Tudo sobre: Pan-hipopituitarismo

Introdução

O pan-hipopituitarismo ou nanismo hipofisário canino é causado por deficiência do hormônio de crescimento (GH), resultando em retardo do crescimento, caracterizado como nanismo proporcional e alterações de crescimento da pelagem. Esta patologia ocorre, portanto, por uma diminuição da função hipofisária hereditária. 

O nanismo ou atraso do crescimento pode decorrer de causas endócrinas e não endócrinas, podendo ser apenas devido à deficiência do hormônio de crescimento ou devido a uma combinação de deficiência hormonal da hipófise. 

Acomete com maior frequência cães da raça Pastor Alemão (“Pastor Alemão anão”), e acredita-se que nesses animais a deficiência hormonal provavelmente ocorra devido uma mutação genética responsável pela ineficácia da expansão ou diferenciação as células tronco hipofisárias (hipótese). Também já foi observado nanismo hipofisário nas raças Weimaraner, Spitz, Pinscher miniatura, Karelian Bear Dog e Labrador Retriever, e em gatos.

Acomete 1% da população canina e 18% carregam o gene causador da doença. Não há predominância sexual para a doença. Nos machos acometidos, é comum que também tenham criptorquidismo uni ou bilateral, ou até mesmo testículos menos desenvolvidos. As fêmeas podem apresentar estro (cio) persistente, caracterizado por edema da vulva, atração dos machos e corrimento vaginal sanguinolento por mais de quatro semanas.

O prognóstico a longo prazo é reservado, dependendo da intensidade da deficiência hormonal (GH) e no geral a sobrevida varia de três a 10 anos.

Transmissão

-Hereditario (anormalidade autossômica recessiva)

Manifestações clínicas

  • Nanismo após os três meses de idade, em média
  • Falha de crescimento dos pelos
  • Alopecia bilateral simétrica no tronco
  • Pele hiperpigmentada, escamosa, fina e pode haver comedos
  • Piodermite
  • Seborreia
  • Dermatite
  • Agressividade
  • Medo
  • Erupção dentária tardia
  • Mandíbula curta
  • Megaesôfago (diagnosticado com exames complementares)
  • Distúrbios cardíacos (verificados após exames clínico e complementares)
  • Inapetência 
  • Prostração
  • Insuficiência renal (diagnosticado com exames complementares)

Diagnóstico

Associação entre anamnese detalhada e exames físico e complementares. O(a) médico(a) veterinário(a) pode realizar/ solicitar os seguintes exames complementares:

  • Hemograma
  • Testes de função hipofisária
  • Ureia 
  • Creatinina
  • Dimetilarginina simétrica (SDMA)
  • Urinálise
  • Dosagem de hormônios tireoidianos
  • Dosagem do fator de crescimento semelhante à insulina 1

- Radiografias ósseas evidenciando atraso no fechamento de placas de crescimento

- Ressonância magnética

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

Não há tratamento definitivo para o nanismo hipofisário. O hormônio de crescimento canino ainda não está disponível para uso terapêutico, porém, foram experimentados os hormônios de crescimento suíno e humano. No entanto, em razão das diferenças entre o hormônio de crescimento de cães e humanos, a formação de anticorpos pode impedir a utilização do GH humano. 

O tratamento pode resultar em excesso de GH, podendo ocasionar diabetes mellitus. Não há aumento significativo do tamanho corporal na maioria dos cães, pois o crescimento das placas ósseas já está encerrado ou estão prestes a se encerrar no momento em que se diagnostica a doença. 

Os progestágenos também podem ser utilizados como tratamento, demonstrando melhor resposta dos animais tratados, porém apresenta vários efeitos colaterais como alteração de pele (com coceira), desenvolvimento de anomalias esqueléticas, neoplasias mamárias, entre outros.

Prevenção

Como pode apresentar caráter hereditário, recomenda-se retirar da reprodução e castrar animais portadores de nanismo hipofisário para que não haja a transmissão da alteração genética para descendentes.

Referências Bibliográficas

LAPORTE, S.M. Nanismo Hipofisário Canino: Revisão de literatura e relato de caso. Universidade Federal de Minas Gerais - Escola de Veterinária. Belo Horizonte, 2012.

NELSON, Richard; COUTO, C. Guillermo. Medicina interna de pequenos animais. Elsevier Brasil, 2015.

NODA, R.S.N.; HAGIWARA , M .K .; IWASAKI, M. Panhipopituitarismo juvenil em um cão. Rev.Fac.Med.vet.Zootec.Univ. S.Paulo, 2 0 (2 ): 155-59, 1983.

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