Tudo sobre: Linfedema

Introdução

O sistema linfático é uma rede complexa de órgãos linfóides, linfonodos, ductos linfáticos, tecidos linfáticos, capilares linfáticos e vasos linfáticos que produzem e transportam o fluido linfático (linfa) dos tecidos para o sistema circulatório, ou seja, é constituído por uma vasta rede de vasos semelhantes às veias, que se distribuem por todo o corpo e recolhem o líquido de tecidos, filtrando-o e reconduzindo-o à circulação sanguínea. Linfedema ou edema linfático corresponde a um distúrbio deste sistema, gerando acúmulo de líquido em determinados espaços corpóreos. Em cães e gatos, os locais mais comuns de aparecimento desta afecção são os membros, que se manifesta normalmente como um aumento de volume indolor nas extremidades, conferindo um aspecto de inchaço. 

A falha na drenagem linfática pode ocorrer em consequência de anomalias congênitas ou obstrução adquirida. Na forma congênita, o animal pode apresentar o problema desde os quatro meses de idade e muitas vezes o que ocorre é a ausência de linfonodos. Trata-se de uma doença hereditária, que passa dos pais portadores para a ninhada e é mais comum em cães do que em gatos. 

Algumas raças que podem apresentar maior predisposição ao linfedema congênito são Rottweiler, Pastor Alemão, Buldogue Inglês e Poodle. Como causas do linfedema secundário existem doenças inflamatórias, cardíacas, infecciosas, neoplásicas e os traumatismos, que cursam com bloqueio na passagem normal da linfa, que tende a ficar presa nas regiões de extremidades, como os membros. O linfedema também pode surgir como complicação de alguns procedimentos cirúrgicos. 

A presença do líquido retido pode levar a problemas mais graves como infecção secundária e fibrose. Esta fibrose endurece os tecidos próximos, causando o fibroedema. Essa rigidez crônica dos tecidos pode predispor ao surgimento de neoplasias malignas no local, principalmente o fibrossarcoma e o linfangiossarcoma.

Transmissão

Forma primária:

- Hereditária

- Congênita

Manifestações clínicas

- Edema nas extremidades (início)

- Edema nos membros

- Claudicação

- Rigidez dos tecidos no local onde há o inchaço

Diagnóstico

- Exame clínico associado ao histórico do paciente

- Ultrassonografia

- Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF)

- Citologia do líquido

- Teste do azul de metileno (avaliação da drenagem linfática)

 Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

Os recursos terapêuticos para os casos de linfedema congênito são escassos. Enquanto o problema não afeta a qualidade de vida do paciente, o ideal é monitorar para evitar evolução ruim do quadro, com infecções secundárias e maior comprometimento do local afetado. 

Se a doença evoluir e gerar sinais dolorosos e outros problemas incompatíveis com a qualidade de vida do animal, muitas vezes pode ser necessária amputação do membro acometido. É necessário tratar qualquer evento secundário que ocorra como feridas de pele e infecções. Nos casos mais raros onde o linfedema não ocorre nos membros, o tratamento cirúrgico é muitas vezes inviável. 

No edema linfático secundário, a resolução só ocorre após tratamento da causa primária: ressecção de tumores, terapia para cardiopatias, controle de infecções e processos inflamatórios, cicatrização de feridas, entre outros. Ainda assim, se o edema se tornar crônico, mesmo após terapia eficiente e controle da causa base, as lesões locais podem se tornar irreversíveis.

Tanto para os casos adquiridos quanto para a forma congênita, alguns manejos podem ser instituídos na tentativa de dar conforto para o paciente e impedir a progressão da doença como compressas frias, massagens, utilização de produtos tópicos como anti-inflamatórios, drenagem linfática cirúrgica e bandagens. Os pacientes não devem ser submetidos a exercícios físicos intensos.

Prevenção

Não se deve reproduzir os animais portadores da forma congênita. Para evitar o aparecimento de edema linfático secundário, é preciso prevenir, na verdade, as doenças que levam a este problema.

Referências Bibliográficas

FOSSUM, T. W. et al. Lymphedema: Clinical Signs, Diagnosis, and Treatment. Journal of Veterinary Internal Medicine. v.6, n 6, p.112-125, 1992.

JACOBSEN, J. O. G. e Egge, C. Primary lymphoedema in a kitten: case reports. Journal of small animal practice. v.38, n.1, p.18-20, 1997.

RASKIN, R.E. Sistema Linfoide. In: Raskin, R.E. e Meyer, D.J. Citologia clínica de cães e gatos: atlas colorido e guia de interpretação. 2011. Rio de Janeiro: Elsevier, p.77-104.

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