Tudo sobre: Mielopatia degenerativa

Introdução

A mielopatia degenerativa ou radiculomielopatia degenerativa é uma doença neurológica, degenerativa, de caráter progressivo e fatal que acomete animais de porte grande e gigante, na fase adulta entre seis e 11 anos. No entanto, há registros em cães de seis a sete meses. 

Atinge o Sistema Nervoso Central e Periférico, de modo que inicia-se na medula espinhal na porção toracolombar e evolui até alcançar as porções cervicais, lombares e raízes nervosas. Estima-se que sua origem seja resultado de uma mutação no gene da superóxido dismutase 1 (SOD1) em diversas raças, principalmente cães da raça Pastor Alemão, Boxer, Husky Siberiano, Pastor Belga, entre outros, isto é, pode apresentar um fator hereditário. Além disso, há outras causas hipotéticas como distúrbios imunomediados, deficiência metabólica, estresse tóxico e oxidativo que podem predispor o animal a essa doença. 

Aparentemente não há predileção sexual. Há casos relatados em gatos, bovinos, equinos e humanos. 

Transmissão

- Hereditária

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (podem ocorrer isolados ou em conjunto).

- Ataxia e paresia dos membros pélvicos 

- Atrofia muscular pélvica

- Paraparesia 

- Paraplegia

- Hiperreflexia 

- Dismetria

- Reflexos espinhais aumentados 

- Reflexo extensor cruzado

- Déficits proprioceptivos de posicionamento das patas

- Flacidez

- Tetraplegia

- Atrofia muscular generalizada 

- Disúria

Os sinais podem se manifestar de forma bilateral, mas não necessariamente simétrico. 

Diagnóstico

Associação entre história clínica, exames físicos e laboratoriais. 

Exames que o Médico Veterinário pode pedir:

- Hemograma completo

- Albumina

- Ureia

- Creatinina

- ALT – TGP

- AST – TGO

- Urinálise simples

- Análise de líquor

- Mielografia

- Ressonância Magnética 

- Tomografia computadorizada

- Teste genético da Mielopatia degenerativa 

- Biomarcadores para Mielopatia degenerativa

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário. 

Tratamento

Não há tratamento efetivo para esta doença e o prognóstico é ruim no longo prazo. Animais paraplégicos tendem a formar escaras de decúbito e são mais propensos a infecções urinárias e outras complicações. O acompanhamento clínico e neurológico deverá ser frequente. Mudanças de manejo devem ser consideradas, como o uso de dietas balanceadas para evitar o ganho de peso, atividades físicas regulares, fisioterapia, hidroterapia e cuidados mais intensos quando o animal perder a mobilidade. 

Cabe ao(à) médico(a) veterinário(a) responsável avaliar o estado geral do paciente e nos casos em que a qualidade de vida esteja gravemente comprometida, devido a progressão da doença, a eutanásia pode ser considerada. 

Prevenção

É uma doença que pode ter uma origem genética, então é importante que em casos de compra de filhotes, os(as) tutores(as) adquiram os animais de criatórios registrados e responsáveis idôneos que tenham um bom controle sanitário do plantel de matrizes e padreadores. O histórico dos pais da ninhada é fundamental justamente para avaliar possíveis doenças que possam ser herdadas pelos filhotes.
No caso de animais adotados, cuja procedência é desconhecida, é difícil fazer esse tipo de previsão. No entanto, o acompanhamento precoce e periódico com o(a) médico(a) veterinário(a) tanto para as primeiras vacinas e vermífugos, quanto para check up possibilita o diagnóstico precoce e o correto manejo do animal para evitar possíveis complicações.

Após o diagnóstico, o(a) responsável deve ter consciência da natureza crônica da doença e da impossibilidade de cura permanente, mas que o animal pode ter uma qualidade de vida aceitável desde que haja a realização da terapia e manejo adequados. 

Referências Bibliográficas

GUZZI, R. F. et al. Mielopatia degenerativa em cães: um desafio na medicina veterinária e na reabilitação animal. Unimar Ciências, v. 23, p. 1-2, 2014.

MARQUES, J. H. S. Abordagem da neurorreabilitação funcional com cães com mielopatia degenerativa. Dissertação (Mestre em Medicina Veterinária) – Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa, 2019. 

TILLEY, L. P.; JUNIOR, F. W. K. S. Consulta Veterinária em cinco minutos: Espécies canina e felina. Ed. Manole, ed. 5, p. 656-657.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso