Tudo sobre: Intoxicação por Ácido Acetilsalicílico

Introdução

O ácido acetilsalicílico (AAS) é um composto usado para tratar a dor, febre e inflamação em humanos, principalmente crianças, mais conhecido como a medicação Aspirina. Em pequenos animais, tem sua utilização bastante limitada e controversa, pois seus efeitos colaterais são mais evidentes do que os efeitos benéficos. Nos felinos, o problema é ainda maior devido ao lento processo de metabolização e eliminação do composto pelo organismo, pois os gatos não possuem uma enzima específica para isso e seus efeitos podem durar até 40 horas. 

O AAS inibe determinadas funções normais do organismo e como consequência, afeta principalmente o estômago podendo causar úlceras graves; fígado, cuja principal alteração é hepatite tóxica; o sistema circulatório, resultando em sangue pouco viscoso, menor coagulação e hemorragias, e o sistema nervoso, causando hiperexcitação e convulsões.

A medicação, que é amplamente usada também na cardiologia humana devido ao seu efeito de deixar o sangue menos viscoso, aumenta a chance de sangramentos. O sangue fica mais “fluido”, ou seja, perde a viscosidade e há um comprometimento no processo de coagulação. Mesmo pessoas que fazem o uso do fármaco precisam estar extremamente atentas às feridas e sangramentos intensos. 

Embora seja muito contraindicado, o AAS podem sim estar presente em algumas terapias instituídas para os pequenos animais, porém sempre com prescrição, orientação e supervisão de um(a) médico(a) veterinário(a). Seu uso indiscriminado em humanos causa diversos problemas, que são ainda mais graves nos cães e nos gatos.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Apatia

- Letargia

- Anorexia

- Epistaxe

- Sangramentos espontâneos diversos (boca, vagina, pênis, ouvido)

- Dor abdominal

- Êmese

- Taquicardia

- Hipertermia

- Coma

Diagnóstico

- Exame clínico associado ao histórico do paciente

- Ultrassonografia abdominal

- Endoscopia

- ALT-TGP

- Bilirrubinas (direta, total, indireta, frações)

- Fosfatase alcalina (FA)

- Gama GT

- Creatinofosquinase (CPK)

- Ureia

- Hemograma completo

- Coagulograma

Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

Não existe antídoto para este tipo de intoxicação, por isso o tratamento é realizado de acordo com os sinais apresentados e deve ser feita uma tentativa de desintoxicação por outros meios. Se a ingestão for recente, deve-se induzir o vômito para minimizar o absorção do composto ou realizar lavagem gástrica. A utilização de carvão ativado, responsável por absorver compostos tóxicos e auxiliar na sua eliminação sem que estes sejam absorvidos no trato gastrintestinal, também é recomendada. 

A terapia suporte pode variar, mas a utilização de medicamentos para proteção do fígado e do estômago são fundamentais. Os hepatoprotetores que auxiliam no metabolismo do fígado mais utilizados são a silimarina e o s-adenosil-l-metionina (SAMe). Gastroprotetores frequentemente prescritos nestes casos variam, sendo os mais comuns o omeprazol, ranitidina e sucralfato. Estes fármacos normalmente devem ser utilizados por pelo menos um mês, mesmo que o paciente não manifeste mais sintomas e devem ser prescritos por um(a) médico(a) veterinário(a). 

Casos graves de úlceras estomacais onde há perfuração devem receber o tratamento cirúrgico. 

As demais terapias são feitas à medida que as manifestações clínicas ocorrem: anticonvulsivos, reposição hidroeletrolítica com fluidos intravenosos, anti-hemorrágicos, antieméticos, analgésicos e suporte nutricional.

Prevenção

Não deixar medicamentos de uso humano ao alcance de animais no ambiente doméstico e não fornecer medicações, principalmente as de uso humano, para os cães e gatos sem a devida orientação médica veterinária.

Referências Bibliográficas

ANDRADE, S.F. Terapêutica Felina- Cuidado com o uso de drogas em gatos. Manual de Terapêutica Veterinária. 2002. 2ed. São Paulo: Roca. p.563-564.

SPINOSA, H.S. et al. Toxicologia dos medicamentos. Toxicologia aplicada à Medicina Veterinária. 2008. 1ed. São Paulo: Manole. p. 17-190. 

TILLLEY, P.L E SMITH, Jr. K. W. F. Consulta Veterinária em 5 minutos. Espécie Canina e Felina. 2003. 2ed. São Paulo: Manole. 1560p.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso