Tudo sobre: Infestação por Rhipicephalus sanguineus

Introdução

A infestação por Rhipicephalus sanguineus é uma alteração parasitária que ocorre em cães, gatos e ocasionalmente humanos. Conhecido popularmente como carrapato marrom do cão ou carrapato dos canis, o Rhipicephalus sanguineus tem um ciclo de vida que requer que se alimente no hospedeiro em três momentos diferentes, utilizando preferencialmente os cães. É um parasita de distribuição mundial podendo ser encontrado nas Américas, Europa, África, Ásia e Austrália. Pode ocorrer em pets tanto em ambientes próximos a matas quanto em locais urbanos, uma vez que o carrapato é bem adaptado ao clima tropical do Brasil.

Este carrapato tem uma grande importância na saúde animal e pública, uma vez que pode veicular os agentes que causam febre maculosa e doença de Lyme nos humanos. Formas adultas do carrapato podem sobreviver por até 19 meses e larvas alimentadas por oito meses, portanto podem ser de difícil controle em situações de infestação.

Nos cães, os principais riscos infecciosos envolvidos na infestação por estes carrapatos seriam a transmissão da Anaplasmose, Babesiose e Erliquiose, doenças que podem induzir graves alterações clínicas devido ao seu parasitismo que provoca no organismo uma anemia e baixa de plaquetas (trombocitopenia) que pode ser intensa. Estas doenças, denominada genericamente como “doenças do carrapato” podem ocasionalmente atingir os gatos.

Além de doenças infecciosas, tanto cães quanto gatos parasitados podem desenvolver anemia e dermatites devido ao parasitismo por este carrapato. Estes parasitas podem estar em qualquer região do corpo, no entanto as regiões com que mais frequentemente se alojam são os membros anteriores, orelhas e entre os dedos.

Transmissão

- Rhipicephalus sanguineus (“Carrapato marrom do cão”).

Manifestações clínicas

- Prurido leve a intenso

- Eritema

- Pápulas

- Colarete epidérmico

- Alopecia

- Anemia

- Hiporexia

Diagnóstico

- Histórico de contato com carrapatos

- Identificação do carrapato Rhipicephalus sanguineus

- Citologia de pele

- Hemograma completo

- Bioquímica sérica

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário.

Tratamento

O tratamento da infestação por Rhipicephalus sanguineus nos cães envolve a quebra do ciclo de vida do parasita pelo uso de medicação oral ou tópica, associada a banhos ou remoção manual dos carrapatos. A depender do grau de infestação e desconforto do pet, bem como a presença de complicações por dermatites ou doenças veiculadas pelo carrapato, pode ser necessário o uso de anti-inflamatórios, anti-histamínicos, antibióticos ou pomadas.

Prevenção

A estratégia de controle dos carrapatos deve ter enfoque tanto no animal quanto no ambiente, pelo uso de carrapaticidas. O uso profilático de medicamentos antiparasitários é de grande importância no controle da infestação pelo carrapato do cão. Produtos orais ou tópicos têm uma excelente eficácia contra a infestação, pois quebram o ciclo do carrapato no ambiente, reduzindo a oportunidade de contato com o pet. Além disso, é importante utilizar aspirador de pó para limpeza de piso em frestas em locais com altas cargas do carrapato, bem como limpar casinhas de madeira, panos, camas, roupas e outros acessórios do pet com frequência para eliminar ovos, ninfas e formas adultas do parasitas.

Shampoos ou sabonetes antipulgas e anticarrapatos devem ser utilizados com cautela e somente sob recomendação profissional, pois estes podem conter substâncias que podem causar alergias ou ressecar a pele dos pets, no entanto é benéfico dar banhos periódicos com produtos próprios para animais a fim de remover sujidades.

Referências Bibliográficas

BECHARA, G. H. et al. Rhipicephalus sanguineus tick in Brazil: feeding and reproductive aspects under laboratorial conditions. In: Braz J Vet Parasitol, v. 4, n. 2, p. 61-66, 1995.

DANTAS-TORRES, F.; FIGUEREDO, L. A.; BRANDÃO-FILHO, S. P. Rhipicephalus sanguineus (Acari: Ixodidae), the brown dog tick, parasitizing humans in Brazil. In: Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 39, n. 1, p. 64-67, 2006.

DANTAS-TORRES, F. et al. Ticks on captive and free-living wild animals in northeastern Brazil. In: Experimental and Applied Acarology, v. 50, n. 2, p. 181, 2010.

LOULY, C., F, I., OLIVEIRA, V., & BORGES, L. Ocorrência de Rhipicephalus sanguineus em trabalhadores de clínicas veterinárias e canis, no município de Goiânia, GO. In: Ciência Animal Brasileira, 7(1), 103-106, 2006.

MONTEIRO, S. G. Parasitologia na medicina veterinária. São Paulo: Roca, p. 301-305, 2011

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso