Tudo sobre: Oslerus Osleri

Introdução

Oslerus (Filarioides) osleri são vermes cilíndricos que parasitam o sistema respiratório de cães e canídeos silvestres. Esses parasitos formam nódulos de tamanhos variáveis, mas geralmente de até 1cm de diâmetro na área de bifurcação da traqueia e brônquios. Em casos mais graves, essas nodulações podem se estender para brônquios primários e secundários. Dentro dos cistos encontram-se embriões dos vermes que eclodem na traqueia e são infectantes, podendo contaminar saliva e fezes. Os parasitos machos medem cerca de 10 mm de comprimento, enquanto as fêmeas, maiores, podem chegar a 15 mm.

A infecção se dá por contaminação direta pela ingestão de larvas, quando os animais se lambem, pela regurgitação de alimentos para os filhotes ou pelo contato direto com fezes. Após a ingestão, as larvas chegam ao intestino delgado onde sofrem muda, entram na circulação linfática, atingem o coração e chegam à traqueia. Os parasitas adultos vivem em nódulos que irritam a traqueia ocasionando a tosse.

De ocorrência mundial, geralmente acomete cães de menos de dois anos de idade de quaisquer raças e sexo. A presença desses parasitos no trato respiratório dos animais promove processo inflamatório leve enquanto ainda estão vivos, porém quando morrem geram inflamação intensa com promoção de sinais clínicos como tosse e dispneia, intolerância ao exercício, cianose, emagrecimento e até a morte de animais jovens. 

Transmissão

Transmissão direta:

-Contato com fezes e saliva e secreções respiratórias contaminadas

-Regurgitação de alimento da mãe contaminada para os filhotes

-Lambedura no momento da higienização da pelagem da mãe para com os filhotes

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas quando presentes são inespecíficas e podem apresentar-se isoladamente ou em conjunto:

-Tosse não produtiva

-Tosse produtiva com eliminação de substância amarelada ou sanguinolenta 

-Dispneia

-Sibilos

-Ruídos traqueobrônquicos grosseiros

-Mímica de vômito

-Intolerância ao exercício

-Respiração ofegante

-Cianose

-Anorexia

-Emagrecimento

-Síncope

-Pirexia inconstante

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

-Broncoscopia

-Citopatológico

-Histopatológico

-Lavado traqueobronquial

-Radiografia de tórax

-Coproparasitológico

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

Consiste da administração de anti-helmínticos. O tratamento a ser instituído, bem como doses e tipos de anti-helmínticos ficam a critério do(a) médico(a) veterinário(a). Os sintomas tendem a reduzir em uma a duas semanas após o tratamento, porém os nódulos podem demorar um pouco mais para reduzirem. Em casos de obstrução grave das vias respiratórias o tratamento cirúrgico pode ser indicado.

Há relatos de ineficiência no tratamento com ivermectinas. Pode ser necessário uso de antibióticos pois os animais acometidos por Oslerus osleri podem apresentar infecção bacteriana secundária.

Prevenção

A limpeza do ambiente impede a contaminação via fecal. As fezes devem ser recolhidas, depois pode-se lavar com água, sabão e desinfetantes. Consultas periódicas ao(à) médico(a) veterinário(a) são fundamentais para avaliação da necessidade de utilização de vermífugos.

Referências Bibliográficas

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MUÑOZ, L. et al. Tos crónica en un perro asociada a Filaroides osleri. Parasitol Latinoam, v. 62, p. 72 - 75, 2007.

LÓPES, A. Sistema Respiratório. Em: Bases da Patologia em Veterinária. M. Donald McGavin, James F. Zachary. Ed elsevier, 4 ed., p. 491-492, 2009.

MORAILLON, R.; LEGEAY, Y.; BOUSSARIE, D.; SÉNÉCAT, O. Manual Elsevier de Veterinária. Diagnóstico e tratamento de cães, gatos e animais exóticos. 7 ed. Editora Elsevier Masson: Rio de Janeiro . p. 671, 2013.

KANAYAMA, K.K. Doenças de Traquéia e Brônquios em Cães. Em: Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos/ Márcia Marques Jericó, Márcia Mery Kogika, João Pedro de Andrade Neto. Ed. Roca, 1 ed., p. 3920-3923, Rio de Janeiro, 2015.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso