Tudo sobre: Síndrome de Chediak-Higashi em Felinos

Introdução

A Síndrome de Chediak-Higashi é uma doença genética que passa de pais para filhos, ou seja, é hereditária e ocorre em humanos e diversos animais como orcas, bovinos, raposas, ratos e felinos, como tigres brancos e gatos domésticos. Nos felinos domésticos, a síndrome é relatada em gatos da raça Persa que apresentam pelagem de coloração azul e íris amarelo-esverdeadas e pode ser caracterizada como uma albinismo parcial de pele e olhos.

A característica genética é autossômica recessiva, portanto, os pais devem possuir os genes recessivos para que a síndrome seja manifestada nos filhotes. A condição surge pela mutação do gene que regula o transporte dos lisossomos (organela celular com importante função de reciclagem nas células), acometendo as células granulosas (leucócitos, melanócitos e plaquetas) que se apresentam de forma anormal no organismo.

Abrangendo diversos sistemas do corpo, observa-se principalmente a dificuldade de atuação do sistema imune, já que algumas de suas células são afetadas e, consequentemente, o organismo tem dificuldades para combater agentes invasores como, vírus, bactérias e fungos. 

As plaquetas também apresentam anomalias, atuando de forma insatisfatória no controle de hemorragias. Portanto, animais portadores desta síndrome tendem a apresentar sangramentos prolongados em decorrência de ferimentos e hematomas frequentes. 

Infecções constantes em conjunto com alterações que afetam o tempo de sangramento dos animais podem provocar a morte precoce de gatos que apresentam a Síndrome de Chediak-Higashi sem que o(a) tutor(a) tenha conhecimento da condição.

Transmissão

- Hereditária

Manifestações clínicas

- Sangramento prolongado

- Hematomas

- Fotofobia

- Albinismo total ou parcial de olhos ou pele

Diagnóstico

Associação de sinais clínicos e exames laboratoriais.

Exames que o(a) médico(a) veterinário(a) pode solicitar/ realizar:

- Esfregaço sanguíneo

- Plaquetas

- Hemograma completo

Observação: A realização e a definição de necessidade de exames complementares são decisões do(a) Médico(a) Veterinário(a). 

Tratamento

Não existe uma cura definitiva para os animais acometidos, portanto, o tratamento da síndrome é apenas sintomático. Transfusões plaquetárias podem ser realizadas de acordo com a necessidade do animal e ocasião, assim como o transplante de medula óssea.

Apesar de não existirem estudos em gatos, a vitamina C também tem sido utilizada no tratamento de indivíduos humanos portadores de Síndrome de Chediak-Higashi para melhorar a função das células acometidas.

Prevenção

A castração do gato e de qualquer outro animal portador da síndrome é recomendada.

Recomenda-se a aquisição de animais de raça de criadores responsáveis, que realizam controle genético de seus reprodutores.

Como o felino pode apresentar sangramentos intensos e anormais em decorrência de acidentes domésticos ou intervenções veterinárias, o(a) tutor(a) deve estar consciente da condição e ficar atento aos riscos no entorno do animal.

Quaisquer alterações de comportamento ou aparecimento de sintomatologia clínica, os animais devem passar por atendimento médico veterinário o mais rápido possível.

Referências Bibliográficas

COLLIER, Linda L.; PRIEUR, David J.; KING, Edward J. Ocular melanin pigmentation anomalies in cats, cattle, mink, and mice with Chediak-Higashi syndrome: histologic observations. Current eye research, v. 3, n. 10, p. 1241-1251, 1984.

DALMOLIN, Magnus Larruscaim. Distúrbios da hemostasia em cães e gatos. Monografia. Graduação em Medicina veterinária. Universidade Federal do Rio grande do Sul, Faculdade de Veterinária. Porto Alegre-RS. 2010.

KRAMER, J. W.; DAVIS, W. C.; PRIEUR, D. J. The Chediak-Higashi syndrome of cats. Laboratory investigation; a journal of technical methods and pathology, v. 36, n. 5, p. 554, 1977.

PARKERD, Michael T. et al. Oral mucosa bleeding times of normal cats and cats with Chediak‐Higashi syndrome or Hageman trait (factor XII deficiency). Veterinary clinical pathology, v. 17, n. 1, p. 9-12, 1988.

PRIEUR, David J.; COLLIER, Linda L. Inheritance of the Chediak-Higashi syndrome in cats. Journal of Heredity, v. 72, n. 3, p. 175-177, 1981.

Recomendamos levar o seu pet a um médico veterinário para um diagnóstico preciso