Tudo sobre: Obesidade

Introdução

Obesidade é uma síndrome clínica caracterizada pelo excesso de acúmulo de gordura corporal. É considerada a forma mais comum de má nutrição na clínica de pequenos animais. Sua importância se dá pelo seu papel na patogênese de uma variedade de doenças e na possibilidade de exacerbar doenças pré-existentes e diminuir o tempo de vida do indivíduo.

Entre as doenças, destacam-se: diabetes mellitus, artrite, lipidose hepática, doença do trato urinário inferior em felinos, incontinência urinária em cadelas castradas, constipação, dermatites, problemas cardiovasculares, respiratórios e aumento de risco anestésico e cirúrgico. Já foi demonstrado que gatos obesos de meia idade têm maior risco de morte em comparação a gatos magros de meia idade. Outro estudo observou que cães que se mantiveram magros durante sua vida apresentaram uma sobrevida de dois anos a mais do que cães da mesma ninhada com sobrepeso.

O paciente desenvolve a obesidade basicamente quando ingere uma quantidade de energia maior do que gasta. Vários fatores sociais e ambientais podem contribuir para essa situação como: diminuição do exercício diário pelo confinamento residencial; excessiva alimentação do animal – o(a) tutor(a) acredita que o aumento de apetite é sinal de boa saúde, utilizando o alimento como paliativo e entretenimento para compensar o animal pelo tempo deixado sozinho, satisfazendo todos os pedidos de alimento por gostar do ato de pedir do animal, fornecendo a mesma quantidade de alimento todos os dias, independentemente do tipo de dieta e mudanças na demanda energética, e deixando a alimentação à vontade o dia todo. 

Outra característica relevante é que responsáveis obesos têm maior probabilidade de ter animais obesos. A vida sedentária do tutor(a) pode contribuir para a falta de exercícios do animal e o consumo de comida altamente calórica, rica em gorduras e carboidratos. Além disso, é comum que tutores(a) obesos(a) não reconheçam que a obesidade é um problema para o seu animal.

A obesidade não tem predileção por sexo, raça ou faixa etária. O paciente obeso pode manifestar diferentes sinais clínicos derivados das doenças correlacionadas com a obesidade, porém pode também apresentar-se assintomático (aparentemente sem sinais clínicos).

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

- Polifagia

- Polidipsia

- Poliúria

- Claudicação

- Dispneia

- Intolerância ao exercício

- Letargia

- Obesidade

- Fraqueza

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais. 

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

- Hemograma completo

- Glicose

- ALT – TGP

- AST – TGO

- Albumina

- Cálcio

- Colesterol Total

- Colesterol Total e Fracionado

- Creatinofosfoquinase (CPK)

- Curva Glicêmica

- Eletroforese de Colesterol

- Eletroforese de Proteínas

- Fosfatase Alcalina (F.A.)

- Fósforo

- Gama GT

- Glicohemoglobina

- Glicose

- LDH (Desidrogenase Lática)

- Lipase

- Lipídeos Totais

- Magnésio

- Potássio

- Proteínas totais + Frações

- Sódio

- Triglicerídeos

- Ureia

- Urinálise simples

- ACTH

- Anticorpo Anti-Tireoglobulina

- T3 Total (Quimiluminescência)

- T4 Livre (Quimiluminescência)

- T4 Total (Quimiluminescência)

- TSH (RIE)

- Ultrassonografia abdominal

- Tomografia Computadorizada

- Eletrocardiografia 

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

O(a) médico(a) veterinário(a), avaliando o peso corpóreo atual do animal juntamente com o escore de condição corpórea, determinará a porcentagem de peso que deve ser perdida. A partir disso e do histórico completo da alimentação do animal, poderá estabelecer uma nova dieta baseada na necessidade calórica diária do paciente e o tipo de alimento mais adequado para a situação – podendo incluir rações terapêuticas e alimentação natural.

No processo de emagrecimento, algumas mudanças de manejo também poderão ser indicadas, como afastamento do paciente dos demais animais da residência na hora da alimentação, implementação de rotina de exercícios, implementação de enriquecimento ambiental para aumentar o entretenimento e incentivar a movimentação do paciente e exclusão de petiscos e sobras da alimentação humana. 

O tutor(a) deve estar consciente de que é peça fundamental no sucesso do tratamento. Sem seu empenho e dedicação para seguir as instruções do(a) clínico(a) em relação às mudanças propostas para a vida do animal, as chances de eficácia são baixas. Além disso, deve saber que o emagrecimento é um processo lento e dependendo do caso e do excesso de peso a ser perdido pode demorar meses. É importante que o animal se mantenha no plano estabelecido para que pouco a pouco consiga atingir a meta recomendada.

Prevenção

O primeiro passo para a prevenção é saber que a obesidade é uma doença e pode prejudicar enormemente o seu animal de estimação. Ao contrário do que se imagina, o excesso de peso não significa boa saúde e pode acarretar uma infinidade de problemas para o paciente. 

Sendo assim, o(a) responsável deve sempre fornecer uma alimentação de boa qualidade, seguindo as recomendações do(a) médico(a) veterinário(a) e do fabricante. A dieta de boa qualidade é suficiente para a saciedade, nutrição e manutenção da qualidade de vida, então o(a) tutor(a) não precisa ter medo do animal passar fome. 

Não se deve fornecer as sobras da alimentação humana, primeiro porque muitos alimentos que nós ingerimos podem intoxicar os animais de companhia, segundo porque em muitas casas a alimentação é rica em carboidratos refinados, temperos e gorduras, que em conjunto com a dieta normal do animal pode culminar num excesso de energia ingerida. 

É importante que o animal tenha uma rotina de exercícios – caminhadas, corridas, atividades ao ar livre e contato com outros animais. Atualmente, em muitas cidades é possível encontrar profissionais que atuam como dogwalkers (levam os cães para passear) e creches caninas (daycare), facilitando essa rotina para os responsáveis que não têm muito tempo disponível.

Referências bibliográficas

NELSON, R. W. et al. Distúrbios metabólicos. In: NELSON, R.W.; COUTO, C.G. Medicina interna de pequenos animais. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso