Tudo sobre: Orquite

Introdução

À inflamação do testículo dá-se o nome de orquite. Essa patologia é mais comum em cães do que em gatos, acomete geralmente animais mais jovens e não há predisposição racial para sua ocorrência. A infecção pode acontecer por via sanguínea, por infecções no trato urinário, na próstata ou por traumas na bolsa testicular. Existem vários tipos de microrganismos envolvidos na patogenia da doença, entre os que mais comumente afetam cães estão bactérias como a Brucella canis, Escherichia coli, Proteus vulgaris, Staphylococcus sp., Micoplasma canis, além de outros microrganismos como Blastomyces dermatiditis e Coccidioides immitis, o vírus da cinomose e protozoários como a Leishmania infantum. Dentre esses patógenos destaca-se a Brucella canis que é um importante microrganismo associado a perdas reprodutivas em canis, causa esterilidade e abortamentos, além de ter caráter zoonótico. Nos gatos, o agente mais associado às orquites é o vírus da peritonite infecciosa felina (PIF) e há também relatos de orquite concomitante ao vírus da imunodeficiência felina (FIV). Há ainda a orquite linfocítica em que não ocorre infecção por patógenos. Nesse tipo de orquite, a causa pode ser imunomediada, idiopática ou de origem traumática. O testículo possui barreiras naturais contra o ataque do próprio sistema imune do animal que reconhece o espermatozoide como sendo corpo estranho. Quando essa barreira é quebrada, o organismo pode produzir anticorpos contra os espermatozoides maduros e o parênquima do órgão recebe infiltração de células inflamatórias, os linfócitos.

As orquites são classificadas em agudas ou crônicas. Na doença aguda ocorre episódio súbito de dor, aumento de temperatura e edema em escroto, o animal fica mais letárgico e prostrado. Pode haver aparecimento de secreção purulenta na região prepucial. Na doença crônica o escroto pode estar aumentado, porém o animal não apresenta mais dor, ou pode haver redução de volume testicular. Isso ocorre devido inflamação e necrose com substituição do tecido testicular por tecido fibroso, ocasionando atrofia do órgão. Em orquites recorrentes, com curso longo ou quando há fibrose do tecido testicular, o animal pode se tornar infértil. 

Processos neoplásicos em região testicular podem ser semelhantes às orquites com relação aos sinais clínicos, então é importante a investigação e diagnóstico adequado.

Transmissão

-Vírus da cinomose: via aerossóis

-Leishmaniose: via picada de inseto contaminado (flebotomíneo ou mosquito palha)

-PIF: ingestão ou inalação de partículas virais em fezes contaminadas

-Bactérias ambientais que ascendem via trato urinário inferior

-Brucelose: oronasal, conjuntival e genital

Manifestações clínicas

Em casos agudos:

-Dor

-Edema testicular

-Aumento de volume

-Rubor local

-Hipertermia local

-Secreção purulenta no prepúcio

-Letargia

-Febre

 Em casos crônicos:

-Testículos firmes à palpação

-Redução de tamanho

-Aderência ao escroto

Tratamento

A retirada dos testículos afetados é o tratamento de escolha. Em caso de animal com alto valor genético, pode-se realizar a orquiectomia unilateral, porém isso é feito em casos extremamente pontuais. Ao tratamento cirúrgico se associa a antibioticoterapia de amplo espectro e altamente solúveis, além de analgesia para reduzir a dor e desconforto. Em casos de orquites secundárias a doenças sistêmicas, a causa inicial deve ser investigada e tratada.

Prevenção

A castração é a melhor maneira de prevenir orquites e outras doenças do sistema reprodutivo em machos. Em casos de canis comerciais, a entrada de novos animais deve seguir critério de investigação do local de compra, exames prévios e isolamento dos animais adquiridos. Para isso é sempre importante a consultoria de um médico veterinário como responsável técnico para canis e gatis.

Referências Bibliográficas

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LITTLE, S.E. Reprodução Masculina. Em:O Gato Medicina Interna/Susan E. Little. 1. ed., Ed. Guanabara Coogan, p. 1685,Rio de Janeiro, 2015.

MORAILLON, R.; LEGEAY, Y.; BOUSSARIE, D.; SÉNÉCAT, O. Manual Elsevier de Veterinária. Diagnóstico e tratamento de cães, gatos e animais exóticos. 7 ed. Editora Elsevier Masson, p.1014, Rio de Janeiro, 2013.

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