Tudo sobre: Prostatite e Abscesso Prostático

Introdução

A próstata é uma glândula que, sob ação de hormônios, promove a secreção de conteúdo essencial para a reprodução dos machos e está localizada próxima à bexiga. A prostatite é a inflamação desta glândula e, na presença de infecção bacteriana concomitante, pode haver formação de um abscesso, que é a formação de uma estrutura circundada por tecido conjuntivo firme, preenchida por pus no centro. Alterações na arquitetura do órgão favorecem a colonização de bactérias que podem chegar pela corrente sanguínea ou pelo sistema urinário (mais comum, devido à proximidade da próstata com a uretra) e por isso os microrganismos rotineiramente envolvidos na prostatite são os mesmos presentes em infecções do trato urinário.

A infecção prostática pode ser aguda ou crônica, sendo a forma crônica a mais comum. A forma aguda é perceptível pelos sinais clínicos e pouca alteração na conformação da próstata, enquanto na crônica a glândula apresenta alterações importantes no tamanho, contorno e simetria. O abscesso prostático gerado pelo acúmulo de pus na próstata, assim como a prostatite, é mais comum em cães e rara nos gatos.

Alterações na próstata são mais comuns nos cães de meia idade a idosos e não castrados, pois a influência hormonal é um fator importante no desenvolvimento de problemas neste órgão. Normalmente há hiperplasia prostática benigna (aumento de volume) e formação de cistos prostáticos, com posterior colonização de microrganismos e processo infeccioso. O aumento de volume prostático devido ao acúmulo de líquido reflete em outros órgãos, como o cólon (intestino grosso), podendo gerar constipação. Infecções urinárias também ocorrem de forma concomitante na maioria dos casos. Como o conteúdo de um abscesso é extremamente infeccioso, caso haja sua ruptura, o pus cai na cavidade abdominal e pode ocorrer uma infecção generalizada conhecida como septicemia, podendo evoluir para óbito, tornando a doença extremamente grave se não tratada.

A maioria dos animais acometidos são cães acima de oito anos de idade e não castrados.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

- Disquesia

- Tenesmo

- Hematoquezia

- Disúria

- Hematúria

- Desconforto abdominal 

- Dor abdominal

- Aumento de volume abdominal

- Êmese

- Letargia

- Anorexia

- Diarreia

- Pirexia

Diagnóstico

- Exame físico (palpação retal) associado ao histórico do animal

- Hemograma completo

- Ultrassonografia abdominal

- Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF)

- Citologia

- Urinálise

- Cultura e antibiograma combinados (anaerobios e aeróbios)

Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

Devido à influência hormonal, toda alteração prostática requer a castração dos machos acometidos como método de auxílio no tratamento. A castração inibe o crescimento exagerado e outras alterações desta glândula.

Abscessos pequenos podem ser tratados de forma clínica, com utilização de antibióticos e suporte ao paciente (corrigir desidratação, suporte nutricional, controlar febre e dor). Anti-inflamatórios também podem ser usados em conjunto. A drenagem do conteúdo pode ser realizada, mas recomenda-se que ela seja guiada por ultrassonografia para maior segurança. 

O tratamento cirúrgico deve ser realizado em casos de abscessos grandes e resistentes ao tratamento clínico, sendo realizada principalmente remoção parcial da próstata (prostatectomia parcial) ou a omentalização da próstata, ou seja, um pedaço de omento (tecido que recobre os órgãos da cavidade abdominal) é passado internamente no órgão e este tecido realizará funções como impedir a disseminação da infecção e absorver/ neutralizar o conteúdo infeccioso.

Prevenção

A única maneira de prevenir alterações na próstata é eliminando a influência hormonal, ou seja, realizando a castração dos machos. 

Referências Bibliográficas

Di Santis, G.W.; Amorim, R.L. e Bandarra, E.P. Aspectos clínicos e morfológicos das alterações prostáticas em cães – revisão. Revista de Educação Continuada CRMV-SP. v.4, p.46-52, 2001.

Mussel, C. et al. Métodos de diagnóstico para a detecção de prostatopatias caninas. Ciência Rural. v.40, p.2616-2622, 2010. 

Smith, J. Canine prostatic disease: A review of anatomy, pathology, diagnosis and treatment. Theriogenology. v.71, p.375-383, 2008. 

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso