Tudo sobre: Intoxicação por Organofosforado e carbamato

Introdução

Organofosforados e Carbamatos são classes de pesticidas comumente associadas a casos de intoxicação aguda tanto em animais quanto em humanos, acidentais ou não. São altamente tóxicos e facilmente adquiridos por comporem produtos de uso agrícola, veterinário e doméstico. A quantidade de intoxicações provocadas por pesticidas é significativa na emergência veterinária. 

O uso de pesticidas tem por objetivo impedir a ação ou destruir, de forma direta ou indireta, organismos animais ou vegetais prejudiciais a uma determinada cultura ou criação, como ervas daninhas, roedores, fungos, ácaros e insetos. Porém, suas características químicas fazem com que sejam facilmente absorvidos pela via cutânea (contato), pela via oral (alimento ou água contaminados) ou pelas vias aéreas (inalação).

Organofosforados são um grupo de várias substâncias químicas derivadas do ácido fosfórico. São conhecidos também como inibidores da acetilcolinesterase, anticolinesterásico ou colinérgico de ação direta. Podem ser encontrados na forma de pós, granulados, líquidos, pastilhas, emulsões e aerossóis. São facilmente absorvidos através da pele íntegra por sua solubilidade em solventes orgânicos e lípides. 

Os carbamatos são derivados do ácido carbâmico e podem ser chamados de carbamatos heterocíclicos, aromáticos e naftalíticos, têm baixo poder residual (decompostos em até quatro dias), porém são bastante tóxicos. O mecanismo de ação é semelhante ao dos organofosforados, ocorrendo a inibição da acetilcolinesterase. Porém, nestes casos são reversíveis.

Vários fatores interferem na toxicidade dos organofosforados e carbamatos, ou seja, a dose letal depende de cada composto, espécie animal e condições da intoxicação. Acredita-se que felinos sejam mais sensíveis aos organofosforados do que cães de mesmo peso. O estresse provocado por fome, sede, calor, cansaço, mudanças bruscas de ambiente e existência de doença prévia pode potencializar os efeitos da intoxicação.

Vale ressaltar que algumas substâncias desses grupos, como o popularmente conhecido chumbinho, são proibidos de serem comercializados. No entanto, é comum a venda expressiva de forma clandestina e o uso ilegal como raticida doméstico e no extermínio criminoso de animais de companhia. Esta substância em específico é extremamente tóxica e pode levar o paciente a óbito em poucos minutos após a exposição oral.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

- Hipotensão

- Miose

- Bradicardia

- Cianose

- Apatia

- Broncoespasmo

- Bradipneia

- Anorexia

- Sialorreia

- Êmese

- Diarreia

- Tosse

- Corrimento nasal

- Dispneia

- Hipertensão

- Dor

- Fraqueza

- Excitação

- Ataxia

- Letargia

- Arreflexia

- Convulsão

- Coma

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais. 

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

- Dosagem de colinesterase

- Biópsia

- Análise de líquidos cavitários

- Ultrassonografia torácica

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

O tratamento de intoxicações com organofosforados e carbamatos baseia-se no uso de antagonistas, a partir da descoberta da substância causadora e terapia de suporte.

Se a suspeita for absorção pela pele, o paciente deve ser lavado para promover a descontaminação cutânea. Nos casos de intoxicação oral, a lavagem estomacal com água bicarbonatada e suspensão de carvão ativado pode ser recomendada. A lavagem estomacal só pode ser realizada pelo(a) médico(a) veterinário(a) responsável, após a avaliação criteriosa, num ambiente hospitalar equipado para o procedimento.

A internação é necessária para proporcionar ao paciente a monitoração constante, um ambiente tranquilo em que possa repousar, com acesso a assistência respiratória caso seja necessário, fluidoterapia e antibioticoterapia a depender do caso.

Prevenção

A prevenção mais eficaz para intoxicações com produtos químicos em geral é evitar o acesso dos animais a eles. Além disso, pesticidas e praguicidas só devem ser usados com recomendação profissional, com produtos permitidos por lei, com fabricantes registrados e o manuseio deve ser restrito a pessoas qualificadas, devidamente protegidas com equipamentos de proteção individual.

Como falado anteriormente, essas substâncias são altamente tóxicas e podem prejudicar gravemente a saúde do ser humano e dos animais de companhia. Em caso de suspeita de intoxicação, tanto humana quanto animal, deve-se procurar o atendimento médico emergencial imediatamente e, se possível, levar a embalagem da substância química para facilitar o diagnóstico e acelerar o início da terapia. Atrasos podem significar prejuízos permanentes e até fatais ao paciente.

Referências bibliográficas

MELO, M. M. et al. Intoxicações causadas por pesticidas em cães e gatos. Parte I Organoclorados, organofosforados, carbamatos e piretróides. Rev. educo contin. CRMV-SP. São Paulo, volume 5, fascículo 2, p. 188 - 195, 2002

XAVIER, F. G. et al. Toxicologia do praguicida aldicarb (“chumbinho”): aspectos gerais, clínicos e terapêuticos em cães e gatos. Ciência Rural, Santa Maria, v.37, n.4, p.1206-1211, jul-ago, 2007

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso