ao(à) Médico(a) Veterinário(a) para exames de rotina e tratamento precoce da doença se necessário.

Referências Bibliográficas

CRIVELLENTIN, L. Z.; BORIN-CRIVELLENTIN, S. Casos de rotina em medicina veterinária de pequenos animais. São Paulo, 2ª edição, MedVet, 2015.

GREENE, C. E. Doenças infecciosas em cães e gatos . Grupo Gen-Editora Roca Ltda., 2015.

JERICÓ, M. M.; ANDRADE NETO, J. P. ; KOGIKA, M. M. Tratado de medicina interna de cães e gatos. 2015.

NELSON, R.; COUTO, C. G. Medicina interna de pequenos animais. Elsevier Brasil, 2015.

TELES, A. J. et al. Histoplasmose em cães e gatos no Brasil. In: Science and Animal Health, v. 2, n. 1, p. 50-66, 2014.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso