Tudo sobre: Má Oclusão Dentária

Introdução

A má oclusão dentária consiste no posicionamento incorreto dos dentes, desencadeando um alinhamento imperfeito dos mesmos que impossibilita o encaixe entre a maxila e a mandíbula. Dependendo do grau de má oclusão, podem ocorrer dores e dificuldade em se alimentar, desgaste dentário excessivo, fraturas, doença endodôntica, além de lesões na mucosa oral, na língua e no palato.

A casuística é frequente em roedores e lagomorfos, uma vez que estes apresentam crescimento contínuo dos dentes e, por isso, têm a necessidade constante de roer. A falta de desgaste natural dos dentes ocorre devido a causas genéticas, processos inflamatórios, fraturas, alimentação inadequada, entre outros fatores, ocasionando a má oclusão, além de lesões orais e incapacidade em se alimentar. Quando a causa é de origem genética, recomenda-se que não se faça a reprodução do animal, já que a condição apresenta-se de maneira hereditária.

Ao se tratar de cães e gatos, existem diversas classificações para a má oclusão de acordo com o posicionamento dos dentes. Isto porque, nestes animais, o acometimento ocorre devido à posição incorreta dos dentes, normalmente quando os permanentes nascem. Já em roedores e lagomorfos, a má oclusão ocorre pelo crescimento excessivo dos dentes e/ ou pelo desgaste ineficiente dos mesmos, por diversas causas já mencionadas acima. Entre elas, as mais significantes são: manejo nutricional inadequado - quando não é fornecida alimentação que contribua para o desgaste correto; genética - repassada por caráter hereditário.

Transmissão

Não se aplica, pois a má oclusão não é passada de um animal a outro, exceto em caráter hereditário no caso de roedores.

Manifestações clínicas

-Sialorreia

-Anorexia

-Hiporexia

-Dor

-Disfagia

-Abscessos

-Lesões na mucosa oral, palato e língua

-Gengivite

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e anamnese.

Exames que o médico veterinário pode solicitar:

-Radiografia da cavidade oral

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário. 

Tratamento

O tratamento odontológico para pets existe há mais de 20 anos no Brasil. Apesar disso, a maioria dos tutores não sabe que as técnicas vão além da limpeza de tártaro que, em cães e gatos, é um excelente método profilático para outras complicações e garante a saúde bucal. O uso de aparelhos odontológicos já é amplamente utilizado e com sucesso nos casos de posicionamento incorreto dos dentes que desencadeiam, entre outras patologias, a má oclusão. Após um exame físico detalhado da cavidade oral e, se necessário, a realização de raio x para excluir complicações nas raízes dos dentes, o Médico Veterinário irá determinar a necessidade ou não da ortodontia. Em alguns casos, pode ser necessária a realização da exodontia, que consiste na extração do(s) dente(s) acometido(s).

Já em caso de roedores e lagomorfos, o tratamento consiste no desgaste dentário realizado com equipamento próprio, após prévia sedação. Com isso, as margens normais são restituídas para o tamanho e ângulo que permitam a oclusão normal. Assim, a simples correção desta anormalidade permite que o animal volte a se alimentar e retome sua qualidade de vida. Em casos em que o crescimento anormal e excessivo dos incisivos é crônico, recomenda-se a extração dos mesmos. O Médico Veterinário irá determinar o melhor manejo pós-operatório, de acordo com o animal e seu caso clínico sendo indicado, geralmente, anti-inflamatórios e analgésicos, além de alimentação mais pastosa na primeira semana.

Os procedimentos odontológicos em geral, são seguros e não oferecem riscos aos pacientes, desde que realizados e avaliados por profissionais capacitados.

Prevenção

Em roedores e lagomorfos, a medida profilática baseia-se na observação frequente do crescimento dos dentes, além da alimentação correta baseada em alimentos que auxiliem no desgaste dentário natural.

Em cães e gatos, a profilaxia também diz respeito à observação da cavidade oral, do correto posicionamento dos dentes e da oclusão correta da mandíbula com a maxila. A dificuldade em se alimentar ou mesmo a redução na alimentação são indicativos, tanto em cães e gatos quanto em roedores e lagomorfos, de que existe algum acometimento oral.

O acompanhamento regular feito pelo Médico Veterinário também é de suma importância para prevenir ou tratar afecções odontológicas de forma precoce.

Referências Bibliográficas


CORRÊA, H. L; FECCHIO, R. S. Odontoestomatologia em Roedores e Lagomorfos. In: CUBAS, Z. S; SILVA, J. C. R; CATÃO-DIAS; J. L. Tratado de animais selvagens. 2ª ed. São Paulo: Roca, 2014. p. 2042-2055.

TEIXEIRA, V. N. Rodentia – Roedores Exóticos (Rato, Camundongo, Hamster, Gerbilo, Porquinho-da-Índia e Chinchila). In: CUBAS, Z. S; SILVA, J. C. R; CATÃO-DIAS; J. L. Tratado de animais selvagens. 2ª ed. São Paulo: Roca, 2014. p. 1169-1208.

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