Tudo sobre: Pericardite

Introdução

Pericárdio é o nome da estrutura que envolve o coração, um “saco” fibroelástico responsável por restringir o volume cardíaco, estabilizar o coração no mediastino e proteger o órgão de infecções em sistemas próximos a ele.

As doenças pericárdicas são de ocorrência esporádica na rotina de pequenos animais, e dentre elas podem ser citadas as pericardites constritivas, infecciosas, inflamatórias e idiopáticas. Todas possuem alta possibilidade de agravamento e formação de líquido livre que prejudicará a capacidade cardíaca, denominada efusão pericárdica. É importante conhecê-las porque, apesar de apresentarem sinais clínicos de cardiopatias, sua abordagem terapêutica é distinta de outras cardiopatias. 

A pericardite consiste no espessamento e fibrose do pericárdio com consequente redução da capacidade de expansão dos músculos cardíacos de forma que a contração torna-se prejudicada. Sabe-se unicamente que a pericardite inflamatória ocorre mais frequentemente em cães de grande porte com cinco anos ou mais. O prognóstico da origem idiopática é favorável, na infecciosa é reservado dependendo do patógeno causador, assim como na inflamatória e a constritiva.

Na pericardite idiopática a causa é desconhecida. No caso da inflamatória sabe-se que há uma predisposição genética ao desencadeamento da cascata de inflamação. A constritiva não possui sua origem elucidada por completo, sendo por vezes integrada à categorização de idiopática.

A mais reconhecida na clínica de pequenos animais envolve a pericardite infecciosa, a qual possui diversas causas nas mais distintas espécies. Nos cães, as causas mais conhecidas são infecções por Actinomyces spp., Coccidioides immitis, Streptococcus canis, Pasteurella spp., Aspergillus spp., Bacteroides spp., tuberculose, leptospirose e infecção por protozoários. 

Nos felinos, a ocorrência é rara (tanto da infecciosa quanto dos demais acometimento pericárdicos),e quando ocorre está frequentemente associada à infecção pelo vírus da leucemia felina (FeLV), pielonefrite, piotórax, corpos estranhos e infecções por Enterococcus spp. e Escherichia coli.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Insuficiência cardíaca congestiva (ICC)

- Tamponamento cardíaco

- Efusão pleural

- Efusão pericárdica

- Ascite

- Distensão das veias, especialmente jugular

- Dispneia

- Intolerância ao exercício

- Fraqueza

- Síncope

- Emagrecimento progressivo

- Sopro sistólico de grau variável

- Hipofonese cardíaca

- Pirexia

Diagnóstico

- Hemograma

- ALT- TGP

- AST - TGO

- Ureia 

- Creatinina

- Dimetilarginina simétrica (SDMA)

- Urinálise

- Sorologia FIV e FeLV (felinos) 

- Eletrocardiograma

- Radiografia de tórax

- Ecocardiograma

- Cultura e antibiograma - posterior a pericardiocentese (casos de efusão)

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

Em casos de pericardite infecciosa, o uso de antibioticoterapia, antiparasitários ou antifúngicos pode ser recomendado por até seis meses dependendo da causa de base do desenvolvimento, e nas pericardites inflamatórias recomenda-se o uso de corticóides e diuréticos.

Quando houver efusão pericárdica, o(a) médico(a) veterinário(a) pode fazer a pericardiocentese, que consiste na perfuração com auxílio de um cateter do saco pericárdico, visando remover o excesso de líquido no espaço entre o pericárdio e o coração. Deve ser sempre realizada guiada por eletrocardiograma e ecocardiograma, pois quando ocorre o contato do cateter com a musculatura cardíaca haverá a formação de arritmias potencialmente fatais ao animal se forem mantidas. 

Em casos de pericardite constritiva ou idiopática, recomenda-se a realização de pericardiectomia, procedimento cirúrgico que consiste na retirada do saco pericárdico, parcial ou em toda sua totalidade. Apresenta como principais complicações pós-operatórias, especialmente no caso da retirada total, a ocorrência de tromboembolismo arterial pulmonar, arritmias e, em alguns casos, até pode levar o animal a óbito. 

Prevenção

Não há prevenções possíveis para a pericardite idiopática, constritiva e inflamatória, pois seu desenvolvimento ainda não é completamente conhecido. Já a pericardite infecciosa pode ser evitada ao se prevenir as causas de base, por exemplo: vacinar os cães contra a leptospirose e sempre atentar-se aos sinais clínicos que o animal possa apresentar a fim de que possíveis infecções sejam precocemente detectadas, impedindo progressão sistêmica. Além disso, quando as medicações forem prescritas pelo(a) médico(a) veterinário(a), estas devem ser realizadas na posologia e duração recomendadas, evitando-se resistência e eventuais complicações.

Referências Bibliográficas

PEREIRA, G. G.; LARSSON, Maria H. M. A.. Afecções Pericárdicas e Neoplasia Cardíaca: Pericardite Constritiva. In: JERICÓ, Márcia Marques; NETO, João Pedro de Andrade; KOGIKA, Márcia Mery. Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos. 1. ed. Rio de Janeiro: Roca, 2015. v. 1, cap. 137, p. 1206 - 1214.

KARAMMM. A.; JORGER. C.; HAGEN. K.; KRISHNA K. D.; DUARTE R. Pericardite constritiva em cão pastor alemão. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, v. 10, n. 1, p. 54-54, 11.

TEIXEIRA, M. T. B.. Pericardiectomia no Cão - Estudo Retrospectivo de Onze Casos Clínicos. 2009. 71 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Medicina Veterinária) - Universidade de Tras Os Montes e Alto Douro, Vila Real, 2009.

OLIVEIRAB. M.; SOUZAS. S.; OTTMANNJ. F.; BAYARRIB. D.; PEREIRAL.; NISHIYA A. T. Pericardiectomia no tratamento de pericardite crônica em cão: relato de caso. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, v. 11, n. 2, p. 91-92, 11.

GOMES, J. M.; SANTOS, A.; RIBEIRO, J.; RESENDE, L.; FAÍSCA, P.; PARREIRA, P.; CARDOSO, N.. Pericardite Fibrinopurulenta: Caso Clínico. Revista Lusófona de Ciência e Medicina Veterinária, [s. l.], p. 1 - 4, 15 jul. 2015.

SOUZA, S. M. de. Efusão Pericárdica em Cães e Gatos: Revisão de Literatura. 2018. 65 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Medicina Veterinária) - Universidade de Brasília Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, [S. l.], 2018.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso