Tudo sobre: Laringite

Introdução

A laringe é um órgão do sistema respiratório composto por membranas e cartilagens situada entre a faringe e a traqueia, onde localizam-se as cordas vocais. Ela funciona como uma válvula que impede a passagem de ar durante a deglutição e também impede a passagem de partículas alimentares ou líquidos para a via respiratória. A laringite é o nome que se dá a qualquer processo inflamatório neste órgão, pode ser uma doença isolada ou um dos sintomas de uma doença infecciosa sistêmica.

É bastante frequente em cães e gatos e pode aparecer na forma aguda ou crônica. A forma aguda geralmente está associada a processos infecciosos, comuns em épocas frias e secas (outono/ inverno) como a Traqueobronquite infecciosa canina (tosse dos canis) e o Complexo Respiratório Felino. A forma crônica, por sua vez, relaciona-se a injúrias constantes, como os hábitos de latir constantemente e ficar “se enforcando” na coleira ou devido ao refluxo gastroesofágico grave. 

A irritação permanente pode levar à fibrose das pregas vocais e calcificação da laringe, promovendo algumas sequelas como voz áspera e tosse recidivante. Em casos graves, há comprometimento dos nervos laríngeos causando a paralisia de laringe e consequente obstrução da passagem de ar.

Pode acometer animais de qualquer idade, porte, sexo ou raça.

Transmissão

- Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

  • Tosse
  • Dispneia
  • Rouquidão
  • Afonia
  • Disfagia
  • Intolerância ao exercício
  • Engasgos
  • Perda da voz
  • Dor
  • Desmaio
  • Edema

Observação: picadas de insetos podem resultar em edema grave da laringe, levando à dispneia e risco de morte.

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

  • Radiografia simples 
  • Radiografia contrastada
  • Laringoscopia
  • Biópsia
  • Hemograma completo

Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

A escolha do tratamento ficará a critério do(a) médico(a) veterinário(a) e varia de acordo com a causa de base, assim como em relação à gravidade da inflamação. Mas geralmente usa-se medicamentos anti-inflamatórios esteroidais para diminuir o edema e reduzir o processo inflamatório e, caso haja necessidade, antibióticos de amplo espectro para controlar possíveis infecções bacterianas. Nos casos que envolvem obstrução severa ou paralisia de laringe, a intervenção cirúrgica poderá ser necessária.

Em alguns casos, pode ser recomendada a alteração da alimentação para rações de textura mais pastosa, pelo menos durante a realização do tratamento, para facilitar a passagem do alimento no local lesionado.

Embora a ingestão de água possa provocar tosse e vômitos, é indicada a administração de água oralmente várias vezes ao dia, uma vez que ativa as glândulas que umedecem a mucosa da laringe, reduzindo a inflamação. 

Prevenção

Para prevenir casos de laringite é importante evitar situações que possam lesionar a laringe, como por exemplo, o acesso e a ingestão de corpos estranhos (perfuro-cortantes, principalmente), produtos de limpeza e químicos em geral. Fornecer um ambiente rico em estímulos ajuda o animal a se ocupar e não ingerir objetos não comestíveis, que podem machucar faringe e laringe. 

Evitar quedas, brigas ou traumas que possam lesionar a região do pescoço (como o uso constante ou incorreto de enforcadores). Evitar aglomerações de animais, principalmente em locais fechados e em épocas frias, pois essas situações favorecem a transmissão de microorganismos infecciosos causadores de doenças respiratórias.

Manter sempre as consultas, vacinas e vermífugos em dia. O acompanhamento periódico com o(a) médico(a) veterinário(a) garante que seu animal esteja amparado e facilita o diagnóstico precoce caso haja alguma enfermidade. A prevenção de doenças infecciosas respiratórias por meio da vacinação é uma das formas de evitar agressões à laringe. Além disso, recomenda-se cuidados básicos para o bem-estar e saúde dos pets, como fornecimento de uma alimentação equilibrada, balanceada e de boa qualidade para que não haja excessos ou faltas para o animal, água fresca e limpa à vontade e ambiente limpo com espaço adequado. 

Ao notar mudanças repentinas de comportamento ou aparecimento de sinais clínicos intensos no pet, como dificuldade para engolir ou respirar, o(a) tutor(a) deve procurar ajuda o mais rápido possível. A laringite não tratada pode culminar em paralisia de laringe que provoca a obstrução das vias aéreas e, consequentemente, angústia respiratória, podendo levar o animal a óbito se não for encaminhado ao atendimento médico veterinário imediatamente.

Referências Bibliográficas

ANDRADE NETO, João Pedro de. Doenças da Laringe. In: JERICÓ, Márcia Marques; KOGIKA, Márcia Mery; ANDRADE NETO, João Pedro de. Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos. Rio de Janeiro: Roca, 2015. Cap. 147. p. 2970-2973.

HAWKINS, E.C. Distúrbios do Sistema Respiratório. In: NELSON, R. W.; COUTO, C. G. Medicina Interna de Pequenos Animais. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. cap 18, p. 241-245.

KRUGER, R. M. Tosse em cães: fisiopatologia, doenças associadas e métodos diagnósticos. Monografia (especialização) - Programa de Residência Médico Veterinária, Área de Concentração de Clínica de Pequenos Animais, da Universidade de Santa Maria. Santa Maria, 2010

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso