Tudo sobre: Neuropatias dos nervos cranianos

Introdução

Os cães e gatos possuem 12 pares de nervos cranianos que inervam diferentes regiões e estruturas. Estes nervos possuem sua origem no encéfalo e podem ter função motora e/ ou sensitiva, enviando e recebendo informações vitais para a visão, audição, paladar, movimento da língua, movimento das pálpebras, entre outros. 

As doenças que acometem os nervos cranianos podem ser específicas, como a neurite do trigêmio (V par) e paralisia do nervo facial, ou generalizadas, quando todos ou grande quantidade de nervos são acometidos. 

Na maioria das neuropatias generalizadas, estão comprometidos o nervo facial (VII par - inerva uma porção da língua, glândulas salivar e lacrimal, músculos da expressão da face), nervo glossofaríngeo (IX par - inerva uma porção da língua, glândulas salivares e músculos da faringe) e nervo vago (X par - inerva faringe, mucosa e músculos da laringe, maioria das vísceras, região de pescoço e torácica, maioria das vísceras abdominais). 

As causas são variadas e podem ser por doenças infecciosas, tumores, problemas hormonais, trauma ou alterações congênitas e anatômicas. O estrabismo, por exemplo, é uma alteração que pode ser congênita devido a alterações no nervo oculomotor (III par).

A falta de sensibilidade pode se tornar um problema irreversível. Os sinais clínicos são variados, mas a perda de sensibilidade nas estruturas da face sempre ocorre, acometendo a língua, lábios, olhos, pálpebra, músculos da mastigação, entre outros. Em alguns casos, as neuropatias podem cursar com um nível elevado de dor. A mononeuropatia (ou seja, o acometimento de um único nervo craniano) é mais incomum e normalmente ocorre por trauma ou condição genética. 

Comos os nervos cranianos se distribuem em pares, o problema pode ser uni ou bilateral.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Dor

- Paralisia facial

- Boca constantemente aberta

- Sialorreia

- Nistagmo

- Estrabismo 

- Disfagia

- Head tilt

- Hiperestesia

- Ptose palpebral

- Ptose labial

- Perda de reflexos palpebrais

- Impossibilidade de mastigar e deglutir

- Anorexia

- Perda de audição

Diagnóstico

- Exame neurológico criterioso associado ao histórico do paciente

- Tomografia computadorizada

- Ressonância magnética

- Hemograma

- Sorologias diversas

Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

Descobrir e tratar a causa da neuropatia é essencial. Reduzir a inflamação com uso de anti-inflamatórios esteroidais ou não-esteroidais é um passo básico independente da origem. 

Remoção cirúrgica de tumores intracranianos pode ser necessária e possível, mas é um procedimento extremamente complexo. 

Causas hormonais, como hipotireoidismo, devem ser tratadas de acordo. 

Existe também a possibilidade de lesão iatrogênica de alguns nervos, ou seja, quando o problema surge como complicação de intervenção profissional. A paralisia do nervo facial, por exemplo, é uma complicação comum após cirurgias do conduto auditivo.

Tratamento emergencial no trauma, para reduzir edema intracraniano, é fundamental e normalmente deve ser realizado com hospitalização do paciente.

Infecções devem ser criteriosamente investigadas: toxoplasmose, neosporose, cinomose, herpesvirose e peritonite infecciosa felina (PIF) estão entre as causas sistêmicas mais comuns. Doenças infecciosas que acometem o sistema nervoso são de difícil tratamento devido à dificuldade do antibiótico alcançar concentrações ideais nesse sistema. O tratamento deve ser acompanhado de perto por um(a) profissional competente.

O exame clínico vai determinar também a necessidade de uso de analgésicos para controle da dor. O(a) profissional mais adequado para investigar e tratar essas alterações é um(a) neurologista veterinário(a). 

As terapias integrativas surgem como principal diferencial na recuperação de pacientes com neuropatias em geral. A acupuntura é a modalidade com melhores resultados descritos, porém também existem relatos de sucesso com uso de homeopáticos, infravermelho, laser terapêutico, implante de ouro, cinesioterapia, entre outros. A reabilitação destes pacientes é fundamental para tratamento e reversão de sequelas. 

Prevenção

Não se aplica (medidas de profilaxia são extremamente gerais e na maioria das causas não é possível prevenir devido à origem idiopática/ desconhecida). 

Referências Bibliográficas

DRAEHMPAEHL, D.; ZOHMANN, A. Acupuntura no cão e no gato - Princípios básicos e prática científica. 1997. São Paulo: Roca. 245p. 

FERNÁNDEZ, V.L e BERNARDINI, M. Neurologia de cães e gatos. 2010. São Paulo: Med Vet. 752p.

PELLEGRINO, F.; SURANITI, A.; GARIBALDI, L. Síndromes Neurológicas em Cães e Gatos: Avaliação Clínica, Diagnóstico e Tratamento. 2003. São Caetano do Sul: Interbook. 432p.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso