Tudo sobre: Mediastinite

Introdução

O mediastino é o espaço entre dois sacos pleurais e possui diversos recessos e pregas - conjuntos de tecidos. Não é um espaço fechado, porque comunica-se com o pescoço, o espaço retroperitonial e o interstício do pulmão. Divide-se em três áreas: cranial (pré-cardíaca), medial (pericardíaca) e caudal (pós-cardíaca). Também pode ser dividido em porção dorsal (em direção à coluna) e ventral (em direção ao osso esterno). O mediastino contém a traqueia, esôfago, vasos e nervos que entram e saem do coração, timo, ducto torácico, veia ázigo, linfonodos, nervos e tecido adiposo. O coração localiza-se no mediastino medioventral.

A mediastinite é a inflamação dos tecidos conjuntivos do mediastino. Desenvolve-se de maneira aguda, com aparecimento repentino, ou crônica, ocorrendo mais lentamente. A inflamação é advinda normalmente de processos bacterianos adquiridos, como em casos de ruptura esofágica devido à presença de corpo estranho ou ainda à intubação endotraqueal. Menos frequentemente, a infecção bacteriana pode ter origem hematogênica de uma pneumonia ou infecção de catéter, por exemplo. A mediastinite crônica geralmente está relacionada aos casos de infecção por Histoplasma sp. 

O processo inflamatório provoca o espessamento do tecido com perda de definição de suas margens acompanhado de efusão (coleção de líquidos). Essa alteração na morfologia compromete também a fisiologia por compressão, sangramento, sepse ou a combinação destes. Nos casos graves pode haver formação de granulomas, abscessos e até mesmo necrose de tecidos mediastinais.

Não há predileção sexual, por raça ou idade. Não é uma enfermidade muito comum na clínica de pequenos animais, porém pode apresentar alta mortalidade, principalmente pelo diagnóstico tardio ou ainda tratamento inadequado.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

  • Tosse
  • Edema
  • Dispneia
  • Pirexia
  • Regurgitação
  • Disfagia

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames complementares.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

  • Hemograma completo
  • Radiografia torácica
  • Exame radiográfico contrastado
  • Tomografia computadorizada
  • Endoscopia
  • Ultrassonografia
  • Análise de líquidos cavitários
  • Citologia

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

O tratamento é estabelecido de acordo com o estado geral do paciente na admissão do atendimento, bem como o diagnóstico oportuno da causa.

Primeiramente, a terapia suporte é realizada com o objetivo de proteger as vias aéreas e manter a ventilação e oxigenação dos tecidos. Caso seja necessário, institui-se também a fluidoterapia.

Em casos de ruptura esofágica secundária a corpo estranho, presença de tecido necrótico, granulomas ou abscesso é indicada a realizaçāo de procedimento cirúrgico para remoção da fonte de ruptura e reparação do tecido rompido. 

Antibióticos, anti-inflamatórios e analgésicos podem ser indicados para controle da infecção, inflamação e dor. Dependendo do caso, pode ser recomendada a alteração temporária na dieta, até a completa recuperação do paciente.

Prevenção

Como é uma doença de origem multifatorial, não é possível preveni-la diretamente. No entanto, é responsabilidade do(a) tutor(a) estar ciente dos cuidados básicos para o bem-estar e saúde de seus pets, oferecendo uma alimentação equilibrada, balanceada e de boa qualidade, deixando água fresca sempre disponível e mantendo seu calendário de vacinação e vermifugação atualizado. O(a) responsável deve estar atento a quaisquer mudanças comportamentais e físicas de seus animais e levá-los para check up semestral ou anualmente de acordo com a orientação veterinária. 

O diagnóstico precoce é de suma importância para o sucesso do tratamento. A detecção da doença já nos primeiros sinais possibilita a melhor efetividade das terapias, aumentando as taxas de sobrevida e diminuindo as alterações orgânicas secundárias.

Referências Bibliográficas

FARIA, K. L . Ultrassonografia torácica (Extracardíaca) em cães e gatos. Monografia (Especialização) - Programa de Residência Profissional em Saúde/Medicina Veterinária da Universidade Federal de Santa Maria. Santa Maria, 2014.

FATURETO, M. C.; NEVES JÚNIOR, M. A. Mediastinite aguda. Jornal da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, 2015. Disponível em <https://www.sbct.org.br/wp-content/uploads/2015/04/mediastinite_aguda.pdf>

JERICÓ, M. M.; KOGIKA, M. M.; DE ANDRADE NETO, J. P..Tratado de medicina interna de cães e gatos. Grupo Gen-Guanabara Koogan, 2015.

KEALY, J. K.; MCALLISTER, H.; GRAHAM, J. P. Radiologia e ultrassonografia do cão e do gato. 5ª Edição. Elsevier Brasil, 2011. 600 p.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso