Tudo sobre: Sepse e Bacteremia

Introdução

A sepse é uma síndrome complexa e grave que resulta em um grande número de mortes tanto na medicina veterinária, quanto na medicina humana. Corresponde a uma intensa resposta inflamatória sistêmica do organismo diante de uma infecção causada principalmente por bactérias. 

Quando bactérias viáveis chegam à corrente sanguínea e se disseminam por todo o corpo, instala-se o quadro conhecido por bacteremia, a qual pode resultar em uma resposta agressiva do sistema imune do indivíduo (ex.: sepse).

A sepse pode ser desencadeada por lesão local ou generalizada, trauma, lesão térmica, processos estéreis ou inflamatórios. Os agentes envolvidos podem ter origem bacteriana (mais comum), fúngica, viral ou protozoária.

Cada paciente possui um fator de predisposição que o torna mais suscetível a desenvolver a sepse, como por exemplo os fatores genéticos, comorbidades associadas, idade, espécie, raça, sexo, e até mesmo fatores socioeconômicos.

Os fatores sépticos mais comumente encontrados em cães e gatos são provenientes da cavidade pleural e abdominal, trato urinário, respiratório, reprodutivo, gastrointestinal e traumas, sendo a peritonite a causa mais comum de sepse em cães. As afecções mais comuns de causar a sepse em cães são peritonite, pneumonia, piometra, prostatite e infecção de feridas. Já nos gatos está relacionada principalmente ao piotórax, peritonite séptica, doenças do trato gastrointestinal, endocardite, pielonefrite, osteomielite e piometra

Pode acometer qualquer raça de qualquer espécie e todas as faixas etárias podem desenvolver uma infecção generalizada.

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

  • Pirexia ou hipotermia 
  • Taquicardia ou bradicardia (evidenciadas durante atendimento)
  • Taquipneia
  • Estado mental alterado
  • Hiperglicemia ou hipoglicemia (evidenciadas durante atendimento)
  • Saturação de oxigênio alterada (evidenciada durante atendimento)
  • Crises convulsivas
  • Aumento no tempo de preenchimento capilar (evidenciado durante atendimento)
  • Extremidades frias

Diagnóstico

Associação entre anamnese e exames físico e complementares. O(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar/ realizar os seguintes exames complementares:

  • Hemograma
  • ALT-TGP
  • AST- TGO
  • Fosfatase alcalina (F.A)
  • Ureia
  • Creatinina
  • Dosagem de eletrólitos
  • Lactato sérico
  • Dosagem de interleucinas
  • Análise de fluidos (ex: peritonite)
  • Hemocultura
  • Ultrassonografia abdominal
  • Radiografia torácica

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

O tratamento da sepse nos animais domésticos deve se basear primordialmente na implementação precoce de fluidoterapia para a reposição volêmica associado ao controle da infecção pela aplicação de antibioticoterapia exclusivamente por via intravenosa e o controle da hipotensão com vasopressores, se necessário. Concomitantemente é essencial o monitoramento intensivo do(a) paciente pelo(a) médico(a) veterinário(a) responsável, ou seja, o animal deve ser internado. 

Em pacientes com choque séptico, o tratamento é ainda mais difícil e pode evoluir para óbito. Por esse motivo, animais com quadro infeccioso devem receber atendimento médico veterinário o quanto antes, a fim de evitar a progressão da doença.

Prevenção

Como a sepse e a bacteremia podem ocorrer por diversos fatores, não há uma forma específica de preveni-las Porém, no geral, recomenda-se manter a carteira de vacinação e vermifugação em dia e realizar consultas periódicas com um(a) médico(a) veterinário(a) para assegurar que os pets estejam saudáveis. Além disso, qualquer tipo de tratamento deve ser indicado e acompanhado por um(a) médico(a) veterinário(a).

Referências Bibliográficas

FRANCO, R. P. Síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SRIS), um desafio diagnóstico. Acta Veterinaria Brasilica, v. 4, n. 3, p. 123-131, 2010.

GONZAGA, B. C. Sepse em pequenos animais, revisão bibliográfica com ênfase em alterações cardíacas, 2011.

OLIVEIRA, F. R; PEREIRA, F. R. A; GONCALVES, R. P. M. Sepse em felino associada à peritonite infecciosa felina. Acta Veterinaria Brasilica, v. 9, n. 3, p. 296-300, 2015.

RAMOS, A. S. et al. Bacteremia transitória em cães com doença periodontal em diferentes procedimentos odontológicos e usuais. Brazilian Journal of Veterinary Medicine, v. 33, n. 2, p. 79-84, 2011.

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