Tudo sobre: Infecção por micobacterias

Introdução

Doenças micobacterianas possuem caráter infectocontagioso, granulomatoso, crônico e progressivo, sendo causadas por bactérias do gênero Mycobacterium

Os tipo de infecção desencadeadas por essas bactérias são tuberculosa, leprosa e não tuberculosa. As infecções caracterizadas como tuberculosas são causadas por Mycobacterium tuberculosis, M. bovis e M. microti. Dentre as infecções lepromatosas, destaca-se a M. lepraemurium. As infecções denominadas como não tuberculosas são causadas por bactérias saprófitas (decompositoras) ambientais, responsáveis por doenças oportunistas ou atípicas, resultando em lesões piogranulomatosas cutâneas, subcutâneas, linfáticas e lesões generalizadas em animais imunossuprimidos.

A tuberculose acomete cães e gatos de qualquer idade e sexo. Cães da raça Basset Hound e gatos Siameses  apresentam maior susceptibilidade a essa doença. 

A lepra felina acomete principalmente gatos adultos e filhotes de vida livre, não havendo predisposição de gênero e raça. Há relatos de granuloma lepróide canino em cães pertencentes a raças de grande porte, mantidos no exterior da residência, principalmente das raças Boxer e Pastor Alemão

A micobacteriose não tuberculosa sistêmica apresenta-se como uma doença esporádica que pode acometer cães e gatos de qualquer idade, gênero e raça. Já a forma não tuberculosa responsável pela paniculite micobacteriana acomete mais animais adultos.

O diagnóstico da doença e do agente causador é fundamental, uma vez que algumas espécies (ex.; M. bovis) apresentam potencial zoonótico, sendo uma questão importante de saúde pública.

Transmissão

A forma de transmissão varia de acordo com a espécie de micobactéria.
- Alimento contaminado

- Água contaminada

- Contato com solo contaminado

- Fômites

Manifestações clínicas

Os sinais clínicos variam com o tipo de infecção e agentes:

- Tosse 

- Dispneia

- Diarreia crônica 

- Nódulos cutâneos (podem ulcerar)

- Ânsia de vômito 

- Ptialismo 

- Linfadenomegalia

- Pirexia

- Depressão

- Anorexia 

- Emagrecimento 

Diagnóstico

Diagnóstico 

Associação entre anamnese detalhada e exames físico e complementares.

Exames que o(a) Médico(a) Veterinário(a) pode solicitar/ realizar:
- Hemograma completo

- Bioquímico

- Urinálise

- Radiografia abdominal

- Ultrassonografia abdominal

- Biópsia de lesões de pele

- Citológico por aspirado de agulha fina (CAAF)

- Cultura bacteriana

- Isolamento bacteriano

- Reação em cadeia da polimerase (PCR)

- Achados anatomopatológicos (post mortem- necropsia)

- Imuno-histoquímica

Observação: A realização e a definição de necessidade destes e outros exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

O tratamento de eleição para infecção por micobactérias é o uso de antibióticos específicos, mas outros medicamentos podem ser prescritos pelo(a) médico(a) veterinário(a) de acordo com o quadro do(a) paciente e as lesões apresentadas.

Prevenção

Como a forma de transmissão varia de acordo com a espécie de micobactéria, no geral, recomenda-se: isolamento dos animais doentes, não havendo troca de utensílios (potes, panos, camas etc) dos animais doentes para os sadios; não fornecer carne crua e de procedência duvidosa; não permitir que cães e gatos entrem em contato com carcaças de outros animais; fornecer água limpa e de boa qualidade diariamente: retirar as fezes todos os dias e higienizar o ambiente em que os animais ficam periodicamente, assim como os potes de ração e água; e evitar que animais tenham acesso livre à rua.

Referências Bibliográficas

FIRMINO, Millena O. et al. Micobactérias diagnosticadas em gatos domésticos no sertão da Paraíba. Pesq. Vet. Bras. vl.38, n.7, Rio de Janeiro, Jul/2018.

NELSON, R. W.; COUTO, C. G. Medicina Interna de Pequenos Animais. Ed. Elsevier, ed. 5, cap. 40, 2015. 

TILLEY, Larry P.; JUNIOR, F. W. K. S. Consulta Veterinária em cinco minutos: Espécies canina e felina. Ed. Manole, ed. 5, p. 656-657.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso