Tudo sobre: Sequestro de Córnea

Introdução

A córnea é a porção anterior do bulbo ocular e corresponde a uma camada fibrosa, transparente e avascular que tem como principais funções proteger e dar suporte às estruturas oculares interiores, além de ser fundamental na formação da visão. Histologicamente é possível distinguir quatro camadas distintas: epitélio e membrana basal, estroma, membrana de Descemet e endotélio. Qualquer agressão à córnea pode resultar na perda de transparência e algum grau de opacificação, temporário ou permanente.

O sequestro de córnea é caracterizada pelo aparecimento de uma placa de cor escura, podendo ser na cor marrom, preta ou âmbar, comumente encontrada na região central ou paracentral da córnea. Essa afecção pode ser chamada de necrose coreana felina, córnea nigrum, mumificação coreana, degenerescência focal, queratite necrótica primária, queratite ulcerativa crônica e lesão negra isolada. A lesão limita-se ao epitélio, entretanto, pode atingir a membrana Descemet e levar à perfuração do bulbo ocular.
A lesão pode ser uni ou bilateral, ocorrendo com maior frequência da forma unilateral. Além disso, ela pode se manter estável por anos ou progredir em dias ou semanas.


Acomete principalmente gatos, mas há relatos em equinos e cães. Não há predisposição de gênero e idade, entretanto, não afeta neonatos. Siamês, Birmanês e Raças braquicefálicas têm maior propensão a desenvolver o sequestro de córnea. 

Transmissão

- Não se aplica

Manifestações clínicas

- Ulceração ocular
- Dor
- Desconforto ocular
- Conjuntivite
- Quemose
- Corrimento ocular
- Edema corneal
- Neovascularização
- Blefarospasmo
- Epífora
- Enoftalmia
- Protusão da membrana nictitante
- Fotofobia
- Apatia
- Anorexia
- Mineralização do estroma corneal necrótico

Observação: Lesão patognomônica: variando de uma área mal definida e ligeiramente escurecida a uma placa bem delimitada e negra. A superfície pode ser lisa ou rugosa. 

Diagnóstico

Associação entre história clínica, exames físicos e laboratoriais.

Exames que o(a) Médico(a) Veterinário(a) pode pedir:

- A placa é lesão patognomônica
- Teste de fluoresceína
- Cultura fúngica
- Cultura bacteriana
- Antibiograma
- Exames histológicos
- Teste para detecção de anormalidades no filme lacrimal
- PCR
- Detecção viral por esfregaço da mucosa ou oral ou ocular
- Teste lacrimal de Schirmer
- Teste com corante rosa bengal

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a).

Tratamento

Há controvérsias sobre qual o tratamento mais eficaz. Assim, há recomendação de um tratamento médico conservativo bem como uma abordagem cirúrgica. Porém, em muitos casos o tratamento conservativo não é indicado devido à sua lenta recuperação, podendo levar a um agravamento da lesão. 

Prevenção

- Não se aplica

Referências Bibliográficas

BAPTISTA, R. L. Sequestro de córnea: revisão de literatura e estudo retrospectivo (2007-2018). Monografia (Graduação em Medicina Veterinária) - Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2019.

CARLOS, R. S. A. et al. Ceratopatias degenerativas e distrofias em cães e gatos - Revisão de Literatura. Revista Científica de Medicina Veterinária - Pequenos animais e animais de estimação, v. 11, n. 37, p. 64-73, 2013. 

MOREIRA, A. R. L. Sequestro corneal felino: estudo retrospectivo. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) - Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade de Lisboa, Lisboa, 2015

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