Tudo sobre: Sarcoma de Aplicação em Felinos

Introdução

O sarcoma de aplicação, denominado também como fibrossarcoma, é um tumor de origem epitelial que envolve diferentes tipos de tecido, ou seja, pode se desenvolver a partir de tecido adiposo, vascular, fibroso, muscular e nervoso, acometendo qualquer local do corpo.

A ocorrência do sarcoma de aplicação em gatos está associada à aplicação de vacinas ou medicamentos injetáveis, como antibióticos, anti-inflamatórios, esteróides, entre outros. A incidência e prevalência em felinos domésticos é baixa, representando por volta de 13% das neoplasias cutâneas nesses animais, o que sugere que a ocorrência desse tumor esteja relacionada também às características individuais de cada animal. 

A idade média de ocorrência é oito anos de idade e a média de tempo da aplicação de medicação ou vacinação e o aparecimento do tumor é de 11 meses, variando de quatro semanas a 10 anos. Pode ser classificado como solitário ou multicêntrico, sendo a primeira forma mais comum em gatos idosos e a segunda mais invasiva e comum em gatos jovens. Não há predileção sexual ou racial.

A probabilidade de ocorrência do sarcoma de aplicação em gatos está diretamente associada à quantidade de vezes que o animal é exposto a alguma injeção em um mesmo local, chegando a ser 175% maior a chance de desenvolver após a terceira aplicação. 

A causa exata do desenvolvimento do sarcoma a partir de injeções não é completamente compreendida, podendo estar associada a adjuvantes vacinais compostos por alumínio, predisposição genética, mutação dos genes supressores do tumor, bem como à resposta inflamatória dos gatos. Os vírus da FIV (Vírus da Imunodeficiência Felina) e da FeLV (Vírus da Leucemia Felina) não parecem participar da patogenia do sarcoma de aplicação. 

O tumor geralmente apresenta um crescimento inicial lento, evoluindo para um crescimento rápido e invasivo, que pode resultar em ulceração no local. Os locais mais comuns de desenvolvimento do sarcoma de aplicação nos gatos são na região interescapular (84%), femoral (6%), flanco (5%), lombar (3%) e glúteo (2%), podendo também ocorrer nos membros pélvicos e na região abdominal lateral.

Transmissão

- Não se aplica

Manifestações clínicas

- Ausência de incômodo ou sinal de dor inicial

- Presença de nódulo em região utilizada para a aplicação de medicações intramusculares/ subcutâneas, bem como vacinações

Diagnóstico

Anamnese detalhada e exame físico realizados pelo(a) médico(a) veterinário(a). Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

- Hemograma completo

- Bioquímica sérica

- Urinálise

- Sorologia para o vírus da Imunodeficiência felina (FIV)

- Sorologia para o vírus da leucemia felina (FeLV)

- Citologia da região aumentada 

- Biópsia da região aumentada

- Radiografias torácicas (procura por metástases)

- Ultrassonografia abdominal (procura por metástases e localizar doenças concomitantes)

- Avaliação de linfonodos regionais (palpação, ultrassonografia e citologia)

- Tomografia computadorizada (procura por metástases e planejamento cirúrgico)

- Ressonância magnética (procura por metástases e planejamento cirúrgico)

Observação: A realização e a definição da necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

A principal forma de tratamento é a retirada cirúrgica de todo o tecido acometido pelo tumor. Porém, sabe-se que a recidiva é alta, e em torno de 60% a 86% ocorre aproximadamente seis semanas após a cirurgia. A sobrevida pode ser maior caso o tumor seja detectado precocemente e retirado de maneira radical. No caso de tumores que acometem os membros, a recidiva é alta quando a retirada cirúrgica é local, mas prolongada quando realizada a amputação.

A quimioterapia e a radioterapia podem ser associadas com a excisão cirúrgica com o objetivo de prolongar a sobrevida do animal e obter melhores resultados. Quando a radioterapia é associada à cirurgia, o tempo de sobrevida pode ser estendido para 23 meses ou mais. Já no caso da quimioterapia, a mesma pode ser utilizada no período pré-operatório para redução do tamanho tumoral, facilitando a retirada cirúrgica do mesmo e sensibilizando-o em relação à radiação. A terapia quimioterápica pós-operatória tem como objetivo eliminar células neoplásicas restantes e metastáticas. 

O local do tumor no corpo do animal não apresenta relação com a recidiva, enquanto que a presença de margens cirúrgicas comprometidas e o fato do animal já ter passado por uma cirurgia são situações que pioram o prognóstico e reduzem o tempo de sobrevida.

Gatos com sarcomas de pequeno tamanho apresentam um melhor prognóstico devido à maior possibilidade de margens livres.

Prevenção

A forma mais eficaz de prevenção é a realização de um plano de vacinação pelo(a) médico(a) veterinário(a) do felino, que irá decidir quais vacinas devem ser realizadas e o intervalo de tempo entre as aplicações, baseando-se nas particularidades do animal. Além disso, é recomendado que o(a) médico(a) veterinário(a) siga as recomendações da American Association of Feline Practitioners de localização de vacinação no corpo do animal conforme a vacina utilizada. 

Por fim, caso após a vacinação ou aplicação de medicação injetável, o gato apresentar aumento de volume na região, o(a) médico(a) veterinário(a) deve avaliar a região, para que as medidas sejam tomadas o mais rápido possível caso o animal tenha desenvolvido o sarcoma de aplicação. 

Referências Bibliográficas

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FERREIRA, M, G, P, A; FILHO, N, P, R; PASCOLI, A, L, C, R; OLIVEIRA, I, R, C; NARDI, A, B, D; SARCOMA DE APLICAÇÃO EM FELINOS: ASPECTOS CLÍNICOS, DIAGNÓSTICO E TERAPIA; Revisão de literatura; Clínica e cirurgia de pequenos animais; Investigação, 15(7):29-36, 2016. 

MORSCHBACHER, P,D; GARCEZ, T, N, A; CONTESINI, E, A; Sarcoma de aplicação em felinos: revisão de literatura; Veterinária em Foco, V.8, n.2, jan/jun. 2011.

SANTOS, A,C; MARTINS, C, S; SARCOMA DE APLICAÇÃO EM FELINOS DOMÉSTICOS: REVISÃO DE LITERATURA E RELATO DE CASO; Trabalho de conclusão de curso de graduação em Medicina Veterinária apresentado junto à Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília. BRASÍLIA - DF, NOVEMBRO/2018.

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