Tudo sobre: Infecção por Herpesvírus

Introdução

O herpesvírus é um agente viral altamente contagioso, cuja replicação ocorre dentro das células dos tecidos animais em momentos de fragilidade imunológica ocasionadas por diversos fatores como gestação, estresse, infecções primárias, entre outros, ocorrendo também sua transmissão. O período em que ele não se replica é denominado de latência, no qual o animal não apresenta sinais clínicos.

Este vírus tem predileção por tecidos linfóides, gânglios e mucosas ocular, genital e nasal. De contágio exclusivamente espécie-específico (afeta apenas espécies que apresentam receptores para ele), gera problemas reprodutivos como abortos, lesões genitais, problemas respiratórios e afecções oculares. Em cães está diretamente relacionado ao quadro de traqueobronquite infecciosa e, em gatos, à rinotraqueíte viral felina. 

A disseminação do herpesvírus é facilitada onde ocorre a aglomeração animal, como canis e abrigos, uma vez que nestes locais a ventilação é menor, há estresse físico ou psicológico e pode haver saneamento precário, favorecendo sua transmissão que ocorre por contato direto com as partículas virais por meio de secreções e saliva. 

Os animais neonatos são altamente sensíveis quando expostos ao vírus, visto que ainda não possuem um sistema imunológico fortalecido, além da possibilidade de já nascerem infectados pela forma de transmissão transplacentária, sendo causa de óbito entre a primeira e quarta semana de vida. É importante ressaltar que o vírus pode ser transmitido pelo coito e, em gatos, é a principal causa de doença respiratória.

Transmissão

- Aerossóis

- Contato direto

- Água contaminada

- Alimentos contaminados

- Fômites

- Mordedura/ Lambedura

- Transplacentária

- Saliva

- Sexual

Manifestações clínicas

- Aborto

- Morte fetal

- Parto precoce

- Conjuntivite

- Corrimento ocular

- Corrimento nasal

- Corrimento vaginal

- Épífora

- Pirexia

- Úlcera de córnea

- Ceratite

- Vesículas na mucosa genital

- Espirros

- Congestão nasal

- Apatia

- Anorexia

- Hiporexia

- Edema nos linfonodos

Diagnóstico

Associação de histórico, anamnese, exames físico e laboratorial

- Isolamento viral

- Cultura celular

- PCR

- Sorologia

- Coloração com fluoresceína

- Teste lacrimal/ Teste de Schirmer

- Hemograma completo

- Urinálise

- Radiografia da cavidade nasal

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

O tratamento indicado para infecção por herpesvírus, de maneira geral, é a terapia suporte que promove alívio dos sintomas, prevenção de infecções secundárias e um maior conforto ao animal. 

Em casos de problemas oculares, genitais e respiratórios, o tratamento realizado é de acordo com o sistema acometido e sua gravidade. Podem ser usados medicamentos tópicos para os olhos, colírios antivirais e antibacterianos, antibioticoterapia de amplo espectro, principalmente em filhotes. Em quadros graves de infecção, a internação do animal pode ser sugerida.

Uma vez que os animais acometidos podem apresentar diminuição de apetite, podem ser fornecidos estimulantes e alimentos mais palatáveis. 

Em gatos com infecção respiratória grave e consequente congestão nasal, é possível prover conforto ao animal submetendo-o a um ambiente umidificado por alguns minutos, duas a três vezes ao dia.

Prevenção

A principal forma de prevenção da infecção por herpesvírus é evitar a aglomeração animal, principalmente entre animais imunologicamente debilitados, doentes ou filhotes. 

A higienização dos ambientes é indispensável para prevenir doenças infecciosas e oferecer conforto e bem-estar aos animais. É importante também que os animais não tenham livre acesso às ruas, evitando o contato com possíveis patógenos e com outros animais possivelmente doentes.

Referências Bibliográficas

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Kurissio J.K., Cruz T.F., Linhares Araújo L.S. & Araújo Jr J.P. 2012. Viral isolation and molecular identification of canine herpesvirus 1. Virus Reviews & Research. Disponível em: <http://www.vrrjournal.org.br/index.php/vrrjournal/article/view/78/77> Acesso em: 28 Jan. 2020.

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MOTTIN, I. B. Herpesvírus felino tipo 1 e suas repercussões sobre a córnea. 2012.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso