Tudo sobre: Miopatias hereditárias

Introdução

Miopatia é o termo utilizado na medicina para as doenças musculares, que quando são passadas geneticamente de pais para filhos são chamadas de Miopatias Hereditárias. Em medicina veterinária, são conhecidas algumas miopatias transmitidas de forma hereditária, dentre elas está a Miopatia Hereditária do Labrador Retriever, ou Miopatia centronuclear do Labrador, que pode ocorrer em machos ou fêmeas das cores preta e amarela.

A miopatia hereditária do labrador já apresenta sintomas desde as primeiras semanas ou meses de vida do cão, sendo observada principalmente fraqueza muscular. O cão apresenta o chamado “andar de coelho”, dando pequenos saltos com as pernas traseiras para se locomover e arqueando as costas como uma corcunda. O repouso pode melhorar os sintomas, porém ainda é detectável a postura diferente do normal. O esforço físico piora o quadro e pode levar o animal ao colapso. Apesar da possibilidade da doença evoluir para atrofia muscular (diminuição do tamanho do músculo), ela normalmente não causa dor na musculatura.

A Miopatia Hereditária do Dogue-alemão é outra miopatia hereditária conhecida para os cães, que já foi observada em países como Inglaterra, Canadá e Austrália. A doença é transmitida geneticamente e ocorre em machos e fêmeas, tendo o início dos sintomas por volta dos seis meses de idade, mas ainda podem ser observados até próximos aos dois anos. Os primeiros sintomas observados são fraqueza muscular e a intolerância ao exercício prolongado, podendo ocorrer o colapso quando o cão é submetido a atividade física intensa ou sob estresse ou momentos de muita agitação. Tremores também podem ser observados mesmo com o animal parado, e uma postura anormal, geralmente com a cauda estendida podem ser indicativos da doença. Assim como acontece em outras miopatias, o repouso tende a melhorar os sintomas, enquanto a atividade prolongada ocasiona a piora podendo causar um colapso.

A Cãibra Hereditária do Terrier Escocês se manifesta também como uma forma de miopatia hereditária dos cães, porém apresentando algumas diferenças nos sintomas, que podem ser observados nos cães com seis a oito semanas de vida. Quando em repouso, o cão não apresenta nenhuma anormalidade, já ao iniciar o exercício pode ser observado o arqueamento das costas e o enrijecimento dos músculos na região da bacia, provocando o chamado “andar de ganso”. Os músculos do rosto também pode ficar enrijecidos e o cão pode chegar a cair, permanecendo deitado com as pernas encolhidas por até 30 minutos.

Em gatos, existem relatos de miopatia hereditária nas raças Devon Rex e Sphynx em animais nos EUA, Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido. Os sintomas começam a aparecer por volta das cinco semanas de vida, mas o diagnóstico pode acontecer até os três meses ou mais, quando o quadro fica mais evidente. Os filhotes apresentam uma postura conhecida como “cachorro pidão” ou “esquilo” com a cabeça ereta e as pernas traseiras apoiadas, e quando deitados procuram sempre apoiar a cabeça em objetos elevados. Quando se locomovem, as pernas se movimentam de forma estranha com passos altos, os ombros ficam posicionados altos e a cabeça voltada para baixo, olhando para o peito. A fraqueza muscular e intolerância ao exercício também estão presentes e o estresse ou esforço pioram o quadro, porém a dor não é observada e com o desenvolvimento do animal ele pode se adaptar aos sintomas e aprender a conviver com a doença.

Transmissão

-Hereditária

Manifestações clínicas

Assintomático

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

-Emagrecimento

-Claudicação

-Disfagia

-Inclinação de cabeça

-Letargia

-Mioclonia

-Paresia

-Hipermetria

-Hipometria

-Caquexia

-Apatia

-Fraqueza

Diagnóstico

O diagnóstico é realizado baseado principalmente no histórico clínico e na raça do animal. 

Exames que o médico veterinário pode solicitar: 

-Albumina

-Ureia

-AST – TGO

-ALT – TGP

-Fósforo

-Gama GT

-CPK (creatinofosfoquinase)

-Fosfatase Alcalina (F.A.)

-Urinálise simples

-Cálcio

-Potássio

-Biópsia muscular 

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário.

Tratamento

A diminuição do estresse e mudança no estilo de vida do animal vão auxiliar na diminuição dos sintomas.

Prevenção

A reprodução de animais de raça deve sempre obedecer aos critérios de avaliação de doenças hereditárias. Sempre que um animal doente ou o gene responsável pelo problema for identificado é recomendada a castração do animal para que não exista possibilidade de reprodução. Ao adquirir um cão ou gato, o tutor deve certificar-se de que a criação é responsável e se preocupa com a perpetuação de animais que não apresentam doenças hereditárias.

Referências Bibliográficas

PELLEGRINO, F. Enfermedades musculares congénitas. Revista Argentina de Neurología Veterinaria, v. 6, n. 3, p. 1-21, 2018.

SILVEIRA, Mariana Póvoa. Estudo morfoquantitativo do plexo mioentérico de cães afetados pela Distrofia Muscular do Golden Retriever (GRMD). Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso
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