Tudo sobre: Persistência do arco aórtico

Introdução

As anomalias dos vasos sanguíneos do tórax congênitas (surgem antes mesmo do nascimento) podem ser classificadas de acordo com sua origem, atingindo as veias ou as artérias. Sua presença em pequenos animais geralmente é considerada incomum, com exceção da persistência do ducto arterioso, o qual é abordado em outro item presente no site.

A persistência do arco aórtico, também conhecido como arco da aorta (local onde a aorta muda seu trajeto de ascendente para descendente) ocorre devido a defeitos no arco aórtico durante a fase de embrião.

Dentre as anomalias do anel vascular a mais comum é a persistência do arco aórtico direito – sendo as raças mais predispostas o Boston Terrier, o Setter Irlandês e o Pastor Alemão.

Estas anomalias são pouco relatadas em gatos, sendo que a predisposição racial ainda não foi definida, entretanto , gatos siameses e persas foram diagnosticados mais frequentemente que outras raças.

Estes defeitos provocam compressão do esôfago (conduto que liga a boca ao estômago), podendo gerar um megaesôfago (alargamento do esôfago) secundário. A dilatação do esôfago leva ao acúmulo de alimento neste órgão.

Os sinais clínicos evidenciam-se principalmente a partir do desmame, devido à introdução de alimentos sólidos na dieta do animal, com a maioria dos pacientes sendo diagnosticados entre dois e seis meses de idade.

Transmissão

- Congênita

Manifestações clínicas

- Regurgitação
- Emagrecimento progressivo*
- Pneumonia por aspiração alimentar
- Tosse
- Crepitação pulmonar
- Cianose


* É comum perda de peso e dificuldade de ganho de peso, apesar dos animais apresentarem apetite normal. A regurgitação geralmente ocorre imediatamente após a alimentação, mas pode se apresentar de forma retardada.


Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Diagnóstico

Para o diagnóstico, deve-se associar sinais clínicos, exame físico e exames complementares que podem ser solicitados pelo(a) médico(a) veterinário(a), entre eles:

- Hemograma (o qual apresentará alterações de acordo com o distúrbio causado pela doença, como por exemplo no caso de pneumonia)

- Radiografia simples

- Radiografia contrastada do esôfago

-Tomografia computadorizada

- Ecocardiograma

- Eletrocardiograma

- Necropsia (post-mortem)

Tratamento

O tratamento depende da identificação da anomalia vascular, geralmente visualizada durante o procedimento cirúrgico para correção do anel vascular.

Nos casos de pneumonia, esta deve ser adequadamente tratada de acordo com acompanhamento do médico(a) veterinário(a) anteriormente à intervenção cirúrgica.

Caso o megaesôfago já tenha se desenvolvido, o tratamento do animal deverá ser de acordo com o manejo adequado a este distúrbio.

Prevenção

A identificação precoce da má formação vascular e realização do procedimento cirúrgico evita maiores danos ao esôfago, levando a menores chances de megaesôfago irreversível e perda da motilidade do órgão, de forma a melhorar a qualidade de vida futura do animal.

Não é recomendado que animais diagnosticados com persistência do arco aórtico sejam utilizados para reprodução.

Referências Bibliográficas

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HERKER, C. P. et al. Persistência de quarto arco aórtico direito (PAAD) em cão: relato de caso. Eventos Científicos da Fundação Educacional de Ituverava, v. 3, n. 3, 2018.

JERICÓ, M.M. et al. Tratado de medicina interna de cães e gatos. 2 v. 1ed. São Paulo: Roca, 2015, 2464 p.

LOPES, R. et al. Utilização de Tomografia Computadorizada no Diagnóstico de Arco Aórtico Persistente em Cão Jovem. Centro Hospitalar Veterinária. 2004.

OLIVEIRA, E.C. de. et al. Persistência do arco aórtico direito em um cão - Relato de caso. Revista da FZVA.

SEBASTIANI, T. F. PERSISTÊNCIA DO ARCO AÓRTICO DIREITO EM FELINO ADULTO – RELATO DE CASO. Especialização Programa de Residência em Medicina Veterinária. Universidade Federal do Paraná – Campus de Palotina. 2013.

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