Tudo sobre: Peritonite Infecciosa Felina (PIF)

Introdução

A Peritonite Infecciosa Felina (PIF) é uma doença infecciosa viral de gatos que se caracteriza por início aparentemente brando com febre não responsiva persistente, reação tecidual piogranulomatosa, com acúmulo de efusões exsudativas em cavidades corporais (líquido no abdome) e alta mortalidade. A doença é causada por um Coronavírus e existem dois genômicos, sendo eles o FCo V-1, que causa em torno de 85% das infecções, e o FCo V-2. 

A doença se manifesta de duas maneiras: a forma efusiva que é caracterizada pelo acúmulo de efusões (líquidos) pleural e/ ou abdominal, e a forma não efusiva (seca), onde há o desenvolvimento de lesões piogranulomatosas em órgãos bastante vascularizados, resultando em sinais clínicos variáveis de acordo com a região afetada. A doença pode causar também lesões no sistema nervoso central (SNC), principalmente nas meninges, nos olhos levando a uveíte e coriorretinite e em fêmeas gestantes podem infectar os fetos, resultando em morte fetal ou doença neonatal.

Algumas linhagens de gatos parecem ser mais suscetíveis. A incidência maior ocorre em animais com três meses a três anos de vida, sendo que quando os animais atingem três anos essa incidência diminui e volta a aumentar em animais com mais de 10 anos de idade. 

Transmissão

- Eliminação fecal do vírus

- Transplacentária

Manifestações clínicas

- Pirexia

- Aumento abdominal gradual

- Anorexia

- Letargia

- Perda de peso

- Sinais neurológicos

- Apatia

- Crescimento retardado

- Pelagem opaca e áspera

- Icterícia

- Alterações oculares

Diagnóstico

O(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar os seguintes exames complementares:

-Hemograma completo*

-Perfil de bioquímica sérica 

-Testes sorológicos

-Provas de PCR

-Análise das efusões (pleural e/ ou abdominal)

-Inumohistoquímica

-Ultrassonografia abdominal

-Biópsia de alça intestinal

-Histopatologia

-Necrópsia (post mortem)**

*Inicialmente pode apresentar leucopenia (diminuição dos leucócitos) para depois apresentar leucocitose (aumento dos leucócitos). Pode apresentar anemia de leve a moderada, e hiperglobulinemia (aumento da concentração de imunoglobulinas - anticorpos- no sangue), hiperbilirrubinemia (aumento da concentração da bilirrubina no sangue) e hiperbilirrubinúria (presença de bilirrubina na urina).

**Diagnóstico definitivo é realizado por meio da necropsia, histopatologia e realização de imunohistoquímica.

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

Não há tratamento específico e quase sempre a terapia é ineficaz . Na forma efusiva pode ser necessário realizar abdominocentese (drenagem do líquido do abdome) e/ ou toracocentese drenagem do líquido do tórax) para a melhora clínica do paciente. A febre é irresponsiva ao uso de antibióticos. O animal deve receber cuidados de suporte como fluidoterapia e cuidados alimentares, se necessário fazer uso de sonda nasogástrica ou esofágica. É importante tratar infecções e lesões secundárias. Pode ser utilizado imunomoduladores ou imunossupressores, mas o uso desses ainda é questionável.

Prevenção

Deve ser realizada a desinfecção de rotina de instalações, gaiolas e vasilhas de água e ração na tentativa de desativar o vírus, diminuindo assim a transmissão. Restringir gatos domiciliados ao ambiente doméstico, dessa maneira os animais não terão contato com as fezes de animais positivos e não permitir o contato direto com animais errantes.

Referências Bibliográficas

BARR, Stephen C; Bowman, Dwight D. Doenças Infecciosas e Parasitárias em Cães e Gatos - Consulta em 5 minutos. Editora Revinter, p. 373-379, 2010. 

CRIVELLENTI, Leandro Zuccolotto; SOFIA, Borin- Crivellenti . Casos de Rotina em Medicina Veterinária de Pequenos Animais, São Paulo, ed.2, p.175-175, 2015.

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