Tudo sobre: Metrite

Introdução

O útero é o órgão do sistema reprodutor feminino responsável por abrigar o embrião desde o momento do início de seu desenvolvimento - na concepção, até o nascimento. O órgão participa das relações vasculares que fornecem o suporte necessário para o surgimento da vida. Composto por camadas (endométrio, miométrio e perimétrio), o útero altera sua morfologia de acordo com as fases do ciclo reprodutivo da fêmea.

De acordo com a fase reprodutiva da cadela ou da gata, as fêmeas ficam mais ou menos suscetíveis às infecções no útero, pois ocorrem variações no fluxo de sangue e células de defesa presentes. No período após o parto, é comum haver infecções uterinas em diversas espécies em razão da fragilidade em que o órgão se encontra. Essa infecção no período pós-parto, capaz de causar inflamação por todas as camadas do útero, é chamada de metrite.

Complicações durante o parto e gestação podem contribuir com a ocorrência de metrite nos animais domésticos, assim como o abortamento. Traumas uterinos durante o parto ou a necessidade de manobras obstétricas, além da retenção de placenta, podem ocasionar lesões importantes no útero, facilitando a entrada e proliferação dos agentes microbianos envolvidos na metrite. 

O(a) tutor(a) pode observar indícios de infecção uterina pós-parto ao notar que o comportamento da fêmea está diferente do esperado, sendo que nesses casos ela tende a apresentar uma produção de leite diminuída e a negligenciar os filhotes. O corrimento vaginal sanguinolento, esverdeado ou com presença de pus e odor fétido também pode ser notado, além de sinais inespecíficos como vômitos e diarreia.

Transmissão

-Inseminação Artificial

-Parto

Manifestações clínicas

-Anorexia

-Letargia

-Corrimento vaginal

-Apatia

-Êmese 

-Poliúria 

-Polidipsia

-Polifagia 

-Diarreia

-Pirexia

-Taquicardia

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, história do animal e exames laboratoriais.

Exames que o médico veterinário pode solicitar:

-Hemograma completo

-Urinálise simples

-Hematócrito (VG)

-Albumina

-Creatinina

-Imunoglobulina A (IgA)

-Imunoglobulina G (IgG)

-Imunoglobulina M (IgM)

-Ureia

-Proteínas totais + Frações

-AST – TGO

-ALT – TGP

-Fósforo

-Gama GT

-CPK (creatinofosfoquinase)

-Fosfatase Alcalina (F.A.)

-Radiografia abdominal

-Ultrassonografia abdominal

-Citologia vaginal

-Cultura vaginal

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário. 

Tratamento

O tratamento deve ser realizado rapidamente, pois a infecção pode se espalhar através da corrente sanguínea, podendo ocasionar inclusive a morte do animal. A internação e acompanhamento da fêmea pode se fazer necessário, dependendo do estado físico no momento do diagnóstico. A realização da ovariosalpingohisterectomia (castração) pode ser indicada como tratamento definitivo nos casos em que não se deseja a reprodução posterior daquele animal. O tratamento da infecção deve ser realizado sob indicação veterinária, com os adequados ao tipo de bactéria encontrada no útero.

Prevenção

O parto é um acontecimento fisiológico que, embora ocorra naturalmente, deve ser assistido pelos tutores de forma cautelosa para observar quaisquer complicações e, se necessário, procurar ajuda profissional. É fundamental proporcionar um ambiente adequado, aconchegante e principalmente limpo. Em um ambiente de pouca higiene, ocorrem maiores chances de uma infecção se iniciar a partir do canal do parto e atingir o útero.

Além de situações fisiológicas, infecções uterinas também podem ocorrer durante inseminação artificial que utiliza equipamentos contaminados. Portanto, a higiene é fundamental em qualquer situação da vida do animal, principalmente envolvendo a gestação, situação na qual a fêmea tem sua imunidade diminuída.

Referências Bibliográficas


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MACHADO, I. F. et al. Piómetra na cadela e na gata: diferenças e semelhanças. 2017. Tese de Doutorado. Universidade de Lisboa, Faculdade de Medicina Veterinária.

MATTEI, D. R.; MEIRELES, Y. S.; AZAMBUJA, M. B. Diagnóstico ultrassonográfico de intussuscepção uterina em cadela: relato de dois casos. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, v. 17, n. 1, p. 67-68, 2019.

REZENDE, M.; COLETTO, P. M.; ZACCHÉ, E.. Gestação e parto em cadelas: fisiologia, diagnóstico de gestação e tratamento das distocias.

SANTOS, K. R.. Metrite puerperal em cadelas. Trabalho monográfico do curso de Pós-graduação "Lato Sensu" em Clínica Médica em Pequenos Animais. UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO. Ribeirão Preto, 2006.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso