Tudo sobre: Síndrome da Disfunção Cognitiva

Introdução

A síndrome da disfunção cognitiva é uma doença neurológica, definida como um conjunto de mudanças comportamentais que podem ocorrer em cães e gatos idosos. A manifestação da doença nos cães, em particular, tem grande semelhança a Doença de Alzheimer nos seres humanos, portanto há uma quantidade maior de estudos na espécie canina. Os pets podem desenvolver alterações na estrutura do seu sistema nervoso a partir dos seis anos de idade, com evolução variável dos sinais clínicos dependendo das suas condições de vida, saúde e nutrição. Não há predileção por espécie ou sexo, e pode ocorrer em animais de qualquer região. A idade do pet e as alterações que ocorrem em seu organismo com o envelhecimento são os principais fatores envolvidos, sendo a maior prevalência da síndrome nos cães e gatos acima de 14 anos de idade.

As alterações desta síndrome ocorrem devido a mudanças progressivas e irreversíveis que ocorrem no cérebro e outras estruturas importantes que compõem o sistema nervoso devido ao acúmulo de proteínas que danificam a função dos neurônios, lesões oxidativas que aumentam conjuntamente ao envelhecimento do organismo e falha dos seus sistemas de produção, alteração estrutural dos tecidos nervosos e alterações dos vasos sanguíneos que carregam nutrientes ao cérebro como um todo. Além disso, estas mudanças podem provocar diminuição na produção de hormônios e substâncias chamadas neurotransmissores (como a dopamina e serotonina), que são fundamentais para regulação de ciclo de sono-vigília, aprendizado e condução de impulsos nervosos.

A doença pode passar despercebida, pois alguns dos comportamentos exibidos pelos pets se confundem com outros problemas de saúde, portanto é sempre importante fazer um painel completo da saúde do cão ou gato para investigar a presença desta síndrome. Para fechar o diagnóstico da Síndrome da Disfunção Cognitiva, é preciso realizar uma série de exames para descartar outros possíveis enfermidades causadoras de mudança de comportamento nos animais idosos, como: hipotireoidismo, obesidade, tumores cerebrais, encefalopatia hepática, cardiopatias e doenças articulares.

Transmissão

- Não se aplica

Manifestações clínicas

- Vocalização

- Alteração de ciclo sono-vigília

- Dificuldade de aprendizado

- Urinar em locais inadequados

- Defecar em locais inadequados

- Confusão mental

- Agressividade

- Redução de interação com membros da família

- Diminuição de atividades

- Dificuldade de transpor obstáculos

- Apatia

- Ansiedade

- Hiporexia

- Falhas de memória

Diagnóstico

- Bioquímica sérica

- Hemograma

- Exame neurológico

- Exames neuropsicológicos

- Testes hormonais

- Questionários comportamentais

- Tomografia computadorizada

- Radiografia

- Ultrassonografia

- Ressonância magnética

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do Médico Veterinário.

Tratamento

A síndrome da disfunção cognitiva é uma doença complexa e de caráter progressivo e irreversível, portanto o tratamento deve considerar uma soma de esforços do uso de medicamentos, suplementação dietética, enriquecimento ambiental e, em alguns casos, acupuntura e homeopatia.

Os principais medicamentos utilizados incluem ansiolíticos, repositores hormonais, recaptadores de neurotransmissores e facilitadores do fluxo sanguíneo cerebral. Em relação aos suplementos, são recomendados antioxidantes naturais, vitaminas, algumas frutas e vegetais ricos em antioxidantes, ácidos graxos e fitoterápicos que podem auxiliar na circulação cerebral.

Quanto mais cedo esta síndrome for diagnosticada por um profissional e for instituído um tratamento integrado considerando medicamentos, dieta e abordagem das mudanças de comportamento pelos tutores, melhor será a resposta do pet.

Prevenção

O enriquecimento ambiental é uma importante ferramenta tanto no tratamento da síndrome da disfunção cognitiva, desacelerando sua progressão, como na prevenção do início dos sinais clínicos. Portanto, o estímulo diário de seu pet com brincadeiras, atividade física, ensiná-lo novos truques e até mesmo propiciar interação com outras pessoas e animais é de grande importância para sua saúde.

Referências Bibliográficas

CERVANTES SALA, S. Geriatría canina e felina. Editora Medvet, 2014.

DA SILVA, B. C. et al. Síndrome da disfunção cognitiva canina: revisão de literatura. Revista Acadêmica Ciência Animal, v. 16, p. 1-8, 2018.

DEWEY, Curtis Wells et al. Canine cognitive dysfunction: pathophysiology, diagnosis, and treatment. Veterinary Clinics: Small Animal Practice, v. 49, n. 3, p. 477-499, 2019.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso