Tudo sobre: Raiva

Introdução

A doença é uma polioencefalite viral invariavelmente fatal de animais de sangue quente, incluindo humanos. Causada por um vírus do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae que penetra no corpo através de uma ferida, geralmente por mordedura de um animal contaminado ou através de mucosas, fazendo uma rápida replicação atingindo a junção neuromuscular e, posteriormente, se espalhando por todo o sistema nervoso central. Dessa maneira, provoca encefalite clínica levando à raiva paralítica ou nervosa, e atinge as glândulas salivares causando salivação excessiva contendo grande quantidade de vírus. Após a infecção do animal, a doença clínica é inevitável.

O período de incubação (tempo entre a exposição ao vírus e os primeiros sintomas) da raiva é extremamente variável e depende, fundamentalmente, da concentração do inóculo viral e da distância entre o local do ferimento e o cérebro. De igual forma, está relacionada com a extensão, a gravidade e o tamanho da ferida causada pelo animal agressor. E o período que vai desde o momento em que o agente penetra no organismo até o aparecimento da sintomatologia clínica pode variar, em média, de 20 a 90 dias, em humanos e animais.

O período de transmissibilidade é o período em que existe a possibilidade de transmissão do agente infeccioso de um organismo a outro. Varia de espécie a espécie, mas, em todos os animais, inclusive nos humanos, precede ao aparecimento da sintomatologia e perdura durante o quadro clínico, até a morte. Tal período foi bastante estudado em cães e gatos, sendo, na grande maioria das vezes, de cerca de dois a quatro dias antes do surgimento dos sintomas no animal até sua morte, que ocorre geralmente cinco dias depois.

O vírus da raiva é muito sensível aos agentes físicos e químicos, sendo possível a sua inativação em poucos minutos pela ação de ácidos e bases fortes, luz solar, alterações de pH e temperatura e raios ultravioleta.

A prevalência da doença é baixa, exceto em países não desenvolvidos, onde os índices de vacinação de cães e gatos é baixo. A distribuição da doença é mundial, exceto nas Ilhas Britânicas, na Austrália, na Nova Zelândia, no Havaí, no Japão e em algumas regiões da Escandinávia. 

Transmissão

Ferida causada por mordedura de animal infectado e secreções contendo o vírus.

Manifestações clínicas

- Bastante variáveis - com apresentações atípicas sendo mais a regra do que a exceção.

Classicamente existem três fases da doença que são:

Prodrômica - que são os primeiros sinais de mudança comportamental

- Animal busca o isolamento

- Apreensão

- Nervosismo

- Ansiedade

- Desconfiança ou agressividade incomuns

Em seguida animal apresenta a fase furiosa:

- Mordedura

- Sialorreia

- Abocanhamento

- Lambedura

- Mordedura da gaiola

- Perambulação e andar a esmo

- Excitabilidade

- Irritabilidade

- Ferocidade

- Alterações no tom do latido

Progredindo para sinais clínicos da fase paralítica:

- Desorientação

- Incoordenação

- Convulsões

- Paralisia

- Pirexia (febre)- pode estar presente ou não

- Morte - ocorre em torno de sete a 10 dias depois do início dos sinais clínicos

Observação: Em todas as fases o animal pode apresentar salivação em excesso ou produção de espuma pela boca - sendo exacerbada por paralisia mandibular e de laringe, resultando em queda da mandíbula e incapacidade de deglutir

Diagnóstico

- Não existem alterações características no hemograma, perfil de bioquímica sérica e urinálise

- Líquido cefalorraquidiano- pode observar proteína e contagem de células de defesa levemente aumentado

- Imunofluorescência em tecido nervoso após o óbito do animal (definitivo)

- Imunofluorescência em tecido de derme (não é definitivo)

Tratamento

Os casos suspeitos devem ser manejados com muito cuidado, limitando, assim, o número de indivíduos expostos. As pessoas que tiveram contato com animais suspeitos e foram mordidas ou tiveram contato com a saliva devem procurar imediatamente um médico para iniciar tratamento pós-exposição; agentes locais de saúde pública devem ser notificados assim que possível. Caso haja dúvida em relação ao diagnóstico, o animal deve permanecer de quarentena em local autorizado, com sistema apropriado de sinalização e segurança na gaiola, onde somente pessoas designadas devam ter acesso.

Um cão ou gato aparentemente sadio que morda ou arranhe uma pessoa deverá ser monitorado durante um período de 10 dias. Se nesse período não houver sinal da doença no animal, a pessoa não teve exposição alguma ao vírus, pois os animais não disseminam o vírus por mais de três dias depois do desenvolvimento da doença clínica. 

Em animais não vacinados que tenham sido mordidos por um animal sabidamente raivoso ou a ele tenham sido expostos, recomenda-se quarentena por até seis meses ou conforme a legislação local ou estadual.

Nenhum tratamento medicamentoso é indicado e eficaz, uma vez feito o diagnóstico indica-se a eutanásia do animal.

Prevenção

Realizar a vacinação de acordo com as recomendações padrão e as exigências estaduais e locais. Vacinar todos os cães e gatos após quatro meses de vida e anualmente.

Fazer desinfecção de todo recinto, gaiola, vasilhame de ração ou instrumento contaminado, usando alvejante para a rápida inativação do vírus. Sempre manipular os animais suspeitos com luvas e outros equipamentos de proteção.

Referências Bibliográficas

BARR, Stephen C; Bowman, Dwight D. Doenças Infecciosas e Parasitárias em Cães e Gatos - Consulta em 5 minutos. Editora Revinter, p. 419-422, 2010. 

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de Vigilância Epidemiológica –Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 7ª edição,2010.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso