Tudo sobre: Raiva

Introdução

A Raiva é uma das doenças mais graves que existem, pois provoca polioencefalite viral invariavelmente fatal em animais de sangue quente, incluindo humanos. No entanto, sua prevalência é baixa, exceto em países não desenvolvidos, onde os índices de vacinação de cães e gatos é baixo. A distribuição da doença é mundial, exceto nas Ilhas Britânicas, na Austrália, na Nova Zelândia, no Havaí, no Japão e em algumas regiões da Escandinávia.

É causada por um vírus do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae que penetra no corpo através de uma ferida, geralmente por mordedura de um animal infectado ou através de mucosas. O vírus faz uma rápida replicação atingindo a junção neuromuscular e, posteriormente, se espalha por todo o sistema nervoso central e por todo o organismo, principalmente nas glândulas salivares, que produzirão saliva com intensa carga viral capaz de infectar outros animais. Após a infecção do animal a manifestação clínica é inevitável e o tempo pode variar de 10 a 90 dias.

A doença pode se manifestar de diferentes formas e muitas vezes com apresentações atípicas. Didaticamente divide-se em 3 fases: prodrômica, furiosa e paralítica.

Transmissão

  • Mordedura/Lambedura
  • Arranhadura

Manifestações clínicas

Prodrômica - que são os primeiros sinais de mudança comportamental

  • Animal busca o isolamento
  • Apreensão
  • Nervosismo
  • Ansiedade
  • Desconfiança ou agressividade incomuns

Furiosa:

  • Mordedura
  • Abocanhamento
  • Lambedura
  • Mordedura da gaiola
  • Perambulação e andar a esmo
  • Excitabilidade
  • Irritabilidade
  • Ferocidade
  • Alterações no tom do latido

Paralítica:

  • Desorientação
  • Incoordenação
  • Convulsões
  • Paralisia
  • Pirexia (febre)- pode estar presente ou não
  • Morte - ocorre em torno de 7 a 10 dias depois do início dos sinais clínicos

Observação: Em todas as fases o animal pode apresentar salivação em excesso ou produção de espuma pela boca - sendo exacerbada por paralisia mandibular e de laringe, resultando em queda da mandíbula e incapacidade de deglutir

Diagnóstico

  • Não existem alterações características no hemograma, perfil de bioquímica sérica e urinálise
  • Líquido cefalorraquidiano- pode observar proteína e contagem de células de defesa levemente aumentado
  • Imunofluorescência em tecido nervoso após o óbito do animal (definitivo)
  • Imunofluorescência em tecido de derme (não é definitivo)

Tratamento

Nenhum tratamento medicamentoso é indicado e eficaz, uma vez feito o diagnóstico indica-se a eutanásia do animal.

Prevenção

Realizar a vacinação de acordo com as recomendações padrão e as exigências estaduais e locais. Vacinar todos os cães e gatos após 4 meses de vida e anualmente.

Fazer desinfecção de todo recinto, gaiola, vasilhame de ração ou instrumento contaminado, usando alvejante para a rápida inativação do vírus. Sempre manipular os animais suspeitos com luvas e outros equipamentos de proteção.

Os casos suspeitos devem ser manejados com muito cuidado, limitando o número de indivíduos expostos. As pessoas que tiveram contato com animais suspeitos e foram mordidas ou tiveram contato com a saliva devem procurar imediatamente um médico para iniciar tratamento pós-exposição; agentes locais de saúde pública devem ser notificados assim que possível. Caso haja dúvida em relação ao diagnóstico, o animal deve permanecer de quarentena em local autorizado, com sistema apropriado de sinalização e segurança na gaiola, onde somente pessoas designadas devam ter acesso.

Um cão ou gato aparentemente sadio que morda ou arranhe uma pessoa deverá ser monitorado durante um período de 10 dias, se nesse período não houver sinal da doença no animal, a pessoa não teve exposição alguma ao vírus, pois os animais não disseminam o vírus por mais de três dias depois do desenvolvimento da doença clínica. 

Em animais não vacinados que tenham sido mordidos por um animal sabidamente raivoso ou a ele tenham sido expostos, recomenda-se quarentena por até seis meses ou conforme a legislação local ou estadual.

Referências Bibliográficas

BARR, Stephen C; Bowman, Dwight D. Doenças Infecciosas e Parasitárias em Cães e Gatos - Consulta em 5 minutos. Editora Revinter, p. 419-422, 2010. 

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de Vigilância Epidemiológica –Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 7ª edição,2010.

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