Tudo sobre: Meningioma

Introdução

Os tumores primários do sistema nervoso central (SNC) em cães e gatos estão relacionados principalmente com o envelhecimento e, por isso, os animais mais velhos demandam maior atenção quando apresentam sinais neurológicos. A forma benigna é mais comum, embora possa levar a quadros graves devido à compressão de estruturas nobres no encéfalo e medula. 

O meningioma é o tumor intracraniano mais comum na medicina veterinária e origina-se nas meninges, membranas que recobrem o sistema nervoso central desde o encéfalo até toda a medula. Embora apresente comportamento biológico benigno e crescimento lento, o meningioma pode comprimir as estruturas adjacentes e resultar em diferentes sintomatologias neurológicas de acordo com sua localização. 

Em geral, não há predisposição sexual e racial, embora cães das raças Golden Retriever, Boxer e Schnauzer miniatura apresentem maior risco para seu desenvolvimento. Ocorre com maior frequência em cães do que em gatos. 

O diagnóstico definitivo só ocorre por meio de exame histopatológico, porém, com a associação do histórico, sinais clínicos e resultados de exames complementares, principalmente de imagem, é possível obter um diagnóstico presuntivo.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Variam de acordo com a localização tumor, podendo haver um conjunto de sinais que remetem a uma determinada região do sistema nervoso central ou diversas regiões.

- Convulsão

- Head pressing

- Head tilt

- Alterações de comportamento 

- Agressividade

- Apatia

- Anorexia

- Anisocoria

- Ataxia

- Desmaio

- Disfagia

- Coma

- Dispneia

- Emagrecimento

- Escara de decúbito

- Excitação

- Gemidos

- Hiperalgia

- Hiperestesia

- Hipometria

- Inclinação de cabeça

- Vocalização anormal 

- Exoftalmia

- Nistagmo

- Opistótono

- Paralisia

- Paresia

- Ptose auricular

- Ptose labial

- Ptose palpebral

- Espasmos ou tremores musculares

- Hipo ou hiperreflexia

Diagnóstico

- Exame neurológico minucioso associado ao histórico do animal

- Tomografia computadorizada

- Ressonância magnética (padrão ouro)

- Biópsia

- Histopatologia 

- Análise de líquor

- Necrópsia (Post mortem)

Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

O objetivo do tratamento é dar qualidade de vida ao animal pelo maior tempo possível, e isso é possível por meio da cirurgia, radioterapia, quimioterapia e fisioterapia.

Nos casos em que há possibilidade de remoção cirúrgica, a média de sobrevida dos pacientes é variável devido à elevada complexidade do procedimento. 

A remoção cirúrgica dos meningiomas da medula espinhal é mais comum e tem melhores resultados, mas poucos são os relatos de sucesso na cirurgia para os tumores intracranianos na medicina veterinária. A média de vida dos pacientes diagnosticados e tratados cirurgicamente pode ser de dois meses até dois anos. Quando os sinais clínicos já são aparentes e não é realizada remoção cirúrgica, o prognóstico é muito reservado e dentro de alguns meses a qualidade de vida dos pacientes fica extremamente comprometida.

Recomenda-se a realização de tratamento coadjuvante, como radioterapia, após a cirurgia uma vez que meningiomas em cães tendem a recidivar (retornar). 

Os meningiomas felinos costumam ser menos agressivos do que os de cães e, por isso, essa espécie possui melhores resultados em todas as modalidades de terapias disponíveis. 

É um tumor que não responde bem aos diferentes protocolos de quimioterapia, mas apresenta certa taxa de remissão parcial com radioterapia. Existem dois tipos de quimioterápicos que atingem rapidamente elevadas concentrações no fluido cérebro-espinhal e podem ser empregados em neoplasias do sistema nervoso central, porém há pouca informação quanto a eficácia da quimioterapia para neoplasias do sistema nervoso em animais domésticos, principalmente as intracranianas.

Os(as) neurologistas costumam indicar a excisão cirúrgica com o máximo possível de margem, radioterapia e reabilitação como protocolo padrão.

Prevenção

-Não se aplica

Referências Bibliográficas

ADAMO, P.F.; FORREST, L. e DUBIELZIG, R. Canine and feline meningiomas: diagnosis, treatment and prognosis. Compendium on Continuing Education for the Practising Veterinarian. n.4, p.951-965, 2004

BABICSAK, V. R. et al. Aspectos tomográficos de tumores cerebrais primários em cães e gatos. Veterinária e Zootecnia. v.18, n.4, p.531-541, 2011.

DALECK, C. R.; FONSECA, C. S. e CANOLA, J. C. Oncologia em cães e gatos. 2ed. 2016. Roca, Rio de Janeiro. 766p.

NAFE, L. A. Meningiomas in cats: a retrospective clinical study of 36 cases. Journal of American Veterinary Medicine Associaton. v.174, n.11, p.1224-1227, 1979.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso