Tudo sobre: Osteomielite

Introdução

Osteomielite é a inflamação de um ou mais ossos. O processo inflamatório não fica limitado a alguma estrutura do osso, ou seja, é um processo generalizado que envolve o periósteo (camada mais externa), matriz óssea e canal medular, chegando à medula óssea. A osteomielite pode ser crônica ou aguda, sempre causada por um agente etiológico, ou seja, trata-se de uma infecção, que normalmente será bacteriana ou fúngica. Os microrganismos causadores mais comuns são as bactérias Staphylococcus spp. e Streptococcus spp, mas qualquer agente que entre em contato com o osso pode se estabelecer no local e causar a doença.

A osteomielite é normalmente causada pela exposição óssea, pois a infecção pela via hematógena (microrganismo chega pela corrente sanguínea) não é comum. As fraturas expostas são as causas mais comuns de osteomielite, mas a manipulação inadequada sem higienização em procedimentos cirúrgicos, bem como utilização de implantes ortopédicos contaminados também podem causar a doença. A infecção local, se não tratada adequadamente, pode se espalhar e causar um quadro sistêmico de sepse, culminando com o óbito do animal. O aspecto ósseo na radiografia se mostra como uma reação intensa com ou sem lise óssea (perda óssea em determinados pontos), sendo imprescindível diferenciar o processo infeccioso de uma neoplasia, como o osteossarcoma. 

Todos os ossos do organismo podem ser acometidos, mas considerando as principais causas, os ossos dos membros (principalmente nas extremidades) são os mais acometidos. Alguns sinais que o paciente com osteomielite vai apresentar são específicos para o local acometido, mas a osteomielite é sempre um processo doloroso.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Claudicação

- Dor

- Edema

- Dificuldade em se movimentar

- Hiporexia

- Apatia

- Pirexia

- Agressividade

- Hipotrofia muscular

Diagnóstico

- Exame clínico associado ao histórico do paciente

- Radiografia

- Hemograma completo

- Citologia

- Gram - microscopia direta

- Cultura e antibiograma 

- Cultura fúngica

Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

A terapia clínica se baseia na eliminação do agente causador. Na infecção bacteriana utilizam-se antibióticos de amplo espectro que tenham maior efeito sobre bactérias gram positivas, como amoxicilina com clavulanato e cefalexina. O itraconazol é o antifúngico de eleição no caso de osteomielite causada por fungos, pois possui menos efeitos colaterais e é eficiente no combate aos principais gêneros de fungos relatados como causadores da doença. Porém, a escolha da medicação deve ser extremamente cautelosa para evitar resistência, e o ideal é que seja feita uma cultura com antibiograma ou antifungigrama para direcionar o tratamento. 

No caso de fraturas expostas, além do tratamento medicamentoso, a resolução cirúrgica deve ser emergencial, para minimizar o tempo de exposição óssea. O tratamento de pacientes que apresentam osteomielite após intervenção cirúrgica, com o osso ainda em processo de reparação e com presença de implante, é um desafio. Isto ocorre pois o implante de titânio ou aço inoxidável forma um biofilme, ou seja, os microrganismos se depositam no material e há uma barreira contra a ação de antibióticos, impedindo eficiência completa do tratamento. Os cães e gatos, diferentemente dos humanos, podem apresentar consolidação óssea na presença de infecção, por isso a recomendação é realizar o tratamento cirúrgico até completa reparação da lesão óssea e posterior remoção dos implantes de forma cirúrgica. Nos casos não responsivos e quando há comprometimento sistêmico do paciente, os implantes devem ser removidos e outra estratégia ortopédica deve ser abordada. Após retirada do material que ficou em contato com o osso, é preciso fazer um debridamento intenso, como se fosse uma raspagem do local, com lavagem abundante, para remoção dos microrganismos do biofilme. 

Analgésicos e anti-inflamatórios são frequentemente associados no tratamento, assim como antitérmicos quando o paciente apresenta febre. Quando há acometimento generalizado, a terapia intensiva com hospitalização, reposição hidroeletrolítica, antibioticoterapia intravenosa e controle nutricional podem ser necessários. Nos casos mais graves, onde o tratamento clínico ou cirúrgico falha, a amputação do membro ou remoção do fragmento ósseo acometido pode ser necessária para manutenção da vida.

Prevenção

Minimizar qualquer chance de trauma e, consequentemente fraturas ou danos que levem a exposição óssea, é fundamental. Isso pode ser conseguido principalmente ao impedir o acesso dos animais à rua sem responsáveis, já que uma das grandes causas de traumatismos são atropelamentos, brigas e maus tratos. 

A prevenção da osteomielite também passa pelo médico veterinário ortopedista que, ao realizar procedimentos e utilizar implantes, deve respeitar todas as normas de assepsia e antissepsia, com máximo de higiene e qualidade. Toda intervenção ortopédica requer uso de antibiótico preventivo cerca de trinta minutos antes do início da cirurgia e antibioticoterapia por cerca de sete a 10 dias.

Referências Bibliográficas

Denny, H. R. & Butterworth, S. J. 2006. Cirurgia Ortopédica em Cães e Gatos. 4ed., São Paulo: Roca, 504p.

Fossum, T.W. Small animal surgery. 2012. 2ed. Missouri: Mosby, 1640p.

Lima, T.B. et al. Osteomielite fúngica em fratura de tíbia de cão: relato de caso. Revista Brasileira de Ciência Veterinária. v.20, n.3, p.132-136, 2013. 

Piermattei, D.L.; Flo, G.L. e Decamp, C.E. Ortopedia e Tratamento das Fraturas dos Pequenos Animais.2009. São Paulo: Manole. 896p.

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