Tudo sobre: Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA)

Introdução

A Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA) caracteriza-se como um conjunto de sinais clínicos causados pela resposta inflamatória excessiva a uma lesão pulmonar aguda. Está associada ao edema nos pulmões e um quadro de hipoxemia (diminuição de oxigênio para os tecidos) persistente de grau variável, devido ao aumento da permeabilidade capilar pulmonar e sistêmica e diminuição da complacência pulmonar.

Várias situações e agentes etiológicos podem predispor o animal à SARA. A lesão do endotélio/ epitélio pulmonar e da membrana alvéolo-capilar provoca a liberação de mediadores inflamatórios celulares e humorais que atuam diretamente no desenvolvimento e agravamento da síndrome. 

A SARA classifica-se clinicamente em causas diretas e indiretas. As causas diretas envolvem a lesão no epitélio das vias respiratórias por inalação de gases tóxicos, pneumonia, aspiração de conteúdo gástrico, afogamento, laringoespasmo, lesão de isquemia-reperfusão pulmonar, choque elétrico, queimaduras e ventilação mecânica. As causas indiretas estão relacionadas a alterações sistêmicas como a sepse, a coagulação intravascular disseminada (CID), pancreatite aguda, acidentes com animais peçonhentos (cobra, escorpião, aranha, abelhas), intoxicações, lesões no sistema nervoso central (SNC), tromboembolismo, politraumatismos e outros. 

Essa disfunção tem sido cada vez mais descrita na clínica veterinária e as causas mais frequentes são sepse, pneumonia grave, peritonite e politraumatismos. 

O paciente precisa de atendimento emergencial, de preferência em uma unidade de terapia intensiva, e a taxa de mortalidade pode ser elevada, dependendo da origem. 

Transmissão

-Não se aplica

Manifestações clínicas

Sinais inespecíficos (isolados ou em conjunto):

  • Taquipneia
  • Dispneia
  • Estertores pulmonares
  • Cianose
  • Hipoxemia
  • Taquicardia

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar:

  • Radiografia torácica
  • Ultrassonografia emergencial (TFAST e Vet BLUE)
  • Tomografia computadorizada
  • Hemograma completo
  • Hemogasometria

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

O atendimento de pacientes com Síndrome da Angústia Respiratória Aguda é emergencial e representa um desafio para o(a) médico(a) veterinário(a), porque apesar dos avanços em técnicas terapêuticas a mortalidade permanece alta. É muito importante manter o consumo de oxigênio pelos tecidos para o funcionamento das células. 

O diagnóstico preciso é fundamental para a interrupção do processo inflamatório pela eliminação da causa, assim, o uso de corticóides pode ser indicado para tentar reverter o quadro. Outros medicamentos podem ser utilizados como vasodilatadores, mucolíticos, entre outras.

Independentemente da causa, em muitos casos a ventilação mecânica como suporte respiratório se faz necessária. O objetivo da ventilação mecânica é dar tempo para que os pulmões se recuperem da lesão aguda, mantendo as trocas gasosas do organismo.

Prevenção

A prevenção de quadros respiratórios envolve cuidados para evitar a exposição excessiva dos animais a potenciais alérgenos (fumaça de qualquer origem, fuligem, perfume, granulados sanitários, poeira, ácaros, resíduos de construção, produtos de limpeza e poluição). Estes alérgenos podem ser fatores estimulantes no desencadeamento de uma crise respiratória. 

Além disso, para cães e gatos, há vacinas que os protegem de alguns microrganismos respiratórios. Portanto, é importante que o(a) tutor(a) mantenha a carteira de vacinação em dia, bem como as consultas e vermifugações que também protegem o animal de infestações parasitárias.

Para evitar acidentes e politraumatismos que podem predispor a SARA e outros distúrbios, é fundamental a mudança de manejo, a fim de minimizar os riscos de atropelamentos, quedas, pisaduras e agressões. Os animais, caninos ou felinos, não devem ter livre acesso à rua, pois o risco de atropelamentos é muito alto. Os cães devem sempre andar junto com o(a) tutor(a), devidamente contidos na coleira e guia para passeio.

As janelas das residências com felinos, principalmente os apartamentos em andares mais altos, devem possuir grades de proteção para prevenir as quedas. Deve-se evitar o acesso dos felinos aos telhados, muros e árvores pelo mesmo motivo.

Os animais não destinados à reprodução devem ser castrados (machos e fêmeas) assim que possível. A castração preventiva traz inúmeros benefícios ao animal, porque inibe alguns comportamentos sexuais que os estimula a fugir em busca de parceiros, brigar com outros animais pelo territórios, além de prevenir determinadas doenças e auxiliar no controle populacional, evitando que mais cães e gatos sejam abandonados à própria sorte nas ruas.

Cuidados com o bem-estar e a manutenção da saúde do animal são importantes para um eficiente funcionamento do sistema imunológico. O(a) tutor(a) deve prezar pelo fornecimento de uma alimentação equilibrada, balanceada e de boa qualidade e incentivar o pet a tomar água frequentemente, colocando bebedouros com água limpa e fresca nos ambientes em que ele mais fica. 

O acompanhamento periódico com o(a) médico(a) veterinário(a) garante que seu animal esteja amparado e facilita o diagnóstico precoce caso haja alguma enfermidade. Ao observar qualquer mudança de comportamento ou aparecimento de sinais clínicos, procurar atendimento médico o mais rápido possível. 

Referências Bibliográficas

ANTONIAZZI, P. et al. Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA). Medicina, Ribeirão Preto, 31: 493-506, out./dez. 1998.

SOUZA, M. C. et al. Síndrome da Angústia Respiratória Aguda. Ciência Animal, v.29, n.4, p.124-134, 2019.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso