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Introdução

As neoplasias são classificadas basicamente em malignas e benignas, de acordo com as diferentes características bioquímicas, morfológicas e funcionais. Apesar das benignas causarem alteração tecidual direta, não resultam em elevada mortalidade. Em contrapartida, as malignas causam maior destruição no tecido e geralmente levam o animal a óbito.

A etiologia das neoplasias que afetam a cavidade oral não está totalmente elucidada. Acredita-se que esteja dividida em fatores ambientais (exógenos) e fatores internos (endógenos). Os ambientais incluem a radiação ionizante, carcinógenos químicos (pesticidas, herbicidas, inseticidas), luz solar e traumatismos; já os internos incluem as infecções crônicas, viroses, implantes metálicos, fatores hormonais e genéticos. Não há informações disponíveis na literatura quanto aos efeitos dos hábitos alimentares dos animais na incidência dessa afecção.

A migração e infiltração de células malignas em tecidos adjacentes podem causar metástase, via corrente sanguínea, dando origem a novos focos tumorais. O pulmão é o local mais comumente afetado, porém a maioria das neoplasias orais não causa metástase neste órgão, nem em linfonodos cervicais, com exceção do melanoma.

Dentre as neoplasias malignas orais em cães, a mais frequente é o melanoma, seguido do carcinoma de células escamosas e fibrossarcoma. A neoplasia benigna odontogênica mais observada é o epúlide e a não odontogênica é o fibroma. Em felinos, os carcinomas de células escamosas são os mais comuns, representando 75% das neoplasias malignas.

A evolução clínica das neoplasias orais é dividida em fulminante (quando o aparecimento é súbito, com rápida fase de crescimento), progressiva (contínua piora da doença), estável (quando a neoplasia estabiliza-se em fase de crescimento, sem progressão, com exibição de sintomas) e quiescente (quando em algum estágio os sinais clínicos são imperceptíveis). Quando se consideram tumores orais, os cães machos são mais afetados do que as fêmeas. 

As raças caninas mais predispostas às neoplasias orais são o Pointer, Weimaraner, Boxer, Poodle, Chow Chow, Golden Retriever e Cocker Spaniel. Normalmente, se originam em cães e gatos de idade média a avançada, porém não são raros os acometimentos em jovens.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Aumento do volume oral com contorno facial alterado

- Hemorragia local

- Dor ao abrir a boca

- Mal hálito

- Sialorreia intensa

- Diminuição ou ausência de apetite

- Perda de dentes

- Tosse

- Descarga nasal

- Anorexia

- Perda de peso

- Fraturas patológicas 

Diagnóstico

-Histórico e inspeção da cavidade oral (realizado por médico veterinário)

-Radiografia de crânio

-Radiografia intra-oral

-Radiografia torácica

-Citologia

-Histopatologia

-Tomografia computadorizada

-Ressonância magnética

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário. 

Tratamento

O objetivo da terapia neoplásica oral deve ser a eliminação do tecido afetado enquanto se preserva a função e, se for possível, a aparência estética da cavidade oral. Há diversas modalidades terapêuticas em cães e gatos (realizadas isoladas ou associadas entre si), como a excisão cirúrgica, quimioterapia sistêmica e/ ou intralesional, radioterapia, criocirurgia e imunoterapia, sendo a cirúrgica a mais utilizada e com melhores resultados.

Para que o prognóstico seja favorável, isto é, a probabilidade de recidiva tumoral seja menor, faz-se necessário a ressecção cirúrgica com ampla margem de segurança, o que pode englobar tecido ósseo, dentes, lábios e globo ocular.

As complicações associadas ao pós-operatório de ressecção maxilar ou mandibular incluem anorexia, tração da porção contralateral à ressecção cirúrgica, projeção da língua, dificuldade de apreensão de alimentos, úlcera palatina por má oclusão (alinhamento anormal dos dentes), deiscência da ferida cirúrgica (separação das camadas de uma ferida cirúrgica), infecção, fístula oronasal (comunicação anormal entre a cavidade nasal e oral), epistaxe, distúrbios nos ductos de glândulas salivares e salivação excessiva.

Prevenção

Para a prevenção da doença é necessário que seja realizada a higienização da cavidade oral dos animais por meio da escovação dos dentes e, se possivel, língua e mucosas. Esse manejo permite que seja feita a inspeção da cavidade oral pelos tutores, que caso percebam qualquer alteração devem procurar auxílio de um médico veterinário.

Referências Bibliográficas

DIAS, F;G;G. Neoplasias orais nos animais de companhia. Revista científica eletrônica de medicina veterinária. Ano XI, n.20, 2013.

FOSSUM, T; W.. Cirurgia de pequenos animais. 4° edição, p.1323-1345, 2014.

LOBPRISE, H;B. Odontologia em pequenos animais- consulta em 5 minutos, p. 243-272, 2010.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso