Tudo sobre: Mielomalácia

Introdução

A Mielomalácia é a necrose (morte tecidual) isquêmica ou hemorrágica, aguda e progressiva, que acontece na medula espinhal após um traumatismo, embolia, infecções supurativas, protrusão do disco intervertebral ou neoplasia. A necrose acontece inicialmente no local da lesão e progrede cranial ou caudalmente, fazendo com que a medula assuma uma textura liquefeita (por isso o nome malácia). É uma afecção rara e geralmente fatal, pois as lesões na medula são irreversíveis e, quando atingem os nervos respiratórios, o animal morre por paralisia respiratória.

A Mielomalácia acomete cães e gatos de qualquer idade e raça. No entanto, animais com maior predisposição à protrusão do disco intervertebral possuem mais chances de apresentar mielomalácia.

Transmissão


-Não se aplica

Manifestações clínicas


Sinais inespecíficos (podem ocorrer isolados ou em conjunto):

- Paralisia aguda
- Perda dos reflexos pélvicos e torácicos
- Percepção de dor ausente
- Arreflexia
- Atonia dos membros pélvicos
- Ânus dilatado
- Bexiga flácida
- Pirexia
- Dor meníngea extrema
- Paralisia diafragmática
- Sinal de Schiff-Sherrington

Diagnóstico


Associação entre história clínica, exames físicos e laboratoriais.

Exames que o Médico Veterinário pode pedir:
- Hemograma completo
- Urinálise simples
- Análise de líquor
- Albumina
- Ureia
- Creatinina
- ALT – TGP
- AST – TGO
- Mielografia
- Radiografia
- Ressonância Magnética
- Teste genético da Mielopatia degenerativa
- Biomarcadores para Mielopatia degenerativa

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário.

Tratamento


Não há tratamento efetivo para esta doença. Isto é, cabe ao(à) médico(a) veterinário(a) responsável avaliar o estado geral do paciente e nos casos em que a qualidade de vida esteja gravemente comprometida, devido à progressão da doença, a eutanásia pode ser considerada.

A eutanásia é o ato intencional de proporcionar uma morte indolor ao paciente para aliviar o sofrimento causado por uma doença incurável ou dolorosa. Só deve ser realizada pelo(a) médico(a) veterinário(a), depois de uma criteriosa avaliação do paciente, com a plena ciência e autorização do responsável pelo animal. O tutor deve ser orientado sobre o diagnóstico, progressão da doença e prognóstico para que tome a melhor decisão tendo em vista o bem-estar do paciente.

Prevenção


Não há medidas de prevenção efetivas para a mielomalácia. No entanto, um(a) tutor(a) responsável deve estar atento a quaisquer mudanças comportamentais e físicas de seus animais e levá-los para check up semestral ou anualmente de acordo com a orientação veterinária.

Além disso, é importante evitar os traumas na coluna vertebral, ou seja, como as principais causas de traumatismos em coluna vertebral são acidentes, a maior prevenção para esta enfermidade é a mudança de manejo a fim de minimizar os riscos de atropelamentos, quedas, pisaduras e agressões. Os animais, caninos ou felinos, não devem ter livre acesso à rua, pois o risco de acidentes é muito alto. Os cães devem sempre andar junto com o(a) tutor(a), devidamente contidos na coleira e guia para passeio.

As janelas das residências com felinos, principalmente os apartamentos em andares mais altos devem possuir grades de proteção para prevenir as quedas. Deve-se evitar o acesso dos felinos aos telhados, muros e árvores pelo mesmo motivo.

Referências Bibliográficas

GIANOTTI, G. C. et al. Mielomalácia hemorrágica progressiva em cão. Acta Scientiae Veterinarie, v. 36, n. 1, p. 59-62, 2008. 

MACEDO, A. S. et al. Mielomalácia hemorrágica ascendente secundária à protrusão de disco intervertebral em cão. Acta Scientiae Veterinariae, v. 41, n. 21, 2013.

NELSON, R. W. et al. Medicina Interna de Pequenos Animais. Ed. Elsevier, ed. 5, cap. 40, 2015.

TILLEY, L. P.; JUNIOR, F. W. K. S. Consulta Veterinária em cinco minutos: Espécies canina e felina. Ed. Manole, ed. 5, p. 656-657.

TUDURY, E. A. et al. Spirocerca lupi INDUCED ACUTE MYELOMALACIA IN THE DOC. A CASE REPORT. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, v. 32, n.l, p.22- 6, 1995.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso