Tudo sobre: Sensibilidade a fármacos (MDR1)

Introdução

A glicoproteína P é uma proteína situada na membrana das células e tem como função o transporte de substâncias ou fármacos para dentro da célula. Está localizada em rins, fígado, intestino delgado e barreira hematoencefálica, placentária e testicular. Age na farmacocinética modulando a disponibilidade da substância para metabolização e eliminação. 

Essa proteína é produzida por meio dos processos genéticos do gene MDR1 ou ABCB1, conhecido como o gene da resistência múltiplas a drogas. Após alguns estudos, foi observada uma mutação desse gene levando ao prejuízo na síntese da glicoproteína P tornando-a não funcional, essa mutação foi chamada de MDR1 nt230 (del4) ou MDR1-1∆. As consequências clínicas para essa mutação é hipersensibilidade e a intoxicação devido ao acúmulo de fármacos, principalmente em cães da raça Collie, os sinais podem variar conforme a medicação, a dose utilizada e os níveis de glicoproteína P funcional.

Fármacos que podem levar a essa sensibilidade são:

  • Anticancerígenos: Doxorrubicina, Vincristina, Vinblastina, Etoposide, Actinomicina D, Docetaxel, Mitoxantrone, Paclitaxel.
  • Imunossupressores: Ciclosporina, Tacrolimus.
  • Antiparasitários: Ivermectina, Moxidectina, Milbemicina Oxima, Selamectina.
  • Hormônios Esteroidais: Aldosterona, Cortisol, Dexametasona, Estradiol, Hidrocortisona, Metilprednisolona.
  • Anti-histamínicos: Terfenadine, Ranitidina, Cimetidina.
  • Antimicrobianos: Tetraciclina, Doxiciclina, Levofloxacina, Cetoconazol, Itraconazol, Eritromicina e Rifampicina.
  • Antiepilépticos: Fenotiazina.
  • Glicosídeos cardíacos: Digoxina, Diltiazem, Verapamil, Talinolol, Quinidina, Losartan.
  • Analgésicos/ anestésicos: Butorfanol, Morfina, Metadona, Fenotiazínicos, Fentanil. 
  • Outros: Domperidona, Ondansetrona, Loperamida.

As raças que podem ser afetadas incluem Collie, Border Collie, Pastor de Shetland, Pastor Australiano, Old English Sheepdog, Whippet, McNab, Silken Windhound, Pastor Branco Suiço, Galgos, mas outras raças também podem ser acometidas, bem como cães sem raça definida e mestiços das raças citadas. 

Em alguns estudos foi demonstrado que existe predisposição (em camundongos e cães com sensibilidade a fármaco) de desenvolver hiperadrenocorticismo devido a situações estressantes nas quais ocorre aumento do cortisol, ou na administração exógenas de corticoides. Outros estudos evidenciaram em homens e camundongos a predisposição em desenvolvem doença inflamatória intestinal crônica.

Transmissão

- Hereditária - transmissão genética

Manifestações clínicas

- Ataxia

- Sialorreia 

- Depressão

- Midríase

- Letargia

- Coma 

- Cegueira

- Convulsões 

- Decúbito

- Óbito 

Diagnóstico

Com base no histórico do animal, se já houve algum tipo de sensibilidade aos fármacos citados, sendo confirmada por técnicas moleculares que permitam a identificação da mutação genética, são elas:

- PCR (Reação em cadeia da polimerase)

- RFLP (análise do polimorfismo de comprimento do fragmento de restrição)

- Teste de HRM (High Resolution Melting)

- Técnica de Western Blotting

- Uso de microssatélites 

Observação: a escolha de quais exames solicitar fica a critério do(a) Médico(a) Veterinário(a), que vai avaliar e adequar sua conduta conforme a situação clínica do paciente. 

Tratamento

Não há tratamento para mutação. 

Os animais portadores dessa condição em casos de desenvolvimento de quadros tumorais cerebrais e testiculares apresentam resposta à terapia quimioterápica superior.

Prevenção

Não existe prevenção. Mas é de extrema importância remover estes animais da reprodução por meio da esterilização, de modo a evitar a transmissão dessa condição às ninhadas.

É fundamental ter cuidado ao escolher a dose e os fármacos mais indicados para animais que possuem essa sensibilidade. Por esse motivo, nāo se deve medicar animais por conta própria, sendo recomendada a consulta com um(a) médico(a) veterinário(a). 

Referências Bibliográficas

Monobe, M.M.S.; Diagnóstico Molecular da Alteração Mutagênica MDR1 nt 230 (del4) no Gene MDR1 em Cães. Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação. Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade “Julio de Mesquita Filho”, Campus Botucatu, SP, 2011. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/120022/monobe_mms_tcc_botfmvz.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 12 jan. 2020.

Silva, C.R.; Baja, K.G.; Pereira, K.S.S.; Aguiar, P.R.L.; Natalini, C.C.; Mutação MDR1-nt230(del4) em cães da raça collie. III Congresso Brasileiro de Genética Forense e II Jornada Lationoamericana de Genética Forense. 10 a 13 de maio de 2011, PUCRS, Porto Alegre - RS, Brasil.

Silva, C.R.; et al.; Mutação MDR1-nt230(del4) em cães da raça Collie. Revista de Iniciação Científica da ULBRA – 2011. Disponível em: http://www.periodicos.ulbra.br/index.php/ic/article/view/288/247. Acesso em: 12 jan. 2020.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso