Tudo sobre: Infestação por Cochliomyia hominivorax (Callitroga hominivorax) - Bicheira

Introdução

As moscas do gênero Cochliomyia são também conhecidas como moscas varejeiras e podem ser um grande problema para a clínica de pequenos animais. Elas depositam seus ovos em feridas abertas ou cavidades mucosas de animais de sangue quente (humanos, cães e gatos) e quando seus ovos eclodem, as larvas começam a se alimentar do tecido do animal.

Enquanto elas se alimentam dos tecidos, provocam uma lesão (ferida) chamada de miíase ou popularmente “bicheira”. Larvas de outras espécies de moscas alimentam-se apenas do tecido que já está morto em uma ferida existente, porém as larvas de Cochliomyia hominivorax alimentam-se apenas do tecido vivo. Uma ferida, mesmo que limpa adequadamente, quando contaminada com essas larvas vai ter seu tamanho aumentado, impossibilitando a cicatrização. 

Uma mosca coloca cerca de 150 a 300 ovos no animal, depositando-os nas bordas de feridas. Lesões mesmo que pequenas como a picada de um carrapato ou pequenos machucados são suficientes para atrair a mosca para a postura dos ovos. Os ovos eclodem 12 horas após a postura e as larvas iniciam a ingestão do tecido vivo, liberando um odor fétido que atrai ainda mais fêmeas de mosca para a realização da postura.

As infestações por Cochliomyia são as mais frequentes e também são consideradas as formas mais graves de miíase, pois enquanto houver tecidos viáveis, as larvas continuarão crescendo e aumentando a área lesionada. A gravidade da ferida depende do local da postura; o animal fica inquieto, para de se alimentar e pode vir a óbito por hemorragia ou por infecções bacterianas secundárias. Aparentemente não há predisposição por raça, sexo ou idade.

Transmissão

-Feridas

Manifestações clínicas

Os sinais são variáveis de acordo com o local da miíase.

-Emagrecimento

-Caquexia

-Apatia

-Claudicação

-Anorexia

-Hemorragia

-Claudicação

-Dor

-Edema

-Gemidos

-Prurido

Diagnóstico

O diagnóstico é realizado através da visualização das larvas.

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário. 

Tratamento

O tratamento de miíases se baseia na remoção das larvas de forma manual com o auxílio de pinças. A limpeza da ferida deve ser realizada com a remoção dos pelos e tecidos mortos e realização de curativo que impossibilite a deposição de novos ovos. Possivelmente seja necessário a tranquilização ou sedação do animal para facilitar o cuidado com a ferida.

O tratamento com antibióticos e larvicidas no local pode ser necessário para controle de contaminações secundárias e o uso de repelentes para afastar insetos. O clínico poderá indicar um ectoparasiticida oral que pode ser utilizado como larvicida previamente à limpeza da miíase, sendo administrado 24 horas antes do procedimento para a retirada das larvas.

Prevenção

Para prevenir casos de miíase, é importante que o tutor sempre monitore se há feridas abertas em seu animal. A higiene do ambiente onde o paciente vive é essencial para evitar a proliferação e atração de moscas. Quando há um caso já instalado de miíase, deve ser feito o correto tratamento de feridas, com limpeza regular e utilização de repelentes. A observação com atenção dos animais pode possibilitar a identificação precoce de miíases, minimizando as dimensões da ferida. Assim que identificada a miíase, o tratamento deve ser realizado imediatamente, pois a evolução das larvas é bastante rápida e pode comprometer a saúde do animal.

Referências Bibliográficas

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Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso