Tudo sobre: Rabdomioma e Rabdomiossarcoma Cardíacos

Introdução

Neoplasias de musculatura estriada são raras em todas as espécies de animais domésticos. Quando ocorrem, apenas acometem o coração em um terço das vezes. Esses tumores são ainda mais raros em gatos do que em cães, sendo a frequência de 0,03% e 0,17%, respectivamente. 

O rabdomioma cardíaco, também denominado “rabdomiomatose,” “tumor glicogênico congênito”, “infiltração glicogênica nodular”, entre outras, é uma lesão caracterizada por grandes células do miocárdio vacuolizadas contendo glicogênio. Alguns autores descrevem o rabdomioma como uma neoplasia benigna solitária ou múltipla de origem nos músculos estriados, podendo ocorrer no miocárdio, musculatura esquelética da laringe e musculatura do crânio tanto em humanos como em animais. No coração, é mais comum que o tumor envolva os ventrículos, sendo incomum sua ocorrência em átrios. O rabdomioma é frequentemente relatado em porcos e porquinhos da índia, sendo raro em cães, bovinos, ovinos, caprinos e felinos domésticos. A etiologia e patogenia desta afecção não é compreendida. Nos estudos clínicos com humanos, alguns autores têm proposto que o rabdomioma é considerado uma alteração hamartomatosa ao invés de uma neoplasia verdadeira, e em bebês ela está frequentemente associada às malformações congênitas e neoplasias. Porém, outros pesquisadores têm considerado a alteração como uma lesão degenerativa das células do miocárdio, caracterizadas por acúmulo de glicogênio associado à displasia congênita do tecidos cardíaco. Geralmente animais com rabdomioma cardíaco não apresentam alterações no hemograma, função hepática, nível de glicose e eletrocardiograma.

Rabdomiossarcoma é um tumor de ocorrência incomum em cães, ocorrendo principalmente na bexiga urinária. Existem poucos casos de rabdomiossarcoma cardíaco nesta espécie. Quando esse tumor ocorre no coração, ele pode envolver tanto os átrios, quantos os ventrículos e valvas. Além disso, efusão pleural associada pode ocorrer. Em relação à causa, tem sido relatado que o rabdomiossarcoma de bexiga e uretra surgem a partir de tecidos embrionários. Porém, quando este tumor acomete tecidos musculares estriados, geralmente ocorre em cães adultos, o que sugere que sua origem não seja congênita. Nesses casos, os sinais clínicos estão associados a líquidos no espaço pleural, no saco pericárdico e no abdômen. Só há um relato de rabdomiossarcoma em gatos na literatura, e poucas são as informações quanto aos sinais clínicos, etiologia, tratamento, tempo de sobrevida e prognóstico. 

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Rabdomioma

Há pouco relatos em animais. Em seres humanos a sintomatologia é caracterizada por:

- Cardiomegalia

- Insuficiência cardíaca congestiva

- Arritmia cardíaca

- Morte súbita


Rabdomiossarcoma

- Anorexia 

- Fraqueza

- Inapetência

- Distensão abdominal (ascite)

- Dispneia

- Taquicardia

- Êmese

- Diarreia

Diagnóstico

Associação da anamnese detalhada aos exames físico e complementares. Exames que podem ser solicitados/ realizados pelo(a) médico(a) veterinário(a):

- Hemograma

- Bioquímica sanguínea

- Avaliação laboratorial do líquido abdominal

- Eletrocardiograma

- Ecocardiograma

- Exame histopatológico da massa cardíaca 

Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

Inicialmente, caso o paciente esteja apresentando efusão pericárdica, é indicada a realização de pericardiocentese para estabilização do mesmo. A pericardiectomia total ou parcial, que consiste em retirada cirúrgica de uma porção ou de todo o pericárdio pode ser recomendada em casos de tumor cardíaco com efusão pericárdica secundária e/ ou tamponamento cardíaco, com o intuito de evitar a recorrência de efusão pericárdica.

Não há relatos de tratamento ou protocolo terapêutico determinado para rabdomioma ou rabdomiossarcoma em espécies de animais domésticos. Outros tipos de tumores, tais como o hemangiossarcoma, podem em alguns casos ser removidos cirurgicamente. A quimioterapia e radioterapia podem ser utilizadas em casos de tumores cardíacos, mas apresentam valor limitado e custo elevado. 

O prognóstico de neoplasias cardíacas é variado, sendo geralmente reservado ou desfavorável. Mesmo após a ressecção cirúrgica, o tempo de sobrevida é baixo, variando de quatro a cinco meses em cães com hemangiossarcoma. 

Prevenção

Não há medidas preventivas. 

Referências Bibliográficas

Kizawa, K; Furubo S, Sanzen T, Kawamura Y, Narama I; Cardiac Rhabdomyoma in a Beagle Dog; J Toxicol Pathol 2002; 15?69-72

Pérez J, Pérez- Rivero A, Montoya A, Mantín MP, Mozos E; Rigth-Sided Heart Failure in a dog with Primary Cardiac Rhabdomiosarcoma; J Am Anim Hosp Assoc 1998;34:208–11. 

Venco L, Kramer L, Sola LB, Moccia A; Primary Cardiac Rhabdomyosarcoma in a Cat; J Am Anim Hosp Assoc 2001;37;159-163

DALECK & DE NARDI; ONCOLOGIA EM CÃES E ATOS; 2ª Edição; Roca, 2016. Rio de Janeiro.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso