Tudo sobre: Seminoma em Cão

Introdução

O seminoma, ou tumor das células dos túbulos seminíferos, é a segunda neoplasia testicular de maior ocorrência nos cães. Acomete principalmente animais idosos, com maior incidência naqueles que possuem testículo ectópico (em localização anormal) nestes, a agressividade da neoplasia tende a ser maior do que em testículos escrotais.

Quando o animal nasce, os testículos encontram-se dentro da cavidade abdominal e dentro de 10 dias após o nascimento eles devem descer para a bolsa escrotal. Quando isso não acontece, ocorre uma alteração conhecida como criptorquidismo, o qual pode ser unilateral ou bilateral. Além de resultar em esterilidade, quando bilateral, também é um fator predisponente para o desenvolvimento de neoplasias testiculares. 

Geralmente, é uma neoplasia benigna, cerca de cinco a 10% dos casos são malignos. A ocorrência de metástase é rara e quando ocorre, costuma acometer os linfonodos sublombares e mesentéricos, baço e pulmões.

Por ser uma neoplasia sem alteração hormonal, não ocorrem sinais de feminização, como em outras neoplasias testiculares. O aumento de volume na região inguinal é o sinal clínico mais evidente, podendo ser unilateral ou bilateral. Quando ocorre herniação inguinal ou compressão de órgãos o animal pode sentir dor. 

Os exames de imagem irão auxiliar na localização do(s) testículo(s) ectópico(s) e identificação de possíveis anormalidades, podendo levar a suspeita de neoplasia e a presença ou não de metástase. Porém, o diagnóstico definitivo e a determinação do tipo tumoral dependerá de análise citológica/ histopatológica dos testículos.

O tratamento e a prevenção desta neoplasia consistem basicamente na castração do animal.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

-Aumento de volume na região inguinal ou escrotal

-Dor abdominal

-Criptorquidismo

-Testículos de tamanho e consistência diferentes

Diagnóstico

-Associação entre anamnese, histórico e exame clínico.

-Ultrassonografia abdominal, inguinal e testicular

-Radiografia abdominal e inguinal

-PAAF (punção aspirativa por agulha fina)

-Histopatologia*

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

*A histopatologia, a partir da biópsia do tumor, após orquiectomia, é imprescindível para a confirmação do diagnóstico e definição do tipo tumoral. A punção de linfonodo e posterior avaliação histopatológica é recomendada para a pesquisa e determinação de possíveis pontos de metástase.

Tratamento

A orquiectomia bilateral* (remoção dos testículos ou castração) é o tratamento de eleição para esse tipo de neoplasia. Em casos de tumor mais invasivo e ocorrência de aderências ou necrose, pode ser necessário realizar a ablação (remoção) da bolsa escrotal. Quando a neoplasia for maligna, recomenda-se a realização de linfadenectomia regional (retirada cirúrgica de parte do sistema linfático), procedimento que tem o intuito de evitar a ocorrência de metástase.

Em casos de metástase, pode ser necessária a realização de quimioterapia.

*Os testículos removidos devem ser encaminhados para avaliação histopatológica.

Prevenção

A castração é o principal método de prevenção, principalmente para os animais criptorquidas, pois estes apresentam maior predisposição de desenvolvimento da neoplasia.

Referências Bibliográficas

BOMFIM, E. M. O. et al. Seminoma em um cão com testículo ectópico – Relato de caso. Jornal Interdisciplinar de Biociências, v.1, n.2, 2016

Henrique F.V., Lordão F.N.F., Pessoa M. de A., Carneiro R. dos S.Tumor de células de sertoli e seminoma difuso em cão com criptorquidismo bilateral - Relato de caso. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, 38(3):217-221, 2016.

Kennedy P.C. et al. Histological Classification of Tumors of the Genital System of Domestic Animals, p.17-18. In: WHO. International Histological Classification of Tumors of Domestic Animals. 2nd Series, Volume IV. Armed Forces Institute of Pathology, Washington DC. 1998.

MONTHEO, T. F. Teriogenologia. In: CRIVELLENTI, Leandro Z. CRIVELLENTI, Sofia B. (2 Ed.). Casos de Rotina em Medicina Veterinária de Pequenos Animais. 2 Ed. São Paulo-SP. Editora MedVet. 2015, cap 17. p 801-803.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso