Tudo sobre: Neoplasias gástricas

Introdução

As neoplasias gástricas (tumores no estômago) são consideradas pouco frequentes em cães e gatos, e a literatura a respeito é escassa.

Em cães, correspondem a menos de 1% de todas as neoplasias relatadas nestes animais, sendo que em torno de 69% das neoplasias gástricas nesta espécie são malignas. O tipo mais comum que os acomete é o adenocarcinoma (tumor maligno, câncer, cuja forma assemelha-se a uma glândula), seguido pelo leiomioma e leiomiossarcoma (cânceres originados de músculos lisos), linfomas (cânceres do sistema linfático), mastocitomas (neoplasias originadas em mastócitos), plasmocitomas extramedulares (neoplasias de plasmócitos fora da medula óssea) e fibrossarcomas (tumores malignos originados no tecido conjuntivo).

Cães machos de grande porte e idosos (idade média entre oito e 10 anos) e as raças Collie, Pastor Belga, Chow-chow, Bull Terrier e Staffordshire Terrier possuem maior risco de desenvolverem esta neoplasia. Já foram observados cães com dois anos de vida portadores de neoplasias gástricas. A causa primária das neoplasias gástricas em cães ainda é desconhecida.

Em gatos, estas neoplasias são pouco descritas, contudo o linfoma é relatado como o de maior ocorrência quando esta espécie apresenta neoplasia gástrica. Os linfomas são tumores malignos que acometem os linfonodos e outros órgãos e, em felinos, podem ocorrer em animais com vírus da leucemia felina (FeLV) e da imunodeficiência felina (FIV). O linfoma alimentar origina-se no estômago e segmentos do intestino e pode ser um tipo de neoplasia do trato gastrintestinal de gatos.

Helicobacter pylori é uma bactéria reconhecidamente envolvida no desenvolvimento de neoplasias gástricas em seres humanos. A associação entre esta bactéria e processos neoplásicos em cães e gatos ainda não foi comprovada, porém mais estudos devem ser realizados para melhor definir o papel de H. pylori no desenvolvimento de neoplasias gástricas nessas espécies.

Transmissão

- Não se aplica

Manifestações clínicas

- Êmese

- Hematêmese (vômito com sangue)

- Melena (fezes com sangue digerido)

- Hiporexia

- Anorexia

- Perda de peso

- Caquexia

Observação: os sinais clínicos geralmente são progressivos, de evolução crônica (com média de duração de dois meses) e pouco responsivos à terapia sintomática (tratamento dos sintomas).

Diagnóstico

O histórico e manifestações clínicas, além do exame físico realizado pelo(a) médico(a) veterinário(a) são de extrema importância para o diagnóstico.

Além disso, exames complementares são indicados:

- Hemograma completo

- Perfis bioquímicos

- Radiografia contrastada

- Ultrassonografia abdominal (método bastante sensível para detecção de tumores gástricos)

- Endoscopia

- Laparotomia exploratória ou videolaparoscopia 

- Biopsia e exames histopatológico (necessária para confirmação do tipo neoplásico)

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

A terapia dos sintomas é indicada para estabilização do paciente, contudo realização de cirurgia é o tratamento potencialmente curativo de neoplasias gástricas.

Prevenção

Em cães, é difícil definir medidas preventivas por não conhecermos as causas que levam ao desenvolvimento de neoplasias gástricas.

Em relação ao linfoma gástrico em felinos, é necessário adotar medidas para prevenir infecção pelos vírus da FeLV e/ ou FIV, uma vez que podem estar relacionados ao desenvolvimento da neoplasia. Ainda assim, as neoplasias podem possuir diversas causas desconhecidas, tornando complicado determinar medidas preventivas.

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Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso