Tudo sobre: Intoxicação por etanol

Introdução

O etanol (também conhecido como álcool etílico) é produzido a partir da fermentação do açúcar ou pela hidratação do etileno. Pode ser encontrado em bebidas alcoólicas, desinfetantes, tintas, vernizes, combustíveis, anticongelantes, entre outros.

Na medicina veterinária de pequenos animais, são descritos casos de intoxicações por etanol devido à ingestão de bebidas alcóolicas, massas cruas de pão – as massas de pão são preparadas a partir de leveduras vivas (fermento biológico), as quais transformam açúcares em etanol e gás carbônico, quando o animal ingere a massa crua, o ambiente úmido e quente fornecido pelo estômago é ideal para multiplicação da levedura – e maçãs podres devido ao processo de fermentação no qual podem ser gerados etanol e gás carbônico.

Ao ocorrerem intoxicações por álcool etílico em animais, este é absorvido rapidamente pelo trato gastrointestinal de forma a causar intensa desidratação, provocando ressecamento da pele e tecidos. Além disso, leva à depressão do sistema nervoso central (pois é capaz de atravessar a barreira hematoencefálica, a qual protege o sistema nervoso central de substâncias tóxicas) e do sistema respiratório (o gás carbônico pode provocar distensão estomacal, pressionando o diafragma - músculo da respiração - e consequentemente gera dificuldades respiratórias). Além disso, o álcool pode atravessar a placenta, podendo levar a complicações fetais.

O principal uso do etanol na medicina veterinária é no tratamento de intoxicação por etilenoglicol (presente em anticongelantes) e, se administrado especialmente por via intravenosa, pode provocar depressão miocárdica (músculo do coração) grave e morte. Portanto, recomenda-se que nestes casos, o álcool etílico seja administrado lentamente em solução diluída.

Intoxicações graves já foram observadas em situações em que tutores(as) fornecerem bebidas alcoólicas como “brincadeira” aos seus pets, os quais não toleram álcool, mesmo que em pouca quantidade.

A gravidade dos sinais clínicos depende do estado de nutrição do animal, grau de repleção do estômago (ao promover a expansão estomacal, o gás carbônico pode diminuir o fluxo sanguíneo, lesionando a parede do estômago), velocidade de ingestão e quantidade ingerida.

A anamnese e o exame clínico são de grande importância para o diagnóstico. O histórico de ingestão de bebidas alcoólicas, anticongelantes, frutas podres ou massas de pão cruas são bastante indicativos da presença de intoxicação por etanol. A intoxicação provoca acidose metabólica, portanto pode ser interessante coletar sangue para monitorar fluidos e eletrólitos pela hemogasometria. É possível também determinar os níveis de etanol no sangue para confirmar o diagnóstico.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Ataxia

- Redução de reflexos

- Alterações de comportamento

- Excitação

- Depressão

- Náuseas

- Êmese

- Hipoglicemia (diminuição de glicose no sangue)

- Convulsão

- Sonolência

- Hipotermia

- Bradipneia

- Hipotensão

- Parada cardíaca

- Coma

- Morte

Diagnóstico

- Anamnese e exame clínico
- Hemogasometria
- Pesquisa e dosagem de etanol (confirmaçāo diagnóstica)


Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

A terapia deve ser instaurada rapidamente e se baseia na promoção de esvaziamento gástrico até a primeira hora após a ingestão; administração de glicose via intravenosa, nos casos de hipoglicemia; administração de frutose, pois esta acelera o metabolismo do álcool.

A indução de vômito não é indicada, pois devido a depressão do sistema nervoso central aumenta o risco de aspiração. O uso de carvão ativado também não é recomendado, pois não adsorve bem o etanol.

Caso ocorra acidose metabólica, é importante que seja tratada e monitorada. 

Prevenção

A prevenção é baseada principalmente de impedir que os pets tenham acesso a alimentos, bebidas e produtos que possam conter álcool etílico, como bebidas alcoólicas, frutas podres, desinfetantes e outros produtos químicos, massa de pão crua, entre outros.
É importante ressaltar que os animais são intolerantes às bebidas alcoólicas, mesmo que em pequenas quantidades, portanto estas nunca devem ser fornecidas a eles.

Referências Bibliográficas

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PETERSON, M.E.; TALCOTT, P.A. Small Animal Toxicology. 3ed. Saunders, 2012. 928p.

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