Tudo sobre: Leiomioma em Cadelas

Introdução

Leiomioma é uma neoplasia benigna de origem mesenquimal de músculo liso e, por esse motivo, já foi descrita em diversos órgãos: traqueia, esôfago, estômago, reto, rim, vasos sanguíneos, bexiga, útero, vagina, entre outros. Não possui comportamento invasivo, não promove metástases e apresenta crescimento lento.

Ocorrem em maior frequência no trato genital/ reprodutor de cadelas de meia idade a idosas, entre cinco e 15 anos, formando nódulos solitários ou numerosos. Tais nódulos desenvolvem-se mais frequentemente em vulva e vagina, mais raramente nos ovários e no útero. Inúmeros relatos descrevem a ocorrência em cāes sem raça definida, porém entre os animais com raça determinada, Boxers e Poodles parecem ter maior prevalência.

Alguns estudos demonstram que a desregulação hormonal em cadelas não castradas pode favorecer o aparecimento desta neoplasia devido à associação com o estímulo crônico do estrogênio. Essa desregulação pode acarretar ainda, simultaneamente ou não, alterações ovarianas, uterinas e mamárias como: hiperplasia endometrial cística, cistos ovarianos e tumores de glândula mamária.

O crescimento de nódulos, mesmo benignos, no aparelho reprodutivo pode dificultar a cópula, a fertilização e desenvolvimento embrionário/ fetal e pode, inclusive, resultar em distocia no parto. Além disso, dependendo do tamanho do nódulo, pode comprometer outros órgãos e vasos por alterações compressivas.

O leiomioma pode se tornar um problema grave para o animal, porque pode permanecer despercebido – devido ao seu desenvolvimento lento - durante um longo período pela ausência ou manifestação tardia dos sinais clínicos, comprometendo e atrasando o diagnóstico correto e a instituição da terapia específica e adequada.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

- Edema

- Desidratação

- Disúria

- Poliúria

- Polidipsia

- Polaciúria

- Tenesmo

- Dor

- Corrimento vaginal (sanguinolento ou purulento)

- Hiporexia

- Hematúria

- Incontinência urinária

- Anorexia

- Apatia

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

- Radiografia simples abdominal

- Ultrassonografia abdominal

- Biópsia

- Citologia – PAAF ou Imprint

- Histopatológico com Coloração de Rotina

- Histopatológico com coloração Especial

- Imunohistoquímica para Neoplasia (painel geral)

- Hemograma Completo

- ALT – TGP

- AST – TGO

- Albumina

- Creatinina

- Ureia

- Fosfatase Alcalina (F.A.)

- Urinálise simples

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

A maioria dos tumores pode ser removida com ressecção local juntamente com a ovariosalpingohisterectomia (castração) e o prognóstico é considerado bom, devido ao caráter benigno da neoplasia. Dessa forma, a cirurgia tem efeito curativo. 

O(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar exames pré-operatórios para certificar-se da aptidão da paciente para o protocolo anestésico e para o procedimento cirúrgico. O profissional ainda pode receitar anti-inflamatórios, analgésicos e antibióticos como terapia pós-operatória. O(a) tutor(a) deve seguir fielmente as recomendações de cuidados na ferida cirúrgica e da administração dos medicamentos, visando a melhor recuperação da paciente.

Prevenção

Como há evidências que essa neoplasia acontece mais em cadelas não castradas, uma forma de evitar a doença é a castração preventiva. A castração na fêmea pode ser realizada antes mesmo do primeiro cio e traz inúmeros benefícios tanto para o animal quanto para o(a) responsável. Isso porque a castração reduz significativamente as chances da paciente desenvolver diversos tipos de neoplasia em ovários, útero, vagina e glândulas mamárias. Além disso, extingue cruzamentos ao acaso, evitando gestações indesejadas e o nascimento de filhotes que não terão lar garantido. 

No decorrer da vida clínica do animal, o(a) tutor(a) deve ser orientado sobre a possibilidade de desenvolvimento de neoplasias, principalmente quando o paciente atingir idades mais avançadas. Ele(a) deve estar atento a quaisquer mudanças comportamentais e físicas de seus animais e levá-los para check up semestral ou anual de acordo com a orientação veterinária.

Referências Bibliográficas

BOELONI, J. N. et al. Leiomioma ovariano, tumor de células da granulosa e ovário policístico em cadela: uma rara associação. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.65, n.5, p.1577-1580, 2013

FREITAS, D. B. A. et al. Leiomioma Uterino em Cão – relato de caso. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, Unipampa, v. 5, n. 5. 2013.

LIMA, G. L.; ANDREUSSI, P. A. T. Leiomioma vaginal e uterino em cadelas: Relato de caso. PUBVET. v.13, n.3, a294, p.1-5, Mar., 2019
STURION, D. J. et al. Piometra associada a leiomioma uterino em cadela – relato de dois casos. Ciência Animal 21(1):30-34, 2011

TEIXEIRA, L. et al. Diferenciação histopatológica e imunoistoquímica de leiomiomas e fibromas vaginais em cadelas. Bol. Med. vet. – Espírito Santo do Pinhal, v.2, n.2, p.3-14, jan./dez. 2006.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso