Tudo sobre: Parvovirose Canina (PVC)

Introdução

A Parvovirose é uma infecção viral altamente contagiosa que provoca doença sistêmica com efeitos principalmente gastrintestinais e imunológicos em cães jovens de seis a 16 semanas. O vírus procura atingir rapidamente células com alta taxa de mitose, como as intestinais e da medula óssea, podendo acometer também o miocárdio.

A viremia (presença do vírus na circulação sanguínea) ocorre do 3° ao 5° dia pós-infecção e precede os sinais clínicos, e após o 4° dia de infecção o vírus pode ser detectado nas células do epitélio intestinal. Acomete cães de qualquer raça, porém as raças Rottweiler, American Pit Bull Terrier, Labrador Retriever, Doberman Pinscher e Pastor Alemão parecem ser mais predispostos que as demais, apresentando uma infecção mais grave, podendo até ser infectados na fase adulta. Os gatos também podem ser acometidos e apresentam sinais clínicos semelhantes aos observados em cães, mas é raro.

A doença pode resultar em intussuscepção, coagulação intravascular diseminada, choque endotóxico, sepse e morte do animal. 

Transmissão

-Fezes 

-Fômites

-Ambiente contaminado

Manifestações clínicas

Os sinais clínicos podem ser variáveis, dependendo diretamente da idade do animal, estado imunológico, presença de outros patógenos como parasitos ou bactérias entéricas e a dose viral infectante.

-Anorexia

-Êmese

-Diarreia aquosa

-Diarreia sanguinolenta

-Desidratação grave

-Apatia

-Perda de peso rápida e intensa

-Taquicardia - mucosas pálidas e pegajosas

-Dor abdominal

-Pirexia

-Choque

-Sinais de hipoplasia cerebelar

-Morte dos animais quando não tratados

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

-Exames que o médico veterinário pode solicitar:

-Hemograma

-Perfil Bioquimímico

-Radiografia e Ultrassonografia abdominal para descartar corpo estranho e intussuscepção

-Elisa em fezes

-Isolamento viral

-PCR (parvovírus canino)

-Prova de hemaglutinação em amostra fecal

-Inibição da hemaglutinação em soro

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário. 

Tratamento

É necessária uma terapia intensiva com hospitalização: isolamento de outros pacientes, pois os animais infectados liberam grande quantidade do vírus nas fezes; correção da desidratação com fluidoterapia endovenosa; administração de fármacos como analgésicos; antieméticos; bloqueadores de H2 para diminuir as náuseas e antibióticos são importantes na manutenção da vida do animal; alimentação via sonda nasogástrica ou esofágica em pequenas quantidades até que os episódios de vômito cessem, melhorando a morbidade, e suporte nutricional durante o tratamento. Quando os cães estiverem aptos a voltar a comer espontaneamente deve ser introduzido uma dieta hipercalórica com transição gradual para a dieta normal.

Prevenção

As estratégias de prevenção consistem em evitar aglomeração de animais e más condições de saneamento, realizando limpeza ambiental frequente; vacinação com vírus vivo modificado (VVM) administrada com seis, nove, 12 e 16 semanas de idade, sendo que raças de alto risco podem exigir períodos iniciais mais longos, prolongando-se por até 22 semanas e vacinação polivalente com reforço anual.

O contato com animais doentes e passeios antes do protocolo vacinal devem ser evitados. Recomenda-se a higienização do local onde o animal fica com frequência, assim como acompanhamento médico veterinário periódico.

Referências Bibliográficas

BARR, S.C; Bowman, D.D. Doenças Infecciosas e Parasitárias em Cães e Gatos - Consulta em 5 minutos. Editora Revinter, p. 365-371, 2010. 

CRIVELLENTI, L. Z.; SOFIA, B.C.. Casos de Rotina em Medicina Veterinária de Pequenos Animais, São Paulo, ed.2, p.174-175, 2015.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso