Tudo sobre: Intoxicação por plantas

Introdução

A intoxicação é uma condição comum na clínica de pequenos animais, podendo ocorrer por diversas causas, dentre elas podemos citar a intoxicação pela ingestão de plantas tóxicas. A intoxicação por plantas é mais frequente em cães filhotes e gatos que, por curiosidade ou devido à coceira causada pelos dentes em erupção, ingerem o bulbo, as folhas e/ ou o caule de plantas que, caso sejam tóxicas, podem levar a diversas alterações no organismo.

O animal pode ter acesso às plantas consideradas tóxicas na rua, terrenos baldios, bosques, áreas agrárias ou até mesmo dentro de casa. Fatores que podem estar diretamente relacionados à ingestão de plantas ou objetos são: mudanças no ambiente, falta de interação entre tutor(a) e animal e tédio.

As plantas mais relatadas em casos de intoxicações em cães e gatos são plantas ornamentais: comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia sp.), espada-de-são-jorge (Sansevieria trifasciata), lírio-da-paz (Spathiphyllum wallisii), azaléia (Rhododendron spp.), prímula (Primula sp.), hortênsia (Hydrangea macrophylla),palma-de-ramos (Cycas revoluta), bico-de-papagaio (Euphorbia pulcherrima), copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica), costela-de-Adão (Monstera deliciosa), mamona (Ricinus communis), cinamomo (Melia azedarach), espirradeira (Nerium oleander, cartucheira (Brugmansia suaveolens, alamanda (Allamanda cathartica), jiboia (Scindapsus aureus) e cannabis (maconha)

No geral, essas plantas possuem substâncias que causam alterações graves na respiração, deambulação e consciência do animal, onde os sinais clínicos estão diretamente ligados ao tipo de substância tóxica presente na planta, a quantidade ingerida e a precocidade do atendimento desse animal. 

Transmissão

-Não se aplica 

Manifestações clínicas

  • Salivação excessiva
  • Convulsões
  • Êmese
  • Dor abdominal
  • Edemas
  • Distúrbios digestivos
  • Alterações cardíacas
  • Ataxia
  • Dispneia
  • Paralisias
  • Coma
  • Dilatação da pupila
  • Cegueira 
  • Desorientação
  • Tremores
  • Icterícia
  • Óbito

Diagnóstico

Associação entre anamnese, exames físico e complementares. Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar/ realizar:

  • Hemograma
  • Bioquímico - função renal
  • Bioquímica - função hepática
  • Histopatológico (Post mortem)

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico Veterinário(a). 

Tratamento

O tratamento das intoxicações consiste, no geral, em administração de carvão ativado, fluidoterapia, analgésicos, anti-inflamatórios, medicações antioxidantes, e drogas que corrijam bradicardia, caso seja necessário. 

Na maioria dos casos, se o(a) paciente não tem morte súbita após a ingestão da planta contendo substâncias tóxicas, é indicada a internação para melhor acompanhamento, lembrando que mesmo com a realização correta do tratamento o quadro pode evoluir e resultar em óbito dependendo do quadro clínico.

Prevenção

Evitar que os animais tenham acesso às plantas consideradas tóxicas e durante os passeios. O responsável deve observar atentamente se o animal ingere alguma planta. 

Recomenda-se o enriquecimento ambiental (ex.: brinquedos) para gastar a energia e distrair os animais, principalmente aqueles que permanecem longos períodos sozinhos. 

Referências Bibliográficas


COSTA, T. N. Alterações hematológicas e bioquímicas séricas nas intoxicações de cães, gatos e ruminantes por plantas. Universidade Federal do Goiás, 2011.

GASPARI, R. Intoxicação por Cycas revoluta como causa de hepatopatia crônica em cães. Universidade Federal de Santa Maria, 2013.

RIBOLDI, E. O. Intoxicações em pequenos animais: uma revisão. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2010.

SILVEIRA, E. As plantas da sua casa que podem ser tóxicas para os animais de estimação. Jornal BBC News Brasil, 2018. 

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso