Tudo sobre: Obstrução Gastrointestinal

Introdução

A obstrução gastrointestinal caracteriza-se pelo bloqueio parcial ou completo da passagem de conteúdo digestivo (alimentos ou água) pelo lúmen (cavidade) do sistema digestório (esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso). Ela pode acontecer nas diferentes partes do trato gastrointestinal, mas geralmente se dá nas porções mais estreitas. Dependendo do caso e do estado geral do paciente, as obstruções gastrointestinais devem ser consideradas uma emergência médica, pois quanto mais tempo a obstrução permanece, maiores as chances de problemas decorrentes, seja pneumonia por aspiração, necrose tecidual ou rompimento/ perfuração do órgão.

As causas são variadas: tumores, corpos estranhos, bezoares, infestações parasitárias, infecções bacterianas acompanhadas de processos inflamatórios severos, má-formação congênita e intussuscepção. 

Os corpos estranhos são os maiores responsáveis pela casuística de obstrução intestinal. São objetos ingeridos pelos animais que não são digeridos ou eliminados naturalmente (brinquedos, pedaços de plásticos, linhas, fios, arames, pedras, ossos ou fragmentos ósseos e outros). 

Os tumores são originados pelo crescimento anormal das células do órgão em questão e dependendo do tamanho pode causar bloqueio na passagem. 

Bezoares são conjuntos de substâncias estranhas, orgânicas ou não (frutas, vegetais, pelos, cabelo, comprimidos), que se acumulam no trato gastrointestinal e impedem o fluxo de conteúdo.

Quanto às infestações parasitárias, comumente se diz respeito a vermes intestinais que, em grande quantidade, se amontoam e se alojam em qualquer parte estreita do intestino. 

Alguns microorganismos também provocam a formação de massas no lúmen intestinal que semelhante aos tumores também bloqueiam a passagem do conteúdo gástrico. 

E a intussuscepção é a invaginação de uma porção do aparelho gastrointestinal sobre o lúmen da porção adjacente, podendo ser única, múltipla ou composta.

As obstruções gastrointestinais provocam distúrbios no equilíbrio dos fluidos corporais e na concentração de eletrólitos pela hipersecreção e sequestro de líquidos para dentro do trato gastrointestinal, além do vômito constante e ingestão inadequada de água e nutrientes.

A obstrução gastrointestinal é uma doença muito comum na clínica de pequenos animais e pode provocar a morte do pet em poucos dias caso não haja atendimento e diagnóstico precoces. Pode acometer tanto cães quanto gatos, de qualquer idade, independentemente do sexo ou da raça.

Transmissão

- Não se aplica

Manifestações clínicas

- Assintomáticos

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

  • Êmese
  • Regurgitação
  • Sialorreia
  • Excitação
  • Disfagia
  • Anorexia
  • Inapetência
  • Letargia
  • Apatia
  • Emagrecimento
  • Diarreia
  • Dor abdominal
  • Alotrofagia
  • Aquesia
  • Constipação intestinal
  • Distensão abdominal
  • Hematoquezia
  • Desidratação
  • Tenesmo
  • Pirexia
  • Dispneia

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

  • Radiografia simples abdominal
  • Radiografia contrastada abdominal
  • Ultrassonografia abdominal
  • Endoscopia
  • Tomografia computadorizada
  • Parasitológico de Fezes
  • Hemograma completo
  • Glicose
  • Imunohistoquímica para Neoplasia (painel geral)
  • Histopatológico com Coloração Especial
  • Histopatológico com Coloração de Rotina
  • Potássio
  • Fósforo
  • Ureia
  • Creatinina
  • ALT - TGP
  • Albumina
  • Cloro (cloreto)

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

O tratamento será estabelecido de acordo com o estado geral do paciente na admissão do atendimento, bem como o diagnóstico oportuno da causa. Em muitos casos de obstrução gastrointestinal parcial ou total, é indicada a realizaçāo de procedimento cirúrgico para remoção da fonte de bloqueio do lúmen. 

Antibióticos, anti-inflamatórios e analgésicos podem ser utilizados no pós-cirúrgico. Dependendo do caso, pode ser recomendada a alteração temporária na dieta, até a completa recuperação do paciente.

Prevenção

Como pode ter múltiplas causas, não há prevenção específica para impedir a ocorrência da obstrução gastrointestinal. De maneira geral, o(a) responsável deve sempre manter bons hábitos para minimizar os riscos, como por exemplo, evitar que o animal tenha acesso a corpos estranhos, fornecer uma alimentação completa, balanceada e de boa qualidade, e proporcionar um ambiente rico em estímulos para que o animal se ocupe e não queira ingerir objetos não comestíveis. 

O(a) tutor(a) deve também manter um check-up periódico com o(a) médico(a) veterinário(a) para avaliação clínica, realização de exames, vacinas e vermifugações preventivas. Não se deve fornecer ossos, principalmente de galinha, a fim de evitar obstruções ou perfurações. 

Ao notar mudanças repentinas de comportamento ou aparecimento de sinais clínicos intensos no animal, o(a) responsável deve procurar ajuda o mais rápido possível, pois o diagnóstico precoce favorece o sucesso do tratamento e aumenta a chances de manter a vida do animal.

Referências Bibliográficas

ANDRADE, T. S. Correção cirúrgica de obstrução de trato gastrointestinal por corpo estranho em cão (Canis familiaris) - relato de caso. Anais da XXVI Jornada Científica do Curso de Graduação em Medicina Veterinária do UNIFESO/Teresópolis/RJ, 2017

HUNNING, P. S. et al. Obstrução intestinal por Pythium insidiosum em um cão -relato de caso. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v. 62, n.4,p.801-805, 2010

OLIVEIRA-BARROS, L. M.; MATERA, J. M. Intussuscepção em cães: revisão de literatura. Rev. Acad., Ciênc. Agrár. Ambient., Curitiba, v. 7, n. 3, p. 265-272, jul./set. 2009

PARRA, T. C. et al. Ingestão de corpo estranho em cães - relato de caso. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. Ano IX – Número 18 – Janeiro de 2012 – Periódicos Semestral

VIEIRA, I. H.et al. Obstrução intestinal por tricobezoar em cão - relato de caso. ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.15 n.28; p. 2018

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso