Tudo sobre: Neoplasia em Traqueia e Laringe

Introdução

Os tumores em laringe são incomuns em cães e gatos. Dentre eles, encontram-se os oncocitomas, que surgem a partir de células epiteliais denominadas oncócitos, encontradas em pequenos números em vários órgãos, como a laringe, tireóide, glândula pituitária e traqueia. Os oncocitomas têm sido descritos em cães jovens e observa-se uma sobrevida longa dos pacientes, sem metástases, após a ressecção (retirada) cirúrgica.

Tumores traqueais são ainda menos comuns que massas na laringe, e tanto tumores benignos quanto malignos têm sido relatados. Os principais tumores traqueais descritos em cães são os condromas, osteocondromas e condrossarcomas. Os osteocondromas traqueais podem ocorrer em cães com menos de dois ano de idade e, provavelmente, refletem uma disfunção da osteogênese e são considerados benignos. Em gatos, existe relato de carcinoma de células escamosas na traqueia, adenocarcinoma e linfossarcoma. 

Os carcinomas metastáticos de tireóide, linfomas e rabdomiossarcomas de faringe também podem acometer a laringe e a traqueia. A incidência de metástases de tumores em traqueia e laringe em cães e gatos é desconhecida.

Tanto as neoplasias em laringe quanto em traqueia podem causar obstrução luminal por ocupar espaço ou comprimir o lúmen externamente. Conforme o lúmen diminui, os sinais de angústia respiratória tornam-se mais aparentes.

Essas neoplasias acometem animais de meia idade a idosos, com a idade média de 12 anos para os gatos e 10 anos para os cães, com exceção dos osteocondromas que geralmente ocorrem antes dos dois anos de idade.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

  • Angústia respiratória aguda
  • Cianose
  • Colapso
  • Obstrução de vias aéreas superiores progressiva (crônica ou aguda)
  • Disfonia
  • Estritor
  • Dispneia
  • Tosse
  • Intolerância ao exercício 
  • Mudança da voz
  • Pirexia
  • Ptialismo
  • Náusea
  • Síncope
  • Emagrecimento (casos mais graves)
  • Letargia

*Pode-se observar, em alguns casos, o crescimento de uma massa na região ventral (embaixo) do pescoço.

Diagnóstico

Anamnese detalhada, exame clinico minucioso e exames complementares, como:

  • Hemograma completo
  • Citologia do linfonodo regional
  • Radiografias cervicais e torácicas
  • Esofagramas de contraste
  • Esofagoscopia
  • Tomografia computadorizada
  • Ressonância magnética
  • Laringoscopia
  • Traqueoscopia
  • Biópsia incisional

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

O tratamento cirúrgico pode ser curativo se o tumor for benigno, localizado e pequeno. A excisão completa (retirada) dos tumores malignos raramente é possível, mas pode aliviar a dispneia. 

Para a remoção dos tumores de traqueia, são necessárias a ressecção traqueal e a anastomose (união) das porções remanescentes, podendo ser retirada de 20 a 50% da traqueia .

O prognóstico está relacionado com o tipo histológico da neoplasia, e é excelente em alguns casos de tumores traqueais, como por exemplo, oncocitomas e osteocondromas. Já o prognóstico para tumores localizados em laringe é reservado, pois na maioria dos casos a neoplasia já está em estado avançado no momento do diagnóstico.

Sem o procedimento cirúrgico, pode ocorrer completa obstrução do lúmen da traqueia e da laringe e subsequente asfixia.

A radioterapia pode auxiliar no tratamento de carcinomas de células escamosas, mastocitomas e linfomas. Alguns tumores respondem à quimioterapia, como por exemplo, os linfomas, mastocitomas e adenocarcinomas. 

Prevenção

Não há como prevenir o desenvolvimento de tumores em traqueia e laringe, porém, o acompanhamento periódico com um(a) médico(a) veterinário(a) pode permitir o diagnóstico precoce de alterações patológicas.

Referências Bibliográficas

FOSSUM, T. W. Cirurgia de pequenos animais. 4° edição, p.943-948, 2014.

REGINALDO, A. S et al. Tumor em traquéia de cão: relato de caso. Anais da X Mostra Científica FAMEZ/ UFMS, Campo Grande, 2017.

TEIXEIRA, P. P. M. Abordagem endoscópica de neoplasia em laringe em um cão. Cienc. Rural. V. 45, n. 1, p. 131-135, 2014.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso