Tudo sobre: Intoxicação por Paracetamol

Introdução

Segundo estatísticas do SINITOX - FIOCRUZ, os medicamentos são a principal causa de intoxicação em seres humanos no Brasil desde 1994. Nos animais há uma casuística relativamente alta considerando que este tipo de intoxicação está em entre os primeiros lugares. Os medicamentos, em especial os anti-inflamatórios não esteroidais (AINES), estão entre as principais causas de intoxicação em cães e gatos.

Medicamentos comumente utilizados por pessoas, mesmo em crianças, podem causar sérios danos à saúde dos animais por causa das diferenças metabólicas entre humanos e animais. Diclofenaco, paracetamol e outros anti-inflamatórios são os que mais comumente são administrados por tutores na tentativa de ajudar e que acabam piorando a situação do pet.

Paracetamol é o analgésico/ antipirético mais utilizado em medicina humana e está frequentemente envolvido no envenenamento de cães e gatos. Em cães, o órgão alvo pela toxicidade do paracetamol é o fígado. Os cães possuem deficiência na enzima que realiza uma conjugação importante para a eliminação de compostos tóxicos, resultando no acúmulo de metabólitos - o que leva a danos hepáticos, alteração de funções proteicas, conversão de hemoglobina em metahemoglobina e formação de corpúsculos de Heinz. 

Os gatos apresentam deficiência na biotransformação do paracetamol e, por isso, mesmo pequenas doses do fármaco podem provocar sinais de intoxicação.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

  • Náuseas
  • Vômitos
  • Anorexia
  • Dor abdominal
  • Taquipneia
  • Taquicardia
  • Icterícia
  • Morte
  • Cianose
  • Depressão
  • Edema de face e membros
  • Hipotermia 
  • Hematúria

Diagnóstico

Histórico associado aos sinais clínicos

  • Hemograma
  • Bioquímico
  • Urinálise
  • Radiografía de tórax
  • Biópsia e histopatológico do fígado
  • Dosagem dos níveis plasmáticos de paracetamol

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário.

Tratamento

O tratamento dessa intoxicação consiste na estabilização do paciente com fluidoterapia, carvão ativado e oxigenoterapia. A N-acetilcisteína deve ser utilizada na maioria dos casos, pois facilita a eliminação e diminui os danos causados pelos metabólitos do fármaco, promove a dilatação dos vasos hepáticos, melhorando o fluxo sanguíneo e reduzindo a lesão hepática.

Prevenção

Não administrar nenhuma medicação antes de passar por atendimento médico veterinário. 

Referências Bibliográficas

CONCEIÇÃO, J.L.S. Intoxicação Domiciliar em cães e gatos. Revista Uningá Review, vol.24, n.2, p.59-62, 2015.

DORIGON, O. Intoxicação por Paracetamol em Gatos. Revista de Ciências Agroveterinárias, v.12, n.1, 2013.

DE NARDI, G. Intoxicação por Paracetamol em cão: Relato de caso. Ciência e Inovação: Desafios e Perspectivas para o futuro. SIEPE 2019.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso