Tudo sobre: Inalação de fumaça

Introdução

A lesão provocada pela inalação de fumaça é a principal causa de morte nos pacientes expostos diretamente a incêndios. A fumaça é a mistura de gases e partículas em suspensão resultantes da queima de qualquer combustível. Uma vez inalada, ela provoca o processo inflamatório das vias aéreas. Esse processo inflamatório depende dos constituintes da fumaça que pode variar conforme as condições em que o paciente foi exposto (tipo do material queimado, temperatura e ventilação).

As partículas em suspensão podem levar à obstrução das vias aéreas por deposição. Quanto maior o fluxo aéreo, causado pela taquipneia (respiração acelerada), maior a taxa de deposição de partículas nas partes mais distais das vias respiratórias. As partículas maiores tendem a se acumular nas vias aéreas superiores, já as partículas menores se depositam nos sacos alveolares.

Os gases podem ser irritantes ou asfixiantes. Os gases irritantes provocam lesão na mucosa respiratória por reações de oxidação e desnaturação e podem causar broncoespasmo, traqueobronquite química e até mesmo edema pulmonar. Seu local de ação depende da sua solubilidade em água: gases mais solúveis provocam mais lesões em vias áereas superiores, os menos solúveis lesionam as vias aéreas inferiores. Já os gases asfixiantes retiram o oxigênio do ambiente, tanto pela diminuição da porção de oxigênio do ar inspirado como o pelo impedimento da captação e distribuição do oxigênio pelo sistema cardiovascular.

É importante saber que a fumaça pode ser insidiosa e as lesões podem se manifestar após horas ou dias da inalação. Por isso, o animal deve ser avaliado imediatamente após ser retirado do local do incêndio.

Outro tipo de fumaça que também faz mal aos animais de companhia é aquela derivada da queima do cigarro ou até mesmo da maconha. Embora o resultado não seja tão grave e imediato quanto aqueles derivados de incêndio, a inalação constante de fumaça de cigarro pode provocar lesões pulmonares e alergias. No caso da fumaça resultante da queima da maconha, o animal pode apresentar sinais neurológicos de 30 a 60 minutos após a exposição.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

- Dor

- Epistaxe

- Tosse

- Rouquidão

- Dispneia

- Cianose

- Dor

- Gemidos

- Edema

- Desmaio

- Coma

- Taquicardia

- Arritmia

- Broncoespasmo

- Corrimento nasal

- Convulsão

- Óbito

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

- Carboxihemoglobina

- Radiografia torácica 

- Broncoscopia

- Cintilografia

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

É importante que o(a) tutor(a) leve o animal rapidamente ao atendimento de emergência principalmente se houver suspeita de obstrução respiratória. O(a) médico(a) clínico(a) avaliará criteriosamente o(a) paciente, identificando aqueles de alto risco e atuando de maneira oportuna para desobstruir as vias aéreas superiores. 

Outro ponto importante é o uso de altas frações de oxigênio, mesmo em pacientes com poucos sintomas. A função do oxigênio é aumentar a reserva de trocas gasosas do animal, revertendo o efeito da inalação do gás hipóxico. Aqueles(as) pacientes com doença pulmonar obstrutiva ou em coma deverão ser entubados o quanto antes. O(a) clínico(a) pode também estabelecer antibioticoterapia para prevenir infecções oportunistas.

Prevenção

Para prevenir o aparecimento de lesões inalatórias, o(a) responsável deve proteger o animal e a si mesmo de grandes quantidades de fumaça advinda geralmente de incêndios. Então as medidas de proteção são direcionadas para evitar situações que os provoquem:

  • Realizar manutenções periódicas das instalações elétricas;
  • Manter os ambientes sempre limpos e organizados;
  • Evitar sobrecargas nas tomadas para que não haja curto-circuito;
  • Deixar produtos inflamáveis longe dos animais domésticos e em locais onde não haja fonte de calor;
  • Manter os ambientes sempre ventilados;
  • Desligar o registro do gás de cozinha quando não estiver sendo usado;
  • Ter cuidado ao acender velas para que não caiam; não esquecê-las acesas;
  • Descartar bitucas de cigarro devidamente apagadas e em locais apropriados;
  • Estar sempre atento a panelas, frigideiras ou chaleiras no fogo, bem como ferro de passar roupa quando em suas atividades domésticas;
  • Não acumular material em desuso e lixo principalmente junto à fiação elétrica;
  • Não fazer ligações elétricas improvisadas, nem substituir fusíveis por moedas ou outros meios não adequados

Referências Bibliográficas

DEFESA CIVIL. Como prevenir incêndios. Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil, subsecretaria de Defesa Civil, Rio de Janeiro - RJ. Disponível em <http://www0.rio.rj.gov.br/defesacivil/incendios_como_prevenir.htm>

MIRANDA, A. L. S. et al. Intoxicações de cães por drogas recreativas: maconha e cocaína. REVISTA CIENTÍFICA DE MEDICINA VETERINÁRIA - ISSN 1679-7353 Ano XIV - Número 28 – Janeiro de 2017 – Periódico Semestral 

SOUZA, R. et al. Lesão por inalação de fumaça. Jornal Brasileiro de Pneumologia 30(6) - Nov/Dez de 2004

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