Tudo sobre: Nefrolitíase

Introdução

É uma doença do trato urinário que acomete tanto cães como gatos caracterizada pela formação de cálculos ou urólitos na pelve renal. Esses cálculos são precipitados em forma sólida de minerais ou substâncias orgânicas que também podem ser encontrados em ureteres, bexiga e uretra. Eles têm potencial de alterar a fisiologia do trato urinário, pois lesionam o epitélio e promovem desde o desenvolvimento de processos inflamatórios locais até obstruções parciais ou completas dos órgãos. São compostos na grande maioria dos casos por fosfato amoníaco magnesiano (estruvita) – 38% dos casos; e oxalato de cálcio – 42% dos casos, mas podem ser compostos por urato, cistina e silicato. 

Não é uma doença de causa única, múltiplos fatores podem predispor o indivíduo à formação de cálculos urinários, sejam de ordem orgânica ou de manejo, por exemplo: a raça, idade, sexo, malformações congênitas, fatores hereditários, frequência de micção, pH da urina, consumo reduzido de água e tipo de dieta do animal. Algumas raças de pequeno porte como Schnauzer miniatura, Lhasa Apso, Yorkshire Terrier, Bichon Frise, Shih Tzu, Poodle e cães SRD (sem raça definida) são frequentemente apresentadas em relatos de caso de urolitíases. 

A nefrolitíase, quando não identificada precocemente, pode ocasionar desordens locais e sistêmicas significativas, dentre elas pielonefrite e hidronefrose, bem como insuficiência renal aguda ou crônica e síndrome urêmica que se não tratadas podem comprometer a qualidade de vida do paciente e até mesmo levá-lo a óbito.

Comumente, a nefrolitíase por cálculos de estruvita cursam com infecções do trato urinário, principalmente causadas por bactérias urease positivas, como Staphylococcus sp. e Proteus sp. e envolvem mais fêmeas com faixa etária de um a oito anos. Já os cálculos de oxalato de cálcio raramente cursam com infecção urinária, acontecem mais em machos, com faixa etária de cinco a 12 anos. 

Transmissão

- Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

- Polaciúria

- Polidipsia

- Disúria

- Hematúria

- Piúria

- Apatia

- Dor

- Incontinência urinária

- Êmese

- Hiporexia

- Anorexia

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

- Hemograma completo

- ALT – TGP

- AST – TGO

- Fósforo

- Magnésio

- Potássio

- Sódio

- Ureia

- Creatinina

- Cálcio

- Cálcio Iônico

- Análise de Sedimento

- Análise de Cálculo Urinário

- Urinálise simples

- Urinálise com UPC

- Ultrassonografia abdominal

- Radiografia abdominal

- Cistografia com duplo contraste

- Urocultura com Antibiograma

- Exame radiográfico contrastado

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

O protocolo terapêutico será estabelecido de acordo com a gravidade do quadro e o tipo de urólitos formados. Os cálculos de oxalato de cálcio geralmente necessitam de intervenção cirúrgica, pois dificilmente se dissolvem sozinhos. Porém, os urólitos compostos por estruvita, podem ser tratados com mudanças na dieta com o objetivo de reduzir o pH e a concentração urinária de ureia, fósforo e magnésio.

É importante ressaltar que nos casos com infecção urinária concomitante, o uso de antimicrobianos é necessário juntamente com os ajustes na alimentação para combater os agentes patogênicos. 

Em casos de cálculos muito grandes ou obstrução de vias urinárias, o tratamento cirúrgico pode ser preconizado.

O clínico também poderá recomendar o uso de anti-inflamatórios e analgésicos para o controle da dor. Antieméticos para controle de vômito em casos mais graves e a depender do estado geral do paciente, o(a) profissional pode ainda recomendar a internação para reposição de fluidos e estabilização das funções orgânicas.

Prevenção

Nessa doença, o foco da prevenção deve estar voltado para impedir recidivas. Nos casos ocasionados por infecções urinárias, deve-se priorizar a eliminação ou o controle da infecção. Nos casos acarretados pela condição da urina, o foco da prevenção é a mudança na alimentação e no manejo. 

O(a) médico(a) veterinário(a) pode ainda sugerir o uso de diuréticos preventivamente, de acordo com o quadro e especificidades do animal.

O(a) tutor(a) deve seguir as recomendações veterinárias sobre a dieta, trocando a ração comum pela terapêutica (renais, urinárias) ou seguindo o cardápio sugerido pela alimentação natural. Além disso, deve incentivar o animal a tomar água frequentemente, colocando bebedouros com água limpa e fresca em seu ambiente.

Referências Bibliográficas

GRAUER, G. F. Distúrbios do sistema urinário. In: NELSON, R.W.; COUTO, C.G. Medicina interna de pequenos animais. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

PIMENTA, M. M. et al. Estudo da ocorrência de litíase renal e ureteral em gatos com doença renal crônica. Pesq. Vet. Bras. 34(6):555-561, junho 2014

RICK, G. W. et al. Nefrolitíase bilateral em fêmea canina: relato de caso. In: XXVI Seminário de Iniciação Científica, 2018, Salão do Conhecimento. Anais... Ijuí-RS: Unijuí, 2018

SILVA, C. R. A. et al. Cálculo vesical e nefrolitíase bilateral em cão: relato de caso. PubVet v.9, n.2, p.76-78, Fev., 2015

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